Caras vítimas do laboratório Bristol:

Andei conversando com um médico amigo e ele me explicou o seguinte: existem mecanismos regulatórios no país que impedem um laboratório de aumentar muito o preço de um remédio que já existe no mercado. No entanto, se o laboratório quiser faturar com outro medicamento mais lucrativo, vai “descontinuar” a produção do que é barato – alegando qualquer motivo, como o que nos deram, de que estão tendo dificuldade para importar a matéria prima – e usar as máquinas e mão de obra para fazer o outro. Como o Corgard já existe há mais de 5 anos, caberia até a quebra de patente por parte do Governo Federal.

Esse não é o primeiro caso em que usuários ficam prejudicados pela ganância empresarial. Bons remédios simplesmente somem do mercado porque não dão lucro e ninguém pode obrigar um laboratório a continuar produzindo um remédio. No caso do Corgard, os pacientes, pelo que leio nos relatos que chegam diariamente (já somos quase 100 pessoas no Brasil todo!) não estão reagindo bem aos outros betabloqueadores e vêm sofrendo evidente prejuízo em sua qualidade de vida. Eu passei tão mal com o último que decidi parar com tudo, enquanto espero minha irmã, que mora na Alemanha, me trazer um carregamento no mês que vem. Nesse meio tempo, vou tentar homeopatia. Mas não quero resolver só o meu problema porque sei o que vocês estão passando.

Alguém sugeriu num post recorrermos à Defesa do Consumidor ou ao Ministério Público. A primeira opção acho expúria, uma vez que eles não são obrigados a fabricar, como lhes contei. No entanto, talvez fosse possível, por meio do Ministério Público, formalizar um pedido ao Ministério da Saúde para que o próprio Governo passe a produzir o Corgard, como tantos outros genéricos de uso contínuo contra hipertensão ou diabetes que já se encontra nas farmácias populares – o que vocês acham? Se houver algum advogado entre nós, me informe como podemos dar início ao processo e, também, se os relatos (com os endereços de emails de quem postou) servem para um pedido formal ou se devemos começar uma coleta de dados mais completa.

Direitos não são garantidos. Direitos são conquistados. Abraço e força a todos!