Entrevista #03 – André Angello – Produtor de Comunicação

Dando continuidade a série de entrevistas e depois de um diretor de arte e um estagiário de Marketing, chegou a hora de entrevistar um Produtor de comunicação, mais uma função que pode ser desempenhada por um publicitário.

andreangello

O entrevistado de hoje é André Angello,  integrante do Núcleo de Marketing da Secretaria de Comunicação Social do Governo do Estado de Sergipe. Já trabalhou por quase uma ano como produtor RTVC da agência Comunicação UP, atuou como free lancer para a maioria das agências de publicidade em  Sergipe como produtor de platô e executivo e também passou pelos  núcleos de Marketing do Shopping Riomar, SENAC e Banco de investimentos Icatu Hartford. É formado em Publicidade e Propaganda pela UNIT 2003/2, especializado latu sensu em Cinema pela Universidade de Tuiutí do Paraná e mestrando em linguagens da comunicação.

1) Como você vê o mercado de produtores aqui em Aracaju? É um mercado novo?

Eu vejo com uma lupa de aumento. Não é um mercado novo, é um mercado retardado, ou seja, deveria estar bem mais a frente pelo tempo que existe. A primeira palavra que me vem em mente é carência, mas posso associar vários outros adjetivos para a produção de comunicação publicitária em Aracaju.Imaturidade, falta de compromisso, desvalorização, má remuneração.

E se tratando dos profissionais, são quase micos leões dourados, isso generalizando, porque se partirmos para o quesito profissionais com qualidade, o mercado é praticamente um mamute! Percebo que a grande culpa disso vem de “cima”. Muitas agências e produtoras não tem a visão de que produtor é a parte fundamental no processo de produção e desenvolvimento do projeto, e contratam qualquer pessoa que se diz produtor, simplesmente porque cobra mais barato.

É o barato que sai caro. Produtor é o elo entre todas as partes de uma produção, ou pelo menos deveria ser. A própria nomenclatura já denuncia (produção – produtor). A parte criativa (agência), que deveria ter um contato direto com os produtores, na maioria das vezes deixa esse contato sobre a responsabilidade do fotógrafo ou da produtora de vídeos, que em sua grande parte acha que a função do produtor é providenciar lanchinho para a equipe e não percebem (ou fingem não perceber) que toda a logística e funcionamento do projeto é feita pelo produtor em parceria com os outros núcleos.

Daí, o pseudo fotógrafo publicitário ou produtora de vídeo, quer escolher roupa, modelo, locação, contratos de uso de imagem, pagamentos e por aí vai. Infelizmente é uma característica geral em nosso mercado e não só na produção. As fronteiras não são devidamente delimitadas e aí o redator publicitário vai acompanhar produção de foto, diretor acha que produtor é assistente de direção, motorista faz às vezes de iluminador e vira um verdadeiro projeto comunitário, onde todo mundo faz um pouco de tudo e ninguém faz o seu direito.

2) Há um tempo foi publicado no blog um post chamado “Referências. Elas realmente são tudo.” Você como produtor de comunicação considera que as referências hoje, são mais do que necessárias para um bom filme publicitário?

Acredito que as referências são fundamentais. Acredito também que elas são inerentes à percepção das pessoas. Muitas vezes as pessoas “criam” campanhas publicitárias ou soluções de mercado com base em referências que o subconsciente armazena, o que também pode ser trazido para a vida pessoal.

Considero uma grande sacada de referência quando estamos conscientes de que estamos usando-as e conseguimos formar uma linguagem própria a partir delas. É o playmobil que só você tem! (risos). Trazendo para o campo da produção de comunicação publicitária, seja em uma produção de vt ou fotográfica, acredito que referências são indispensáveis. Um detalhe faz toda diferença e nem sempre é o que você faz, mas como você faz e isso definitivamente vem das referências, às vezes das mais inusitadas.

3) Nós sabemos que nem sempre bons filmes publicitários exigem produções com um custo elevado, mas sabemos também que se houver uma boa idéia e uma boa verba para a produção, o resultado será ainda melhor. É possível, em um mercado onde o investimento para produção de filmes publicitários é reduzida, conseguir fazer bons filmes?

Sim claro! Óbvio que na produção, assim como tudo na vida, com dinheiro se resolve mais fácil, porém como diz o prêmio:  “Nada substitui o talento!” Idéias super criativas geralmente são as mais simples e consequentemente são muito fáceis e baratas para produzir. Um bom exemplo é o da SuperTintas com a mão saindo da lata. Prático, barato e deu muito que falar. Foi até para o CCSP! Pena que esqueceram de dar o crédito que cabia ao produtor no CCSP. (risos).

4) Nas área de produção publicitária existem algumas opções como: RTVC, gráfico e de platô. Por que você escolheu RTVC?

