Dove realizou evento de lançamento das Loções Dove Cream Oil na sede da Unilever, em São Paulo. Mais que um evento de imprensa e mídia, a ação destinou-se para as consumidoras, que conheceram a empresa e contaram sua percepção sobre o produto.
Além do evento, o lançamento estende-se para revista, Internet e um concurso cultural. A agência responsável pela campanha foi a Ogilvy, que inovou utilizando ferramenta em mídia social, em que os internautas podem interagir.
Apesar de ser uma ação “comum” (junto às consumidoras) vale a pena assistir o vídeo-case todo para perceber o cuidado tomado pela Unilever. Além disso, o fato de levar as consumidoras para a própria sede da empresa para o evento também foi um ponto em que eu achei interessante pelo fato de desmistificar quem é essa gigante por trás das marcas.
Depois de vários comentários dos leitores pedindo uma pessoa da área de Redação, o Prontofalei traz hoje a entrevista com Antonio Paulo, redator da Comunicação UP. Tony ou Antônio é mais do que meu “dupla” aqui na agência, é um amigo que Deus colocou em minha vida. Praticamente meu portfólio todo foi feito com ele. Desde o meu começo por aqui, eu me identifiquei muito com ele, tivemos muita afinidade. Nossos pensamentos são próximos e as ideias sempre fluiram rapidamente, o que o tornou meu dupla meio que oficial. Gosto bastante das referências que ele tem e o do seu repertório e acho que é por isso que me identifico tanto.
Antonio Paulo tem 23 anos e é redator da Comunicação Up. Já estagiou na Base Propaganda e foi redator da Formato Propaganda. Formado em Publicidade e Propaganda há um ano e meio pela Unit. Cursou Jornalismo na UFS, mas ainda não concluiu.
1) Como você vê o mercado local de Redação? Há muitas vagas? Há demanda de novos redatores? Conte como foi sua experiência para entrar no mercado.
Acredito que o mercado local, vez ou outra, precisa de profissionais de criação, principalmente redatores. Com a crise e as incertezas do período, complicou um pouco, mas está começando a melhorar. Sempre surgem vagas, basta ficar ligado e ir atrás. No meu caso, eu acabei caindo involuntariamente na área de redação. Como tinha facilidade para escrever, fui levado para essa área. Nunca imaginei que seria redator. Eu estava iniciando o quinto período da faculdade e Fábio, da Base, que tinha sido meu professor de redação publicitária no 4º período, fez o convite para que eu estagiasse lá, durante 3 meses, como redator.
Cheguei sem saber nada, nunca tinha feito nada na área, sequer conhecia os processos duma agência. Nunca tinha visto um roteiro de spot ou feito um título. Acabei saindo de lá com a certeza de que sabia menos ainda, porque tive grandes profissionais ao meu lado e era evidente que ainda precisava estudar e viver muito para chegar perto de redatores como Valtércio, Vinícius e Mônica, na época, os três redatores da Base e que me ajudaram muito. Mas, com sorte e o apoio de toda a galera de lá, terminei o estágio da Base na sexta e, na segunda, já estava na Formato, o que foi muito importante para mim.
Lembro que, depois de Valtércio ter me indicado para a Formato, Ricardo, que é outro profissional sem comentários e era da Formato na época, pediu que eu fizesse alguns anúncios fantasmas, porque queria ver do que eu era capaz independente do meu portfólio (que era muito fraquinho). Como não sabia mexer nos softwares de edição de imagem, peguei várias revistas e comecei a cortar e colar. Fiz as montagens e adicionei os textos. Ficou uma pataquada, tudo sujo de cola e parecendo um trabalho de pré-escola. Mas, graças a Deus e a Ricardo, que enxergou em mim uma possibilidade, entrei. Fiquei um ano e meio na Formato, uma agência pela qual tenho um carinho enorme e onde eu aprendi muito do que eu nada sei. Depois, André (Britto) me chamou para a Comunicação Up, que tava acabando de nascer, tinha um perfil sensacional e que, desde então, não parou de crescer (Fabinho, olhe a nota mental para o dia 31 hehe). Em outubro, completo dois anos de Up e já estou começando a pensar no próximo lanche que vou ter que pagar.
2) Geralmente, quando o estudante começa a cursar Publicidade, a única área que ele tem em mente é a criação, especificamente, direção de arte. No decorrer do curso, ele começa a conhecer outras áreas. Foi assim com você também? Você sempre teve em mente redação?
