Paranóia Delirante
Abril 29th, 2008
Cri.se
Do Latim Crise.
momento perigoso ou decisivo;
perturbação que altera o curso ordinário das coisas;
- moral: luta interior entre dois sentimentos;
Do Grego Krísis.
Crise.
Euestouemcrise. Eis aqui o meu tópico frasal. Notas baixas. Princípio de dor de garganta. Tédio. Questões existenciais. Falta de grana. Excesso de dívidas. Questões morais. Tédio. Princípio de dor de garganta. Notas baixas. Dentre outras coisas que não vale ressaltar, pois você não ia gostar de ler.
Encontro-me naquele momento da vida em que você leva as mãos à cabeça, arregala os olhos, bagunça os cabelos ao puxá-los num ato de total desespero e se pergunta: ‘e agora, comofas?’. E então ocorre um flash de consciência. Um momento da percepção onde tudo (menos os seus problemas) se esclarece.
Você se dá conta que seu cabelo anda caindo demais. Aquele xampu anti-queda não tem utilidade alguma. Que anda comendo demais. Me nego a citar o que acontece quando se come demais. Que anda bebendo demais (demais, demais, demais-demais). E que seu corpo nem dá mais conta de tanto álcool. E então você volta a se perguntar: ‘como foi que eu cheguei a esse ponto?’.
Pára. Recapitula. Tenta voltar uns dias pra ver o que te fez pegar essa “estrada errada” (coloquemos dessa forma dramática). Não chega a conclusão alguma. Continua em ponto morto. Recapitula mais ainda, agora anos, ao invés de dias. Quando nota, voltou à infância, totalmente desviado da linha de raciocínio principal.
Pensa nas brincadeiras com pessoinhas que hoje não fazem a menor diferença na sua vida. Na tia da escola. No “É o Tchan” e a Boquinha da Garrafa. Chiquititas. Maria do Bairro. No quanto você odiava (frisando o pretérito imperfeito do indicativo – ação do passado) desenhos estilo anime. Como a lenda do chupa-cabra te deixou algumas noites sem dormir. Em como era bom ser criança. E em como você era idiota de querer crescer logo.
Agora ta aqui (ou aí). Cheio de responsabilidades estranhas. Coisas de adulto. E começa a se sentir pequenininho e insignificante diante do resto do mundo. Começa a se perguntar como vai fazer a sua vida funcionar. Se tem capacidade de chegar aonde seus pais chegaram (isso é, se eles chegaram a algum lugar bom. Se não, o pai de um amigo, conhecido, ou algum famoso também é válido). E se eles tiveram as mesmas dúvidas e a mesma insegurança que você sente agora. Uns medinhos chatos que te fazem ter vontade de jogar tudo pro alto, e em seguida saltar pela janela do quinto andar (sem apologias à menina Isabella, que foi do sexto).
Por fim, desiste. Conclui que ‘nãofas’. É complexo demais pensar nesse assunto. “Deixa a vida me levar”. Então lhe digo: pega a grana que te resta (que não cobre suas dívidas). Ignora a dor de garganta, pois sabe que não adianta gargarejo com água morna, vinagre e sal. O princípio vai ter meio (longo e doloroso) e fim. Chama os amigos. Senta num bar. E como diria Cássia Eller:
Leva essa.
Traz mais uma.
Põe na conta.
(…)
No goro eu viajei,
Já tomei demais.
Paranóia delirante,
Eu to na paz.
A quem se identificou fikdik (fica a dica): esse assunto não acaba aqui.