Entrevista #04 – Antonio Paulo – Redator
Depois de vários comentários dos leitores pedindo uma pessoa da área de Redação, o Prontofalei traz hoje a entrevista com Antonio Paulo, redator da Comunicação UP. Tony ou Antônio é mais do que meu “dupla” aqui na agência, é um amigo que Deus colocou em minha vida. Praticamente meu portfólio todo foi feito com ele. Desde o meu começo por aqui, eu me identifiquei muito com ele, tivemos muita afinidade. Nossos pensamentos são próximos e as ideias sempre fluiram rapidamente, o que o tornou meu dupla meio que oficial. Gosto bastante das referências que ele tem e o do seu repertório e acho que é por isso que me identifico tanto.
Antonio Paulo tem 23 anos e é redator da Comunicação Up. Já estagiou na Base Propaganda e foi redator da Formato Propaganda. Formado em Publicidade e Propaganda há um ano e meio pela Unit. Cursou Jornalismo na UFS, mas ainda não concluiu.
1) Como você vê o mercado local de Redação? Há muitas vagas? Há demanda de novos redatores? Conte como foi sua experiência para entrar no mercado.
Acredito que o mercado local, vez ou outra, precisa de profissionais de criação, principalmente redatores. Com a crise e as incertezas do período, complicou um pouco, mas está começando a melhorar. Sempre surgem vagas, basta ficar ligado e ir atrás. No meu caso, eu acabei caindo involuntariamente na área de redação. Como tinha facilidade para escrever, fui levado para essa área. Nunca imaginei que seria redator. Eu estava iniciando o quinto período da faculdade e Fábio, da Base, que tinha sido meu professor de redação publicitária no 4º período, fez o convite para que eu estagiasse lá, durante 3 meses, como redator.
Cheguei sem saber nada, nunca tinha feito nada na área, sequer conhecia os processos duma agência. Nunca tinha visto um roteiro de spot ou feito um título. Acabei saindo de lá com a certeza de que sabia menos ainda, porque tive grandes profissionais ao meu lado e era evidente que ainda precisava estudar e viver muito para chegar perto de redatores como Valtércio, Vinícius e Mônica, na época, os três redatores da Base e que me ajudaram muito. Mas, com sorte e o apoio de toda a galera de lá, terminei o estágio da Base na sexta e, na segunda, já estava na Formato, o que foi muito importante para mim.
Lembro que, depois de Valtércio ter me indicado para a Formato, Ricardo, que é outro profissional sem comentários e era da Formato na época, pediu que eu fizesse alguns anúncios fantasmas, porque queria ver do que eu era capaz independente do meu portfólio (que era muito fraquinho). Como não sabia mexer nos softwares de edição de imagem, peguei várias revistas e comecei a cortar e colar. Fiz as montagens e adicionei os textos. Ficou uma pataquada, tudo sujo de cola e parecendo um trabalho de pré-escola. Mas, graças a Deus e a Ricardo, que enxergou em mim uma possibilidade, entrei. Fiquei um ano e meio na Formato, uma agência pela qual tenho um carinho enorme e onde eu aprendi muito do que eu nada sei. Depois, André (Britto) me chamou para a Comunicação Up, que tava acabando de nascer, tinha um perfil sensacional e que, desde então, não parou de crescer (Fabinho, olhe a nota mental para o dia 31 hehe). Em outubro, completo dois anos de Up e já estou começando a pensar no próximo lanche que vou ter que pagar.
2) Geralmente, quando o estudante começa a cursar Publicidade, a única área que ele tem em mente é a criação, especificamente, direção de arte. No decorrer do curso, ele começa a conhecer outras áreas. Foi assim com você também? Você sempre teve em mente redação?