Na verdade, acho que muitos dos estudantes, assim como eu fui, entram na faculdade sem muitas informações a respeito do curso. Não que eu tenha escolhido Publicidade aleatoriamente. Escolhi porque era o único curso que tinha um perfil parecido com o meu. Mas existem muitos mitos sobre a nossa profissão, ideias distorcidas e coisas que você só descobre quando entra em contato com a área. Muita gente ainda acredita que publicidade é ser criativo. De fato, é. Mas para ser criativo, ou melhor, para que a sua criatividade funcione, é necessário informação. Criatividade sem informação, respaldo ou conteúdo é como a beleza pela beleza: vazia. Às vezes, dá certo, mas é exceção e não regra. E essa noção você não encontra nem na faculdade, mas no dia a dia da profissão, nas agências, nos departamentos de marketing e nas empresas que trabalham com comunicação. Nunca parei e profetizei que seria redator. Fui levado. Hoje sou redator, mas sei que não serei para sempre. Quero conhecer outras áreas. A grande graça da publicidade é justamente isso: ter a liberdade de viver várias experiências, de fazer várias coisas e ter inúmeras possibilidades em qualquer área.
3) Comentamos na entrevista anterior que as referências, hoje, são tudo na Publicidade. Através de filmes, músicas, histórias etc., é que se encontram boas ideias e bons filmes publicitários. Em relação à Redação, é assim também ou basta saber escrever bem para ser um bom redator?
Tenho para mim que referência é importante em qualquer área, não só em Publicidade. Até como ser humano, é imprescindível que você observe bons exemplos e tente adaptá-los à sua realidade e ao seu contexto. Acredito ainda que existem redatores muito bons que não sabem escrever bem e redatores que escrevem muito bem e não são tão bons. Em Publicidade, o que conta é a ideia e a ideia surge sem hora marcada, vinda de um repertório próprio. Se você não treinar sua mente e seu olhar para construir um repertório variado, rico em informações e amplo no sentido das fontes, fica muito difícil ter ideias, principalmente as boas. E uma coisa fundamental nisso é tentar se afastar ao máximo de preconceitos. Não existe nada pior para um publicitário do que preconceito. Stefhany é considerada brega por muitos, mas é um fenômeno inegável e reflete um contexto que agrega um público específico, uma realidade própria, um target etc. Negando isso, você perde oportunidades. Mente restrita, em Publicidade, não funciona.
4) Sempre há uma “briguinha” entre Redator x Diretor de Arte na hora de criar uma peça. O redator sempre quer o texto em evidência, bem espaçado, com títulos grandes etc. Já o diretor de arte prefere que a foto do anúncio ganhe destaque, os títulos precisam ser curtinhos para não quebrar o layout e a fonte com boa legibilidade, mas não tão grande. É justamente o equilíbrio desses fatores que faz um bom anúncio?
É alguma indireta? (hehe) Não acho que exista tanto essa “briguinha”. Pelo menos, para mim, nunca houve. Não posso reclamar das minhas duplas ao longo desses 3 anos e pouquinho de redator. Apesar de já ter “duplado” com todos os diretores de arte das agências que passei, os com quem eu mais trabalhei eram conscientes de que esse equilíbrio é essencial, porque o que importa é que a peça comunique o que precisa ser comunicado. Na Formato, minha principal dupla era Hugo Giovani, outro cara com quem eu aprendi muito. Um diretor de arte dos bons que não só aceitava minhas críticas, como também sugeria e apontava os erros dos meus textos. Já na Up, encontrei um tal de Galileu Nogueira, que acabou virando minha dupla por pura afinidade. Não sei se vocês o conhecem, mas ele é um deslumbradinho com Lady Gaga, Apple, tecnologia e, acreditem, internet com quem eu tenho o prazer diário de discutir jobs. Ambos sempre me ajudaram muito na hora de criar e sem o apoio deles eu não teria uma peça no portfólio. Para uma dupla funcionar, é necessária cumplicidade, sintonia nos pensamentos, afinidade mesmo. Isso ajuda muito a definir um bom anúncio.
5) Para ser um bom profissional de criação hoje é necessário saber muito mais do que a sua própria área. Como já foi dito em uma entrevista anterior, um redator precisa entender de planejamento, de mídia, atendimento etc. para elaborar estratégias criativas. Em sua opinião, até que ponto é preciso saber de tudo?
