Publiquei ontem mais uma crÃtica de cinema no espaço com o qual venho colaborando a convite de um ex-aluno e sempre amigo, o talentoso Raphael Nercessian. Quem quiser conferir, é o blog do Canal Barra – canalbarra.com/blog. Foi sobre o filme “O Lobisomem” e já vou adiantando logo que não gostei! Só que a premissa da licantropia – o sujeito mordido assumir caracterÃsticas do Lobo Mau que o mordeu – me levou a uma associação que eu tinha feito faz tempo. Pra ser mais exata, há 15 anos. Na época em que fui a Recife e São LuÃs apurar material sobre ataques de tubarão para a revista Manchete, na qual era repórter.
Estava acontecendo um seminário internacional sobre ataques de tubarão e os especialistas se dividiam em tentar explicar dois aspectos relacionados ao bicho: qual a melhor tecnologia para evitar um ataque e por quê, de uma hora pra outra, ele teria passado a frequentar as praias recifenses, o que é assunto para um outro post. Conversei com um número bom de garotos que haviam sido mordidos, uma vez que falar com as vÃtimas fatais, obviamente, não seria mais possÃvel e, depois do terceiro ou o quarto, uma caracterÃstica comum me chamou a atenção.
Todos tinham um jeito circunspecto, de quem não gosta de falar muito, de quem prefere “nadar” sozinho (se me permitem a digressão) e ficavam frequentemente com o olhar perdido, meio ausentes, entristecidos e ensimesmados. Por mais que tenha restado algum trauma (compreensÃvel, pela violência do evento e pelo sofrimento no processo de recuperação) aqueles garotos tinham se transformado. Não gostaria de vê-los famintos. E, para espanto meu, a maioria continuava surfando…

