Ingênuo
Todo história começa com um alguém. Nada são as histórias sem um quem que as viva, que as sinta, que as faça. Um casal apaixonado, um homem em busca de sua mulher, um louco em aventuras sem sentido, um homem traído, um homem em busca de redenção, uma fugitiva internacional, um grão de areia. As histórias precisam de personagens, nós precisamos de ídolos.
Vemos aquele alguém em seu tortuoso caminho, sentindo-o, amando-o, odiando-o, penetrando em sua mente, seus pensamentos, seu passado. Ansiamos por histórias porque ansiamos por personagens. Queremos conhecê-los, desvendá-los em suas mínimas atitudes. Por que o casal suicidou-se? Por que um homem vai às profundezas do inferno em busca de sua mulher? Por que outro homem achou que a sua esposa o traía? Queremos os alguéns e seus porquês.
E, como toda história, esta, iniciada há pouco, também tem seus personagens. É um enredo simples, poucos personagens, poucas ações, muito pensar. É uma história sem hora para acabar, o fim só o destino trará.
Começa na mente de um jovem estudante, com uma rotina comum e uma cabeça rodopiante. Preso a suas obrigações, ele, algumas vezes por dia, deixa a mente viajar num mundo de palavras, fantasias e besteiras. Extravasa-se em algumas frases soltas, transforma-se em alguns textos tolos, renasce em algumas linhas tortas. O rapaz foge do seu mundo por alguns instantes, leve e solto, escreve histórias. Esquece-se assim da própria história.
O nome pouco importa. Que é um nome? Que vai ajudar o nome? Um nome não descreve, um nome não conta, um nome pra quê? O rapaz não precisa de um nome, só precisa das história, dos sonhos. E de sonhos é que é construída esta história. Sonhos da mente de um jovem rapaz, que não convém conhecer. Conhecer o rapaz não mudará a história, não é preciso, não é proveitoso. Para conhecer a história por trás da história, basta lê-la e tudo será esclarecido.
Se toda história tem um alguém, e esta é uma história, o seu alguém não é aquele rapaz. Esta história começa sim na mente dele, mas ele não é a história. Os verdadeiros personagens, aqueles que decidirão seus rumos, suas ações e o futuro dessa história nem mesmo conhecem o jovem. Os alguéns desta história agora a lêem e só eles dirão para onde esta história caminhará.