Um profissional se destaca quando conhece um pouco de outras áreas diferentes da sua. Da mesma forma que é importante estar ligado no que acontece de novo, nas tendências e em tudo que aparece de novidade. Enfim, a velha história. No caso da Publicidade, conhecer outras áreas é ainda mais valioso, porque permite que você enfrente os desafios que aparecem no dia a dia com mais rapidez, notando detalhes que podem fazer a diferença no resultado final. Inclusive porque um anúncio, por exemplo, não é feito só de criação. Talvez seja a melhor peça do mundo, mas acabe se perdendo em uma mídia que não é adequada ou apareça no meio de um planejamento que não tem nada a ver. Hoje os departamentos de uma agência estão cada vez mais misturados e é necessário estar preparado para essas transformações. Obviamente, especializar-se na área que você gosta ou tem mais afinidade é imprescindível também. O que não pode acontecer é deixar de observar as áreas que, inevitavelmente, rodeiam a sua.
6) É comum ouvir que o cliente pediu algo “inovador”, “criativo” e diferente de tudo o que já foi feito, mas nem sempre ele está tão aberto a essas ideias inovadoras, seja por falta de verba, visão ou algum outro fator. O que é preciso então: seguir o seu instinto criativo e sugerir independentemente de reprovação ou colocar os pés no chão e fazer algo mais “normal”?
É necessário o equilíbrio entre uma coisa e outra. Você não pode viver dando murro em ponta de faca, mas também não pode deixar a criatividade fora do processo. O que importa é saber sair dessas situações, que infelizmente acontecem com mais frequência do que deveriam acontecer. Nesse tipo de situação, conta muito também avaliar o que você tem nas mãos. Talvez o briefing sugira que a criação deve ter a melhor ideia de todos os tempos. Mas, se no lugar do prazo você tiver a palavra “inexistente”, vai ser quase impossível sair algo surpreendente. Boas ideias não têm hora marcada para acontecer, mas é muito pouco provável que ela apareça no meio dum braistorm de 5 minutos. Ou você potencializa seu tempo para criar algo funcional para atender o problema do cliente, ou você vai gastar todo o seu tempo para tentar reinventar a roda e nada vai sair. Às vezes, acontece. Porém é muito mais difícil. Então o que vale é misturar o seu instinto criativo com a ideia que vai solucionar o problema. Mas de vez em quando, bote para fora sua criatividade. Se o cliente não permitir, faça peças fantasmas ou reúna os amigos e rode um filme de serial killer com o título de “O Assassino do Churros”.
7) Sempre fazemos essa pergunta nas entrevistas: O que você diria para aqueles que querem começar uma carreira como redator? O que é preciso?
É preciso coragem. O dia a dia de uma agência exige muito de qualquer profissional. Se você não tiver preparado para uma sexta-feira à tarde com milhares de anúncios para sair, atendimento falando no ouvido do seu diretor de criação e a mídia fazendo terrorismo que o jornal não vai aceitar mais os ADs, “danou-se”. Então, prepare o seu coração. Tem seu lado bom que, com certeza, supera todos os outros. Mas nem sempre é fácil. Não existe lugar mais divertido do que uma agência, principalmente se o diretor de arte ao seu lado começa a surtar ou seu chefe entra cantando “chupa que é de uva”. Para quem quer começar, os conselhos são simples: estude, observe e viva. Estude não só o que a faculdade ensina, mas procure coisas sobre psicologia, física quântica e culinária. Observe o mundo e os caras que você mais admira, mas, principalmente, observe aquilo que você odeia. Isso vai lhe dar uma noção ideal de que o mundo é feito por pessoas e coisas diferentes. E você vai precisar conviver com isso até morrer. Depois, viva as experiências que a vida lhe proporciona (calma, não estou falando aqui de ficar louco com entorpecentes ou sair fazendo sexo com a primeira pessoa que passar). Um fim de tarde, uma música, uma situação inusitada, tudo isso é uma excelente oportunidade para você ter boas ideias, sem obrigação alguma. Por último, “meta os peitos”, enfie a cara e não tenha medo de levar não ou de errar. A tentativa sempre vale a pena, porque é através dela que você consegue alcançar o que quer que seja.
8 ) Indique 5 sites que todo bom redator precisa ter como referência.
Eu sou meio do contra quando ouço alguém dizer “ahhh, você precisa conhecer isso” ou “você vive em que mundo para não saber do que eu estou falando?”. Eu acredito que tudo pode ser uma boa referência, desde um panfleto trash que você encontrou no chão até a belíssima obra de Mozart ou qualquer fulaninho dessa galera. Não vou indicar 5 sites que todo redator “precisa”, inexoravelmente, ter como referência, mas 5 sites que eu gosto de olhar de vez em quando. Inclusive acho que mais importante do que olhar algum site todos os dias é você ver o sol nascer de vez em quando. Mas enfim. Aí vão algumas sugestões.
- www.corbis.com.br – Sempre vale muito a pena consultar um banco de imagens e ficar imaginando coisas a respeito de cada uma delas. Um ótimo exercício.
