sexta-feira, 8 de junho de 2007
Uma Cabeça Brilhante
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A televisão aqui do quarto funciona de um modo estranho e não estou falando do fato de ela exibir imagens de canais aleatórios no mesmo canal ou pelo fato dela ser uma simples caixa de plástico que exibe imagens de um lugar a quilômetros daqui. Bem mais estranho que isso, rapaz.
A caixinha simplesmente torna a imagem ali projetada uma indefinível mistura de nada com coisa alguma dependendo da localização da minha cabeça no quarto. Se eu, por exemplo, estiver próximo da janela, um chuvisco toma a conta da tela. Se eu estiver sentado aqui e olhar pra tela, a imagem também desaparece. Se eu estiver deitado na cama com o pé esquerdo encostando no ombro direito, a imagem volta, mas o som some.
Talvez tenha a ver com o formato da minha cabeça. Nunca reparei atentamente no formato de minha grande caixa craniana (minha cabeça, como tudo em mim, caro leitor, é avantajada), mas, pensando seriamente no assunto, sua forma talvez influencie na recepção das ondas televisivas, desviando-as de sua trajetória normal.
O engraçado é que sempre notei que a luz parecia curvar-se em volta de minha cabeça, como que criando um círculo luminoso à volta da simpática melancia que chamo de cabeça. Mas nunca liguei muito: pensava ser a manifestação física da iluminação espiritual e intelectual do meu ser. Aparentemente, é mais que simplesmente isso.
Não sei ao certo, mas a possibilidade mais óbvia é que a atração gravitacional exercida pela minha imensa massa cerebral curve o espaço-tempo de modo a tornar curvas as trajetórias das ondas próximas, incluindo a luz e as ondas da televisão. Pelo menos essa é a teoria básica, ainda preciso aperfeiçoá-la. Estou trabalhando nos cálculos.
O caso é que minha cabeçorra me impede de assistir à televisão (ou pelo menos ouvir a televisão) dependendo de minha localização. Até que não é tão ruim, principalmente quando o que passa na tevê é Malhação.

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