domingo, 28 de setembro de 2008

Someday, and that day may never come.

Ir direto
para os comentários...

É oficial: minha conta bancária está mais negativa que minha vida social. E vamos dizer que a última pessoa com quem conversei nos últimos dois dias foi a caixa do supermercado e, cara, ela é paga pra isso. Estou falido, desempregado, sem um tostão no bolso, devendo dinheiro pra agiotas, prostitutas, traficantes e pipoqueiros, além das 23 prestações do Wii a pagar numa dessas malditas lojas populares. 

O pior não é ter que fugir dos cobradores ou ter que vender um rim pra poder comprar um miojo pro almoço. O ruim mesmo, o que me irrita, me deixa tenso, nervoso e com vontade de me jogar na frente de um ônibus bi-articulado é a certeza de que tudo isso é culpa minha. E sempre vai aparecer um espertinho, um sábio da economia e dos bons gastos, renomado senhor e dono de posses que adquiriu com trabalho, cautela e pão-durice, que vai dizer que eu devia ter usado melhor meu dinheiro ao invés de não pagar a conta da luz pra comprar aquele DVD de um filme que eu gosto. 

Isso foi o que me faliu, amigos, essa foi minha perdição: DVDs. Ultimamente tenho desviado dinheiro de besteiras como medicamentos e educação pra construir uma coleção de DVDs de qualidade (devo esclarecer que são originais, só pro caso de alguém da Polícia Federal resolver botar a porta de casa à baixo e jogar uma granada na minha prateleira).

Essa idéia de montar uma DVDteca respeitável não é nada barata. Primeiro, você precisa de uma boa prateleira, forte, resistente, em lugar de iluminação e umidade controladas, de preferência vácuo e isolamento térmico. Depois, os DVDs, claro. E por último todo tipo de produto químico que possa servir pra manter longe qualquer sujeira, micróbio ou faxineira descuidada. Imagine só os gastos! 

Confesso que não sei direito a finalidade dessa coleção, mas tampouco sei a finalidade do serviço militar obrigatório, o que não impede que minha nação me force a ficar nu em uma sala cheia de homens. O máximo que meus DVDs me forçam a fazer é comprar uma prateleira maior, e nem preciso dizer qual das duas alternativas me é mais agradável aos olhos e à masculinidade. 

Além do mais, DVDs dão um prazer inusitado: a possibilidade de emprestá-los. Não sou desses donos obcecados e ciumentos que não deixam seus DVDs verem a luz do Sol ou sair com as amigas no sábado à noite. Gosto de disseminar o bom gosto cinematográfico por esse mundo de comédias românticas e filmes do Eddie Murphy (não que eu tenha este tal de bom gosto, mas tento, é claro). E isso tem tido uma boa utilidade, sabe. 

Estou construindo uma rede de influência, uma teia de devedores de favores, só por causa de DVDs. Uma bela tática ensinada por mim pelo saudoso Don Corleone. Funciona de modo simples: pergunto se a pessoa assistiu determinado filme e, quando ela diz que não, logo falo sobre como esse filme é obrigatório e divertido, vou tecendo lentamente minha teia em volta da pessoa, convençendo-a levemente que sua vida mudará quando ela assistir a tal obra cinematográfica. 

Aí é o momento que entra minha bela coleção. Empresto o DVD para a pessoa, assim, na amizade, sem compromisso nenhum, informalmente. Ganho pra sempre a dívida. E um dia, quando eu estiver em necessidade e de um favor precisar, trarei à tona o DVD emprestado e a pessoa fará o que eu quiser para pagar essa dívida de honra. E assim, dia a dia, filme a filme, estou construindo minha muito útil e disseminada rede de contatos. 

Então, se você, que já emprestou um filme de mim em qualquer situação, que quer manter sua honra e seu caráter íntegros, deposite alguns trocados na minha conta bancária, amigo, porque meu nome já está tatuado lá no SPC.

3 comentários. Viva!

Sobre comentários antigos: durante a migração do Ingenuidade para a rede Influxo.org, comentários anteriores a 2008 acabaram se perdendo. Estamos trabalhando para recuperar todos.

  • ricardo lost108 escreveu:
    29 de setembro de 2008 às 0:43

    hugo vc é d+ descobri o blog a menos de 1 mes e ja estou viciado em todos os textos,resenhas,e dicas de site,eu tambem sou viciado em dvds e series
    falando nisso na sua coleção deveria ter boxs de series
    abraço
    lost108

  • Rapaz, sinto te dizer, mas o SPC é como o inferno, naquela trilogia do Dante Alighieri. Há uma placa na porta que diz “Deixai toda esperança, vós que entrais”.

  • Caro Hugo, sinto que estamos em uma situação bem parecida.Ultimamente deixo de comprar uma roupa mais cara ou deixo de comer aquele gorduroso lanche da cantina da facul para comprar quadrinhos.Quadrinhos!!!! Quando minha mamãe vê  minha coleção ela me diz “por que você não come isso?!?”.Hehe. Aposto que você não mora com a sua mãe.

Deixar comentário