- www.globo.com / www.uol.com.br – Sites de notícias são muito importantes para ficar sabendo do que acontece por aí, mesmo que seja sobre o panda albino que nasceu na Indonésia. Informação vale muito.
- www.comunicacaoup.com.br – Óbvio, não é? Além de ser, de fato, uma excelente referência, vai me garantir uma nota mental para o final do mês (não é Fabinho? Hehe).
Você pode tirar dúvidas diretamente com Antonio através das mídias sociais:
1) Como você vê o mercado local de Redação? Há muitas vagas? Há demanda de novos redatores? Conte como foi sua experiência para entrar no mercado.
Acredito que o mercado local, vez ou outra, precisa de profissionais de criação, principalmente redatores. Com a crise e as incertezas do período, complicou um pouco, mas está começando a melhorar. Sempre surgem vagas, basta ficar ligado e ir atrás. No meu caso, eu acabei caindo involuntariamente na área de redação. Como tinha facilidade para escrever, fui levado para essa área. Nunca imaginei que seria redator. Eu estava iniciando o quinto período da faculdade e Fábio, da Base, que tinha sido meu professor de redação publicitária no 4º período, fez o convite para que eu estagiasse lá, durante 3 meses, como redator. Cheguei sem saber nada, nunca tinha feito nada na área, sequer conhecia os processos duma agência. Nunca tinha visto um roteiro de spot ou feito um título. Acabei saindo de lá com a certeza de que sabia menos ainda, porque tive grandes profissionais ao meu lado e era evidente que ainda precisava estudar e viver muito para chegar perto de redatores, como Valtércio, Vinícius e Mônica, na época, os três redatores da Base e que me ajudaram muito. Mas, com sorte e o apoio de toda a galera de lá, terminei o estágio da Base na sexta e, na segunda, já estava na Formato, o que foi muito importante para mim. Lembro que, depois de Valtércio ter me indicado para a Formato, Ricardo, que é outro profissional sem comentários e era da Formato na época, pediu que eu fizesse alguns anúncios fantasmas, porque queria ver do que eu era capaz independente do meu portfólio (que era muito fraquinho). Como não sabia mexer nos softwares de edição de imagem, peguei várias revistas e comecei a cortar e colar. Fiz as montagens e adicionei os textos. Ficou uma pataquada, tudo sujo de cola e parecendo um trabalho de pré-escola. Mas, graças a Deus e a Ricardo, que enxergou em mim uma possibilidade, entrei. Fiquei um ano e meio na Formato, uma agência pela qual tenho um carinho enorme e onde eu aprendi muito do que eu nada sei. Depois, André (Britto) me chamou para a Comunicação Up, que tava acabando de nascer, tinha um perfil sensacional e que, desde então, não parou de crescer (Fabinho, olhe a nota mental para o dia 31 hehe). Em outubro, completo dois anos de Up e já estou começando a pensar no próximo lanche que vou ter que pagar.
2) Geralmente, quando o estudante começa a cursar Publicidade, a única área que ele tem em mente é a criação, especificamente, direção de arte. No decorrer do curso, ele começa a conhecer outras áreas. Foi assim com você também? Você sempre teve em mente redação?
Na verdade, acho que muitos dos estudantes, assim como eu fui, entram na faculdade sem muitas informações a respeito do curso.Não que eu tenha escolhido Publicidade aleatoriamente. Escolhi porque era o único curso que tinha um perfil parecido com o meu. Mas existem muitos mitos sobre a nossa profissão, ideias distorcidas e coisas que você só descobre quando entra em contato com a área. Muita gente ainda acredita que publicidade é ser criativo. De fato, é. Mas para ser criativo, ou melhor, para que a sua criatividade funcione, é necessário informação. Criatividade sem informação, respaldo ou conteúdo é como a beleza pela beleza: vazia. Às vezes, dá certo, mas é exceção e não regra. E essa noção você não encontra nem na faculdade, mas no dia a dia da profissão, nas agências, nos departamentos de marketing e nas empresas que trabalham com comunicação. Nunca parei e profetizei que seria redator. Fui levado. Hoje sou redator, mas sei que não serei para sempre. Quero conhecer outras áreas. A grande graça da publicidade é justamente isso: ter a liberdade de viver várias experiências, de fazer várias coisas e ter inúmeras possibilidades em qualquer área.
3) Comentamos na entrevista anterior que as referências, hoje, são tudo na Publicidade. Através de filmes, músicas, histórias etc., é que se encontram boas ideias e bons filmes publicitários. Em relação à Redação, é assim também ou basta saber escrever bem para ser um bom redator?