Na verdade, acho que muitos dos estudantes, assim como eu fui, entram na faculdade sem muitas informações a respeito do curso. Não que eu tenha escolhido Publicidade aleatoriamente. Escolhi porque era o único curso que tinha um perfil parecido com o meu. Mas existem muitos mitos sobre a nossa profissão, ideias distorcidas e coisas que você só descobre quando entra em contato com a área. Muita gente ainda acredita que publicidade é ser criativo. De fato, é. Mas para ser criativo, ou melhor, para que a sua criatividade funcione, é necessário informação. Criatividade sem informação, respaldo ou conteúdo é como a beleza pela beleza: vazia. Às vezes, dá certo, mas é exceção e não regra. E essa noção você não encontra nem na faculdade, mas no dia a dia da profissão, nas agências, nos departamentos de marketing e nas empresas que trabalham com comunicação. Nunca parei e profetizei que seria redator. Fui levado. Hoje sou redator, mas sei que não serei para sempre. Quero conhecer outras áreas. A grande graça da publicidade é justamente isso: ter a liberdade de viver várias experiências, de fazer várias coisas e ter inúmeras possibilidades em qualquer área.
3) Comentamos na entrevista anterior que as referências, hoje, são tudo na Publicidade. Através de filmes, músicas, histórias etc., é que se encontram boas ideias e bons filmes publicitários. Em relação à Redação, é assim também ou basta saber escrever bem para ser um bom redator?
Tenho para mim que referência é importante em qualquer área, não só em Publicidade. Até como ser humano, é imprescindível que você observe bons exemplos e tente adaptá-los à sua realidade e ao seu contexto. Acredito ainda que existem redatores muito bons que não sabem escrever bem e redatores que escrevem muito bem e não são tão bons. Em Publicidade, o que conta é a ideia e a ideia surge sem hora marcada, vinda de um repertório próprio. Se você não treinar sua mente e seu olhar para construir um repertório variado, rico em informações e amplo no sentido das fontes, fica muito difícil ter ideias, principalmente as boas. E uma coisa fundamental nisso é tentar se afastar ao máximo de preconceitos. Não existe nada pior para um publicitário do que preconceito. Stefhany é considerada brega por muitos, mas é um fenômeno inegável e reflete um contexto que agrega um público específico, uma realidade própria, um target etc. Negando isso, você perde oportunidades. Mente restrita, em Publicidade, não funciona.
4) Sempre há uma “briguinha” entre Redator x Diretor de Arte na hora de criar uma peça. O redator sempre quer o texto em evidência, bem espaçado, com títulos grandes etc. Já o diretor de arte prefere que a foto do anúncio ganhe destaque, os títulos precisam ser curtinhos para não quebrar o layout e a fonte com boa legibilidade, mas não tão grande. É justamente o equilíbrio desses fatores que faz um bom anúncio?
É alguma indireta? (hehe) Não acho que exista tanto essa “briguinha”. Pelo menos, para mim, nunca houve. Não posso reclamar das minhas duplas ao longo desses 3 anos e pouquinho de redator. Apesar de já ter “duplado” com todos os diretores de arte das agências que passei, os com quem eu mais trabalhei eram conscientes de que esse equilíbrio é essencial, porque o que importa é que a peça comunique o que precisa ser comunicado. Na Formato, minha principal dupla era Hugo Giovani, outro cara com quem eu aprendi muito. Um diretor de arte dos bons que não só aceitava minhas críticas, como também sugeria e apontava os erros dos meus textos. Já na Up, encontrei um tal de Galileu Nogueira, que acabou virando minha dupla por pura afinidade. Não sei se vocês o conhecem, mas ele é um deslumbradinho com Lady Gaga, Apple, tecnologia e, acreditem, internet com quem eu tenho o prazer diário de discutir jobs. Ambos sempre me ajudaram muito na hora de criar e sem o apoio deles eu não teria uma peça no portfólio. Para uma dupla funcionar, é necessária cumplicidade, sintonia nos pensamentos, afinidade mesmo. Isso ajuda muito a definir um bom anúncio.