Na realidade eu já passei por todos os processos de produção na publicidade: RTVC, gráfico e de platô, então não me defino como RTVC. Acredito que estou mais na linha de Comunicação, ou seja, caiu na rede é peixe! (risos). Gosto muito de todas as áreas, mas talvez tenha uma quedinha maior por RTVC, apesar de estar atualmente trabalhando do outro lado do “jogo”. Minha maior atração talvez seja porque é a área que tem mais controle diante de todo o processo de produção, que sabe tudo o que está acontecendo, quanto custa, quando vai acontecer a produção, quando será veiculada e por aí vai.


5) Um produtor só trabalha em agência? Em quais outros mercados ele pode atuar também?

Não. Existem vários tipos de produtor. Tratando-se de Publicidade, dentro de agência existem duas vertentes: Produtor RTVC e Produtor Gráfico. O RTVC cuida dos VTs, spots, jingles e todo processo técnico e burocrático que envolve esse material. Já o Produtor Gráfico cuida de toda parte de comunicação impressa: outdoor, panfletos, faixas, banners, etc e também da parte burocrática.

Fora de agência, o Produtor de Publicidade é chamado de Produtor de Platô, que é quem cuida das especificidades de produção de vídeos, fotos e eventos, mais precisamente em campo, ou seja, em estúdio ou locação. O produtor de Comunicação Publicitária é o profissional que engloba todas essas características e está apto a trabalhar em qualquer uma dessas áreas.

6) Eles estão começando, chegando agora e querendo entrar no mercado. O que você pode dizer para àqueles estudantes que se identificaram com a área e querem começar? O que eles precisam fazer? É difícil de entrar? Conte-nos como foi a sua experiência.

Comecei a trabalhar com produção quando eu estudava cinema em Curitiba e quando voltei para Aracaju, dei continuidade ao trabalho de produção no mercado local. Cada mercado tem uma realidade diferente, mas acredito que quando uma pessoa resolve ser um profissional e se dedica no que faz, consegue se desenvolver no mercado. É claro que aptidão também é fundamental e cabe a cada um perceber a sua. Tem muito talento desperdiçado por aí, atuando em áreas erradas.

Acredito que se houver gente com aptidão, interessada em fazer um bom trabalho de produção e dedicar-se verdadeiramente a isso, é possível entrar sim no mercado e fazer diferença. Lutar com embasamento coerente pelo que se acredita e praticar o que defende é sem dúvidas deixar sua marca no mercado. É claro que um profissional com esse perfil nem sempre é bem querido, pois ele vem para derrubar o bonitinho, mas ordinário castelinho de areia. E nessa estorinha dos três porquinhos, adivinhe quem é o lobo mau? (risos).

7) Pra finalizar, quais dicas de sites/blogs você pode indicar como “essenciais para todos os produtores”.?

Os de referências são sempre um tesouro como o YouTube e, por incrível que pareça, as redes sociais como: Twitter (a mais nova modinha dos publicitários de Aracaju) e Orkut. Lá encontramos máximas pérolas, inclusive acadêmicas, é só procurar direitinho. Não podemos esquecer do CCSP. Sempre!

8) Portfólio

Além do vídeo da SuperTintas (lá em cima), André também produziu esse aqui:

Ainda ficou com dúvidas? Converse com André Angello usando:

Mais uma vez eu quero agradecer a todos os leitores e ao entrevistado (é lógico) – O Prontofalei pede desculpas por não ter postado a entrevista ontem. Algumas dificuldades foram encontradas durante o processo, mas já foram contornadas.

Se você não leu as outras entrevistas, aproveite para ler:

5 Comentários to “Entrevista #03 – André Angello – Produtor de Comunicação”

  1. ROB  on agosto 12th, 2009

    Tá faltando um redator, e um entrevista com um estudante, p vê o q eles esperam da área.

  2. Thássius V'  on agosto 13th, 2009

    Gostei da entrevista. E, inclusive, ela me causou uma dúvida: só publicitários podem ser produtores de Comunicação? Jornalistas não podem sê-lo?

  3. André Angello  on agosto 13th, 2009

    Thássius, por via de regra não deveriam, mas como tem gente que nem faculdade fez e está nessa área… então jornalistas podem sim! Inclusive uma das poucas e melhores produtoras de Aracaju nem é formada e muito menos passou perto de uma faculdade de publicidade, já outras que tem diploma… melhor nem comentar.

  4. Kael  on agosto 15th, 2009

    Essa série de entrevistas tá muito legal, mas tô esperando entrevista com o atendimento ou com redator. Quero saber como andam os briefs :]

  5. Entrevista #04 – Antonio Paulo – Redator | Prontofalei | Direção de Arte, Publicidade, Ações Promocionais e Marketing  on agosto 25th, 2009

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