Tenho para mim que referência é importante em qualquer área, não só em Publicidade. Até como ser humano, é imprescindível que você observe bons exemplos e tente adaptá-los à sua realidade e ao seu contexto. Acredito ainda que existem redatores muito bons que não sabem escrever bem e redatores que escrevem muito bem e não são tão bons. Em Publicidade, o que conta é a ideia e a ideia surge sem hora marcada, vinda de um repertório próprio. Se você não treinar sua mente e seu olhar para construir um repertório variado, rico em informações e amplo no sentido das fontes, fica muito difícil ter ideias, principalmente as boas. E uma coisa fundamental nisso é tentar se afastar ao máximo de preconceitos. Não existe nada pior para um publicitário do que preconceito. Stefhany é considerada brega por muitos, mas é um fenômeno inegável e reflete um contexto que agrega um público específico, uma realidade própria, um target etc. Negando isso, você perde oportunidades. Mente restrita, em Publicidade, não funciona.
4) Sempre há uma “briguinha” entre Redator x Diretor de Arte na hora de criar uma peça. O redator sempre quer o texto em evidência, bem espaçado, com títulos grandes etc. Já o diretor de arte prefere que a foto do anúncio ganhe destaque, os títulos precisam ser curtinhos para não quebrar o layout e a fonte com boa legibilidade, mas não tão grande. É justamente o equilíbrio desses fatores que faz um bom anúncio?
É alguma indireta? (hehe) Não acho que exista tanto essa “briguinha”. Pelo menos, para mim, nunca houve. Não posso reclamar das minhas duplas ao longo desses 3 anos e pouquinho de redator. Apesar de já ter “duplado” com todos os diretores de arte das agências que passei, os com quem eu mais trabalhei eram conscientes de que esse equilíbrio é essencial, porque o que importa é que a peça comunique o que precisa ser comunicado. Na Formato, minha principal dupla era Hugo Giovani, outro cara com quem eu aprendi muito. Um diretor de arte dos bons que não só aceitava minhas críticas, como também sugeria e apontava os erros dos meus textos. Já na Up, encontrei um tal de Galileu Nogueira que acabou virando minha dupla por pura afinidade. Não sei se vocês o conhecem, mas ele é um deslumbradinho com Lady Gaga, Apple, tecnologia e, acreditem, internet com quem eu tenho o prazer diário de discutir jobs. Ambos sempre me ajudaram muito na hora de criar e sem o apoio deles eu não teria uma peça no portfólio. Para uma dupla funcionar, é necessária cumplicidade, sintonia nos pensamentos, afinidade mesmo. Isso ajuda muito a definir um bom anúncio.
5) Para ser um bom profissional de criação hoje é necessário saber muito mais do que a sua própria área. Como já foi dito em uma entrevista anterior, um redator precisa entender de planejamento, de mídia, atendimento etc. para elaborar estratégias criativas. Em sua opinião, até que ponto é preciso saber de tudo?
Um profissional se destaca quando conhece um pouco de outras áreas diferentes da sua. Da mesma forma que é importante estar ligado no que acontece de novo, nas tendências e em tudo que aparece de novidade. Enfim, a velha história. No caso da Publicidade, conhecer outras áreas é ainda mais valioso, porque permite que você enfrente os desafios que aparecem no dia a dia com mais rapidez, notando detalhes que podem fazer a diferença no resultado final. Inclusive porque um anúncio, por exemplo, não é feito só de criação. Talvez seja a melhor peça do mundo, mas acabe se perdendo em uma mídia que não é adequada ou apareça no meio de um planejamento que não tem nada a ver. Hoje os departamentos de uma agência estão cada vez mais misturados e é necessário estar preparado para essas transformações. Obviamente, especializar-se na área que você gosta ou tem mais afinidade é imprescindível também. O que não pode acontecer é deixar de observar as áreas que, inevitavelmente, rodeiam a sua.
6) É comum ouvir que o cliente pediu algo “inovador”, “criativo” e diferente de tudo o que já foi feito, mas nem sempre ele está tão aberto a essas ideias inovadoras, seja por falta de verba, visão ou algum outro fator. O que é preciso então: seguir o seu instinto criativo e sugerir independentemente de reprovação ou colocar os pés no chão e fazer algo mais “normal”?