5) Para ser um bom profissional de criação hoje é necessário saber muito mais do que a sua própria área. Como já foi dito em uma entrevista anterior, um redator precisa entender de planejamento, de mídia, atendimento etc. para elaborar estratégias criativas. Em sua opinião, até que ponto é preciso saber de tudo?
Um profissional se destaca quando conhece um pouco de outras áreas diferentes da sua. Da mesma forma que é importante estar ligado no que acontece de novo, nas tendências e em tudo que aparece de novidade. Enfim, a velha história. No caso da Publicidade, conhecer outras áreas é ainda mais valioso, porque permite que você enfrente os desafios que aparecem no dia a dia com mais rapidez, notando detalhes que podem fazer a diferença no resultado final. Inclusive porque um anúncio, por exemplo, não é feito só de criação. Talvez seja a melhor peça do mundo, mas acabe se perdendo em uma mídia que não é adequada ou apareça no meio de um planejamento que não tem nada a ver. Hoje os departamentos de uma agência estão cada vez mais misturados e é necessário estar preparado para essas transformações. Obviamente, especializar-se na área que você gosta ou tem mais afinidade é imprescindível também. O que não pode acontecer é deixar de observar as áreas que, inevitavelmente, rodeiam a sua.
6) É comum ouvir que o cliente pediu algo “inovador”, “criativo” e diferente de tudo o que já foi feito, mas nem sempre ele está tão aberto a essas ideias inovadoras, seja por falta de verba, visão ou algum outro fator. O que é preciso então: seguir o seu instinto criativo e sugerir independentemente de reprovação ou colocar os pés no chão e fazer algo mais “normal”?
É necessário o equilíbrio entre uma coisa e outra. Você não pode viver dando murro em ponta de faca, mas também não pode deixar a criatividade fora do processo. O que importa é saber sair dessas situações, que infelizmente acontecem com mais frequência do que deveriam acontecer. Nesse tipo de situação, conta muito também avaliar o que você tem nas mãos. Talvez o briefing sugira que a criação deve ter a melhor ideia de todos os tempos. Mas, se no lugar do prazo você tiver a palavra “inexistente”, vai ser quase impossível sair algo surpreendente. Boas ideias não têm hora marcada para acontecer, mas é muito pouco provável que ela apareça no meio dum braistorm de 5 minutos. Ou você potencializa seu tempo para criar algo funcional para atender o problema do cliente, ou você vai gastar todo o seu tempo para tentar reinventar a roda e nada vai sair. Às vezes, acontece. Porém é muito mais difícil. Então o que vale é misturar o seu instinto criativo com a ideia que vai solucionar o problema. Mas de vez em quando, bote para fora sua criatividade. Se o cliente não permitir, faça peças fantasmas ou reúna os amigos e rode um filme de serial killer com o título de “O Assassino do Churros”.
7) Sempre fazemos essa pergunta nas entrevistas: O que você diria para aqueles que querem começar uma carreira como redator? O que é preciso?
É preciso coragem. O dia a dia de uma agência exige muito de qualquer profissional. Se você não tiver preparado para uma sexta-feira à tarde com milhares de anúncios para sair, atendimento falando no ouvido do seu diretor de criação e a mídia fazendo terrorismo que o jornal não vai aceitar mais os ADs, “danou-se”. Então, prepare o seu coração. Tem seu lado bom que, com certeza, supera todos os outros. Mas nem sempre é fácil. Não existe lugar mais divertido do que uma agência, principalmente se o diretor de arte ao seu lado começa a surtar ou seu chefe entra cantando “chupa que é de uva”. Para quem quer começar, os conselhos são simples: estude, observe e viva. Estude não só o que a faculdade ensina, mas procure coisas sobre psicologia, física quântica e culinária. Observe o mundo e os caras que você mais admira, mas, principalmente, observe aquilo que você odeia. Isso vai lhe dar uma noção ideal de que o mundo é feito por pessoas e coisas diferentes. E você vai precisar conviver com isso até morrer. Depois, viva as experiências que a vida lhe proporciona (calma, não estou falando aqui de ficar louco com entorpecentes ou sair fazendo sexo com a primeira pessoa que passar). Um fim de tarde, uma música, uma situação inusitada, tudo isso é uma excelente oportunidade para você ter boas ideias, sem obrigação alguma. Por último, “meta os peitos”, enfie a cara e não tenha medo de levar não ou de errar. A tentativa sempre vale a pena, porque é através dela que você consegue alcançar o que quer que seja.
8 ) Indique 5 sites que todo bom redator precisa ter como referência.
Eu sou meio do contra quando ouço alguém dizer “ahhh, você precisa conhecer isso” ou “você vive em que mundo para não saber do que eu estou falando?”. Eu acredito que tudo pode ser uma boa referência, desde um panfleto trash que você encontrou no chão até a belíssima obra de Mozart ou qualquer fulaninho dessa galera. Não vou indicar 5 sites que todo redator “precisa”, inexoravelmente, ter como referência, mas 5 sites que eu gosto de olhar de vez em quando. Inclusive acho que mais importante do que olhar algum site todos os dias é você ver o sol nascer de vez em quando. Mas enfim. Aí vão algumas sugestões.
- www.tatibernardi.com.br / www.amenidadespormariacaroline.blogspot.com – Essas duas mulheres escrevem muito. Às vezes, ninguém entende nada do que elas falam ou querem, mas são uma excelente referência.
- www.corbis.com.br – Sempre vale muito a pena consultar um banco de imagens e ficar imaginando coisas a respeito de cada uma delas. Um ótimo exercício.
- www.globo.com / www.uol.com.br – Sites de notícias são muito importantes para ficar sabendo do que acontece por aí, mesmo que seja sobre o panda albino que nasceu na Indonésia. Informação vale muito.
- www.brainstorm9.com.br / www.johnniewalkerblacklabel.com.br / http://www.voxnews.com.br/ – Sites com conteúdo publicitário, de agências ou mesmo de ações são interessantes. Apesar de nem sempre serem as melhores referências, servem para saber o que anda sendo feito por aí.
- www.comunicacaoup.com.br – Óbvio, não é? Além de ser, de fato, uma excelente referência, vai me garantir uma nota mental para o final do mês (não é Fabinho? Hehe).
Você pode tirar dúvidas diretamente com Antonio através das mídias sociais:
Ainda está com dúvidas em qual área você quer trabalhar? Aproveite e leia:
- Entrevista #01 com Alex Spirro – Diretor de Arte
- Entrevista #02 com Matheus Mangaba – Área de Marketing
- Entrevista #03 – André Angello – Produtor de Comunicação
1) Como você vê o mercado local de Redação? Há muitas vagas? Há demanda de novos redatores? Conte como foi sua experiência para entrar no mercado.
Acredito que o mercado local, vez ou outra, precisa de profissionais de criação, principalmente redatores. Com a crise e as incertezas do período, complicou um pouco, mas está começando a melhorar. Sempre surgem vagas, basta ficar ligado e ir atrás. No meu caso, eu acabei caindo involuntariamente na área de redação. Como tinha facilidade para escrever, fui levado para essa área. Nunca imaginei que seria redator. Eu estava iniciando o quinto período da faculdade e Fábio, da Base, que tinha sido meu professor de redação publicitária no 4º período, fez o convite para que eu estagiasse lá, durante 3 meses, como redator. Cheguei sem saber nada, nunca tinha feito nada na área, sequer conhecia os processos duma agência. Nunca tinha visto um roteiro de spot ou feito um título. Acabei saindo de lá com a certeza de que sabia menos ainda, porque tive grandes profissionais ao meu lado e era evidente que ainda precisava estudar e viver muito para chegar perto de redatores, como Valtércio, Vinícius e Mônica, na época, os três redatores da Base e que me ajudaram muito. Mas, com sorte e o apoio de toda a galera de lá, terminei o estágio da Base na sexta e, na segunda, já estava na Formato, o que foi muito importante para mim. Lembro que, depois de Valtércio ter me indicado para a Formato, Ricardo, que é outro profissional sem comentários e era da Formato na época, pediu que eu fizesse alguns anúncios fantasmas, porque queria ver do que eu era capaz independente do meu portfólio (que era muito fraquinho). Como não sabia mexer nos softwares de edição de imagem, peguei várias revistas e comecei a cortar e colar. Fiz as montagens e adicionei os textos. Ficou uma pataquada, tudo sujo de cola e parecendo um trabalho de pré-escola. Mas, graças a Deus e a Ricardo, que enxergou em mim uma possibilidade, entrei. Fiquei um ano e meio na Formato, uma agência pela qual tenho um carinho enorme e onde eu aprendi muito do que eu nada sei. Depois, André (Britto) me chamou para a Comunicação Up, que tava acabando de nascer, tinha um perfil sensacional e que, desde então, não parou de crescer (Fabinho, olhe a nota mental para o dia 31 hehe). Em outubro, completo dois anos de Up e já estou começando a pensar no próximo lanche que vou ter que pagar.
2) Geralmente, quando o estudante começa a cursar Publicidade, a única área que ele tem em mente é a criação, especificamente, direção de arte. No decorrer do curso, ele começa a conhecer outras áreas. Foi assim com você também? Você sempre teve em mente redação?
Na verdade, acho que muitos dos estudantes, assim como eu fui, entram na faculdade sem muitas informações a respeito do curso. Não que eu tenha escolhido Publicidade aleatoriamente. Escolhi porque era o único curso que tinha um perfil parecido com o meu. Mas existem muitos mitos sobre a nossa profissão, ideias distorcidas e coisas que você só descobre quando entra em contato com a área. Muita gente ainda acredita que publicidade é ser criativo. De fato, é. Mas para ser criativo, ou melhor, para que a sua criatividade funcione, é necessário informação. Criatividade sem informação, respaldo ou conteúdo é como a beleza pela beleza: vazia. Às vezes, dá certo, mas é exceção e não regra. E essa noção você não encontra nem na faculdade, mas no dia a dia da profissão, nas agências, nos departamentos de marketing e nas empresas que trabalham com comunicação. Nunca parei e profetizei que seria redator. Fui levado. Hoje sou redator, mas sei que não serei para sempre. Quero conhecer outras áreas. A grande graça da publicidade é justamente isso: ter a liberdade de viver várias experiências, de fazer várias coisas e ter inúmeras possibilidades em qualquer área.
3) Comentamos na entrevista anterior que as referências, hoje, são tudo na Publicidade. Através de filmes, músicas, histórias etc., é que se encontram boas ideias e bons filmes publicitários. Em relação à Redação, é assim também ou basta saber escrever bem para ser um bom redator?
Tenho para mim que referência é importante em qualquer área, não só em Publicidade. Até como ser humano, é imprescindível que você observe bons exemplos e tente adaptá-los à sua realidade e ao seu contexto. Acredito ainda que existem redatores muito bons que não sabem escrever bem e redatores que escrevem muito bem e não são tão bons. Em Publicidade, o que conta é a ideia e a ideia surge sem hora marcada, vinda de um repertório próprio. Se você não treinar sua mente e seu olhar para construir um repertório variado, rico em informações e amplo no sentido das fontes, fica muito difícil ter ideias, principalmente as boas. E uma coisa fundamental nisso é tentar se afastar ao máximo de preconceitos. Não existe nada pior para um publicitário do que preconceito. Stefhany é considerada brega por muitos, mas é um fenômeno inegável e reflete um contexto que agrega um público específico, uma realidade própria, um target etc. Negando isso, você perde oportunidades. Mente restrita, em Publicidade, não funciona.
4) Sempre há uma “briguinha” entre Redator x Diretor de Arte na hora de criar uma peça. O redator sempre quer o texto em evidência, bem espaçado, com títulos grandes etc. Já o diretor de arte prefere que a foto do anúncio ganhe destaque, os títulos precisam ser curtinhos para não quebrar o layout e a fonte com boa legibilidade, mas não tão grande. É justamente o equilíbrio desses fatores que faz um bom anúncio?
É alguma indireta? (hehe) Não acho que exista tanto essa “briguinha”. Pelo menos, para mim, nunca houve. Não posso reclamar das minhas duplas ao longo desses 3 anos e pouquinho de redator. Apesar de já ter “duplado” com todos os diretores de arte das agências que passei, os com quem eu mais trabalhei eram conscientes de que esse equilíbrio é essencial, porque o que importa é que a peça comunique o que precisa ser comunicado. Na Formato, minha principal dupla era Hugo Giovani, outro cara com quem eu aprendi muito. Um diretor de arte dos bons que não só aceitava minhas críticas, como também sugeria e apontava os erros dos meus textos. Já na Up, encontrei um tal de Galileu Nogueira que acabou virando minha dupla por pura afinidade. Não sei se vocês o conhecem, mas ele é um deslumbradinho com Lady Gaga, Apple, tecnologia e, acreditem, internet com quem eu tenho o prazer diário de discutir jobs. Ambos sempre me ajudaram muito na hora de criar e sem o apoio deles eu não teria uma peça no portfólio. Para uma dupla funcionar, é necessária cumplicidade, sintonia nos pensamentos, afinidade mesmo. Isso ajuda muito a definir um bom anúncio.
5) Para ser um bom profissional de criação hoje é necessário saber muito mais do que a sua própria área. Como já foi dito em uma entrevista anterior, um redator precisa entender de planejamento, de mídia, atendimento etc. para elaborar estratégias criativas. Em sua opinião, até que ponto é preciso saber de tudo?
Um profissional se destaca quando conhece um pouco de outras áreas diferentes da sua. Da mesma forma que é importante estar ligado no que acontece de novo, nas tendências e em tudo que aparece de novidade. Enfim, a velha história. No caso da Publicidade, conhecer outras áreas é ainda mais valioso, porque permite que você enfrente os desafios que aparecem no dia a dia com mais rapidez, notando detalhes que podem fazer a diferença no resultado final. Inclusive porque um anúncio, por exemplo, não é feito só de criação. Talvez seja a melhor peça do mundo, mas acabe se perdendo em uma mídia que não é adequada ou apareça no meio de um planejamento que não tem nada a ver. Hoje os departamentos de uma agência estão cada vez mais misturados e é necessário estar preparado para essas transformações. Obviamente, especializar-se na área que você gosta ou tem mais afinidade é imprescindível também. O que não pode acontecer é deixar de observar as áreas que, inevitavelmente, rodeiam a sua.
6) É comum ouvir que o cliente pediu algo “inovador”, “criativo” e diferente de tudo o que já foi feito, mas nem sempre ele está tão aberto a essas ideias inovadoras, seja por falta de verba, visão ou algum outro fator. O que é preciso então: seguir o seu instinto criativo e sugerir independentemente de reprovação ou colocar os pés no chão e fazer algo mais “normal”?
É necessário o equilíbrio entre uma coisa e outra. Você não pode viver dando murro em ponta de faca, mas também não pode deixar a criatividade fora do processo. O que importa é saber sair dessas situações, que acontecem com mais frequência do que deveriam acontecer, infelizmente, com, mais uma vez, criatividade. Nesse tipo de situação, conta muito também avaliar o que você tem nas mãos. Talvez o briefing sugira que a criação deve ter a melhor ideia de todos os tempos. Mas, se no lugar do prazo você tiver a palavra “inexistente”, vai ser quase impossível sair algo surpreendente. Boas ideias não têm hora marcada para acontecer, mas é muito pouco provável que ela apareça no meio dum braistorm de 5 minutos. Ou você potencializa seu tempo para criar algo funcional para atender o problema do cliente, ou você vai gastar todo o seu tempo para tentar reinventar a roda e nada vai sair. Às vezes, acontece. Porém é muito mais difícil. Então o que vale é misturar o seu instinto criativo com a ideia que vai solucionar o problema. Mas de vez em quando, bote para fora sua criatividade. Se o cliente não permitir, faça peças fantasmas ou reúna os amigos e rode um filme de serial killer com o título de “O Assassino do Churros”.
7) Sempre fazemos essa pergunta nas entrevistas: O que você diria para aqueles que querem começar uma carreira como redator? O que é preciso?
É preciso coragem. O dia a dia de uma agência exige muito de qualquer profissional. Se você não tiver preparado para uma sexta-feira à tarde com milhares de anúncios para sair, atendimento falando no ouvido do seu diretor de criação e a mídia fazendo terrorismo que o jornal não vai aceitar mais os ADs, “danou-se”. Então, prepare o seu coração. Tem seu lado bom que, com certeza, supera todos os outros. Mas nem sempre é fácil. Não existe lugar mais divertido do que uma agência, principalmente se o diretor de arte ao seu lado começa a surtar ou seu chefe entra cantando “chupa que é de uva”. Para quem quer começar, os conselhos são simples: estude, observe e viva. Estude não só o que a faculdade ensina, mas procure coisas sobre psicologia, física quântica e culinária. Observe o mundo e os caras que você mais admira, mas, principalmente, observe aquilo que você odeia. Isso vai lhe dar uma noção ideal de que o mundo é feito por pessoas e coisas diferentes. E você vai precisar conviver com isso até morrer. Depois, viva as experiências que a vida lhe proporciona (calma, não estou falando aqui de ficar louco com entorpecentes ou sair fazendo sexo com a primeira pessoa que passar). Um fim de tarde, uma música, uma situação inusitada, tudo isso é uma excelente oportunidade para você ter boas ideias, sem obrigação alguma. Por último, “meta os peitos”, enfie a cara e não tenha medo de levar não ou de errar. A tentativa sempre vale a pena, porque é através dela que você consegue alcançar o que quer que seja.
Indique 5 sites que todo bom redator precisa ter como referência.
Eu sou meio do contra quando ouço alguém dizer “ahhh, você precisa conhecer isso” ou “você vive em que mundo para não saber do que eu estou falando?”. Eu acredito que tudo pode ser uma boa referência, desde um panfleto trash que você encontrou no chão até a belíssima obra de Mozart ou qualquer fulaninho dessa galera. Não vou indicar 5 sites que todo redator “precisa”, inexoravelmente, ter como referência, mas 5 sites que eu gosto de olhar de vez em quando. Inclusive acho que mais importante do que olhar algum site todos os dias é você ver o sol nascer de vez em quando. Mas enfim. Aí vão algumas sugestões.
- www.tatibernardi.com.br / www.amenidadespormariacaroline.blogspot.com – Essas duas mulheres escrevem muito. Às vezes, ninguém entende nada do que elas falam ou querem, mas são uma excelente referência.
- www.corbis.com.br – Sempre vale muito a pena consultar um banco de imagens e ficar imaginando coisas a respeito de cada uma delas. Um ótimo exercício.
- www.globo.com / www.uol.com.br – Sites de notícias são muito importantes para ficar sabendo do que acontece por aí, mesmo que seja sobre o panda albino que nasceu na Indonésia. Informação vale muito.
- www.brainstorm9.com.br / www.johnniewalkerblacklabel.com.br / www.ccsp.com.br – Sites com conteúdo publicitário, de agências ou mesmo de ações são interessantes. Apesar de nem sempre serem as melhores referências, servem para saber o que anda sendo feito por aí.
- www.comunicacaoup.com.br – Óbvio, não é? Além de ser, de fato, uma excelente referência, vai me garantir uma nota mental para o final do mês (não é Fabinho? Hehe).