É necessário o equilíbrio entre uma coisa e outra. Você não pode viver dando murro em ponta de faca, mas também não pode deixar a criatividade fora do processo. O que importa é saber sair dessas situações, que acontecem com mais frequência do que deveriam acontecer, infelizmente, com, mais uma vez, criatividade. Nesse tipo de situação, conta muito também avaliar o que você tem nas mãos. Talvez o briefing sugira que a criação deve ter a melhor ideia de todos os tempos. Mas, se no lugar do prazo você tiver a palavra “inexistente”, vai ser quase impossível sair algo surpreendente. Boas ideias não têm hora marcada para acontecer, mas é muito pouco provável que ela apareça no meio dum braistorm de 5 minutos. Ou você potencializa seu tempo para criar algo funcional para atender o problema do cliente, ou você vai gastar todo o seu tempo para tentar reinventar a roda e nada vai sair. Às vezes, acontece. Porém é muito mais difícil. Então o que vale é misturar o seu instinto criativo com a ideia que vai solucionar o problema. Mas de vez em quando, bote para fora sua criatividade. Se o cliente não permitir, faça peças fantasmas ou reúna os amigos e rode um filme de serial killer com o título de “O Assassino do Churros”.
7) Sempre fazemos essa pergunta nas entrevistas: O que você diria para aqueles que querem começar uma carreira como redator? O que é preciso?
É preciso coragem. O dia a dia de uma agência exige muito de qualquer profissional. Se você não tiver preparado para uma sexta-feira à tarde com milhares de anúncios para sair, atendimento falando no ouvido do seu diretor de criação e a mídia fazendo terrorismo que o jornal não vai aceitar mais os ADs, “danou-se”. Então, prepare o seu coração. Tem seu lado bom que, com certeza, supera todos os outros. Mas nem sempre é fácil. Não existe lugar mais divertido do que uma agência, principalmente se o diretor de arte ao seu lado começa a surtar ou seu chefe entra cantando “chupa que é de uva”. Para quem quer começar, os conselhos são simples: estude, observe e viva. Estude não só o que a faculdade ensina, mas procure coisas sobre psicologia, física quântica e culinária. Observe o mundo e os caras que você mais admira, mas, principalmente, observe aquilo que você odeia. Isso vai lhe dar uma noção ideal de que o mundo é feito por pessoas e coisas diferentes. E você vai precisar conviver com isso até morrer. Depois, viva as experiências que a vida lhe proporciona (calma, não estou falando aqui de ficar louco com entorpecentes ou sair fazendo sexo com a primeira pessoa que passar). Um fim de tarde, uma música, uma situação inusitada, tudo isso é uma excelente oportunidade para você ter boas ideias, sem obrigação alguma. Por último, “meta os peitos”, enfie a cara e não tenha medo de levar não ou de errar. A tentativa sempre vale a pena, porque é através dela que você consegue alcançar o que quer que seja.
Indique 5 sites que todo bom redator precisa ter como referência.
Eu sou meio do contra quando ouço alguém dizer “ahhh, você precisa conhecer isso” ou “você vive em que mundo para não saber do que eu estou falando?”. Eu acredito que tudo pode ser uma boa referência, desde um panfleto trash que você encontrou no chão até a belíssima obra de Mozart ou qualquer fulaninho dessa galera. Não vou indicar 5 sites que todo redator “precisa”, inexoravelmente, ter como referência, mas 5 sites que eu gosto de olhar de vez em quando. Inclusive acho que mais importante do que olhar algum site todos os dias é você ver o sol nascer de vez em quando. Mas enfim. Aí vão algumas sugestões.
- www.corbis.com.br – Sempre vale muito a pena consultar um banco de imagens e ficar imaginando coisas a respeito de cada uma delas. Um ótimo exercício.
- www.globo.com / www.uol.com.br – Sites de notícias são muito importantes para ficar sabendo do que acontece por aí, mesmo que seja sobre o panda albino que nasceu na Indonésia. Informação vale muito.
- www.comunicacaoup.com.br – Óbvio, não é? Além de ser, de fato, uma excelente referência, vai me garantir uma nota mental para o final do mês (não é Fabinho? Hehe).
Na primeira vez que eu ví esse filme eu fiquei intrigado. Pense em 90″ que pareciam que não iam acabar. Direção de arte muito bem feita, fotografia e, acima de tudo, produção impecáveis. Cada detalhe pensado para remeter às diferentes épocas em que a marca Melissa estava presente na vida das pessoas.
Não quero falar muito para vocês não tirarem conclusões precipitadas. Assistam o filme e terminem de ler. Achei um filme muito bom, principalmente pela quantidades de Melissa que aparecem: quase nenhuma. O filme foi extremamente conceitual. Palmas para o cliente e para a agência. O que acho mais estranho foram os comentários no vídeo:
Consumidoras pedindo o produto no filme.
Quase nunca vemos as pessoas querendo ver o produto e nesse caso é o contrário. Estranho, não? Mas o que me incomoda nisso tudo é: “Melissa – Há 30 anos criando sonhos de plástico” – Como assim? Sonhos de plástico? Entendo que a Melissa sempre explorou o conceito de “fazer sandálias de plástico serem tão confortáveis quanto outras” e que o plástico sempre foi abordado em toda comunicação feita por eles, mas soa tão estranho, coloca o conceito de que tudo o que foi vivido por estas meninas/consumidoras não passou de algo artificial.
Tento olhar pelo ponto de vista que “sonhos de plástico” se referem às sandálias, mas ainda sigo achando que essa assinatura não foi bem construida. E vocês, o que acham?
Após a repercussão, a agência decidiu fazer um video case explicando o briefing, a estratégia e os resultados obtidos. Não vou explicar muito para que vocês confiram assistindo ao vídeo.
Viram quem aparece na sessão “Blog” ? Pois é. Tem coisa mais massa do que você ver seu blog sendo utilizado em uma defesa para o case? Muito obrigado a Teaser Propaganda pela referência. Fico MUITO feliz em ver o crescimento do blog aos poucos.
Dando continuidade a série de entrevistas e depois de um diretor de arte e um estagiário de Marketing, chegou a hora de entrevistar um Produtor de comunicação, mais uma função que pode ser desempenhada por um publicitário.
O entrevistado de hoje é André Angello, integrante do Núcleo de Marketing da Secretaria de Comunicação Social do Governo do Estado de Sergipe. Já trabalhou por quase uma ano como produtor RTVC da agência Comunicação UP, atuou como free lancer para a maioria das agências de publicidade em Sergipe como produtor de platô e executivo e também passou pelos núcleos de Marketing do Shopping Riomar, SENAC e Banco de investimentos Icatu Hartford. É formado em Publicidade e Propaganda pela UNIT 2003/2, especializado latu sensu em Cinema pela Universidade de Tuiutí do Paraná e mestrando em linguagens da comunicação.
1) Como você vê o mercado de produtores aqui em Aracaju? É um mercado novo?
Eu vejo com uma lupa de aumento. Não é um mercado novo, é um mercado retardado, ou seja, deveria estar bem mais a frente pelo tempo que existe. A primeira palavra que me vem em mente é carência, mas posso associar vários outros adjetivos para a produção de comunicação publicitária em Aracaju.Imaturidade, falta de compromisso, desvalorização, má remuneração.
E se tratando dos profissionais, são quase micos leões dourados, isso generalizando, porque se partirmos para o quesito profissionais com qualidade, o mercado é praticamente um mamute! Percebo que a grande culpa disso vem de “cima”. Muitas agências e produtoras não tem a visão de que produtor é a parte fundamental no processo de produção e desenvolvimento do projeto, e contratam qualquer pessoa que se diz produtor, simplesmente porque cobra mais barato.
É o barato que sai caro. Produtor é o elo entre todas as partes de uma produção, ou pelo menos deveria ser. A própria nomenclatura já denuncia (produção – produtor). A parte criativa (agência), que deveria ter um contato direto com os produtores, na maioria das vezes deixa esse contato sobre a responsabilidade do fotógrafo ou da produtora de vídeos, que em sua grande parte acha que a função do produtor é providenciar lanchinho para a equipe e não percebem (ou fingem não perceber) que toda a logística e funcionamento do projeto é feita pelo produtor em parceria com os outros núcleos.
Daí, o pseudo fotógrafo publicitário ou produtora de vídeo, quer escolher roupa, modelo, locação, contratos de uso de imagem, pagamentos e por aí vai. Infelizmente é uma característica geral em nosso mercado e não só na produção. As fronteiras não são devidamente delimitadas e aí o redator publicitário vai acompanhar produção de foto, diretor acha que produtor é assistente de direção, motorista faz às vezes de iluminador e vira um verdadeiro projeto comunitário, onde todo mundo faz um pouco de tudo e ninguém faz o seu direito.
2) Há um tempo foi publicado no blog um post chamado “Referências. Elas realmente são tudo.” Você como produtor de comunicação considera que as referências hoje, são mais do que necessárias para um bom filme publicitário?
Acredito que as referências são fundamentais. Acredito também que elas são inerentes à percepção das pessoas. Muitas vezes as pessoas “criam” campanhas publicitárias ou soluções de mercado com base em referências que o subconsciente armazena, o que também pode ser trazido para a vida pessoal.
Considero uma grande sacada de referência quando estamos conscientes de que estamos usando-as e conseguimos formar uma linguagem própria a partir delas. É o playmobil que só você tem! (risos). Trazendo para o campo da produção de comunicação publicitária, seja em uma produção de vt ou fotográfica, acredito que referências são indispensáveis. Um detalhe faz toda diferença e nem sempre é o que você faz, mas como você faz e isso definitivamente vem das referências, às vezes das mais inusitadas.
3) Nós sabemos que nem sempre bons filmes publicitários exigem produções com um custo elevado, mas sabemos também que se houver uma boa idéia e uma boa verba para a produção, o resultado será ainda melhor. É possível, em um mercado onde o investimento para produção de filmes publicitários é reduzida, conseguir fazer bons filmes?
Sim claro! Óbvio que na produção, assim como tudo na vida, com dinheiro se resolve mais fácil, porém como diz o prêmio: “Nada substitui o talento!” Idéias super criativas geralmente são as mais simples e consequentemente são muito fáceis e baratas para produzir. Um bom exemplo é o da SuperTintas com a mão saindo da lata. Prático, barato e deu muito que falar. Foi até para o CCSP! Pena que esqueceram de dar o crédito que cabia ao produtor no CCSP. (risos).
4) Nas área de produção publicitária existem algumas opções como: RTVC, gráfico e de platô. Por que você escolheu RTVC?
Na realidade eu já passei por todos os processos de produção na publicidade: RTVC, gráfico e de platô, então não me defino como RTVC. Acredito que estou mais na linha de Comunicação, ou seja, caiu na rede é peixe! (risos). Gosto muito de todas as áreas, mas talvez tenha uma quedinha maior por RTVC, apesar de estar atualmente trabalhando do outro lado do “jogo”. Minha maior atração talvez seja porque é a área que tem mais controle diante de todo o processo de produção, que sabe tudo o que está acontecendo, quanto custa, quando vai acontecer a produção, quando será veiculada e por aí vai.
5) Um produtor só trabalha em agência? Em quais outros mercados ele pode atuar também?
Não. Existem vários tipos de produtor. Tratando-se de Publicidade, dentro de agência existem duas vertentes: Produtor RTVC e Produtor Gráfico. O RTVC cuida dos VTs, spots, jingles e todo processo técnico e burocrático que envolve esse material. Já o Produtor Gráfico cuida de toda parte de comunicação impressa: outdoor, panfletos, faixas, banners, etc e também da parte burocrática.
Fora de agência, o Produtor de Publicidade é chamado de Produtor de Platô, que é quem cuida das especificidades de produção de vídeos, fotos e eventos, mais precisamente em campo, ou seja, em estúdio ou locação. O produtor de Comunicação Publicitária é o profissional que engloba todas essas características e está apto a trabalhar em qualquer uma dessas áreas.
6) Eles estão começando, chegando agora e querendo entrar no mercado. O que você pode dizer para àqueles estudantes que se identificaram com a área e querem começar? O que eles precisam fazer? É difícil de entrar? Conte-nos como foi a sua experiência.
Comecei a trabalhar com produção quando eu estudava cinema em Curitiba e quando voltei para Aracaju, dei continuidade ao trabalho de produção no mercado local. Cada mercado tem uma realidade diferente, mas acredito que quando uma pessoa resolve ser um profissional e se dedica no que faz, consegue se desenvolver no mercado. É claro que aptidão também é fundamental e cabe a cada um perceber a sua. Tem muito talento desperdiçado por aí, atuando em áreas erradas.
Acredito que se houver gente com aptidão, interessada em fazer um bom trabalho de produção e dedicar-se verdadeiramente a isso, é possível entrar sim no mercado e fazer diferença. Lutar com embasamento coerente pelo que se acredita e praticar o que defende é sem dúvidas deixar sua marca no mercado.É claro que um profissional com esse perfil nem sempre é bem querido, pois ele vem para derrubar o bonitinho, mas ordinário castelinho de areia. E nessa estorinha dos três porquinhos, adivinhe quem é o lobo mau? (risos).
7) Pra finalizar, quais dicas de sites/blogs você pode indicar como “essenciais para todos os produtores”.?
Os de referências são sempre um tesouro como o YouTube e, por incrível que pareça, as redes sociais como: Twitter (a mais nova modinha dos publicitários de Aracaju) e Orkut. Lá encontramos máximas pérolas, inclusive acadêmicas, é só procurar direitinho. Não podemos esquecer do CCSP. Sempre!
Portfólio
Além do vídeo da SuperTintas (lá em cima), André também produziu esse aqui:
Ainda ficou com dúvidas? Converse com André Angello usando:
Mais uma vez eu quero agradecer a todos os leitores e ao entrevistado (é lógico) – O Prontofalei pede desculpas por não ter postado a entrevista ontem. Algumas dificuldades foram encontradas durante o processo, mas já foram contornadas.
Se você não leu as outras entrevistas, aproveite para ler: