segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Sobre a Vagueza do Passado da Escola Pública

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Toda vez que minha mãe ou qualquer pessoa com mais de quarenta anos fala que a escola pública era melhor do que a particular, fico imaginando se essa afirmação é verdadeira ou se é só resultado de dano cerebral causado pelo envelhecimento. É verdade que não conheço muito coisa do passado que não seja filmes dos anos oitenta e minha avó, mas simplesmente dizer que quem era mau aluno tinha que ir pra escola particular parece exagero, né?

Não é que eu ache impossível que o ensino público seja melhor que o pago. Sei que as escolas públicas são muito boas em várias coisas, como criar vândalos, ser pichada ou não receber investimentos. Sei também que se os recursos do Estado não fossem usados para comprar latas de lixo de 900 reais, talvez - eu disse TALVEZ - a coisa toda podia funcionar bem e transformar muitos idiotas em idiotas letrados.

O problema não é acreditar que o público pode superar o privado. O problema é a falta de exatidão dos fatos. Sempre que, numa dessas conversas sobre educação, alguém fala que a escola particular era pior que a pública e, pronto, todo mundo aceita a afirmação e move on with their lives. Todo mundo não, cara, porque eu sempre encrenco com isso.

Começo a perguntar qual é o melhor modelo de educação na opinião da pessoa, que índice de educação foi usado para essa avaliação, em que época exatamente esse fato se deu e como diabos a inversão ocorreu. Aí as pessoas nunca conseguem me responder qualquer dessas perguntas e dão simplesmente umas respostas vagas do tipo “lá pelos anos 60″, “falta de investimento” ou “vai se *%&$#”.

Como diabos as pessoas podem dizer que o ensino público era melhor que o particular sem ter qualquer dado concreto pra embasar isso?

Já ouvi cinquenta e sete mil vezes esse mesmo papo de “no passado, a escola pública era foda” e até hoje ninguém conseguiu me convencer, e sempre, toda maldita vez que a conversa sobre educação chega na dicotomia público/privado, tenho que encher o saco dos outros procurando esclarecer minhas dúvidas, sem deixar de insistir muito, perguntar, tentar buscar a verdade entre a vagueza das palavras alheias.

Dá pra você entender por que não sou convidado para muitas festas.

4 comentários. Viva!

Sobre comentários antigos: durante a migração do Ingenuidade para a rede Influxo.org, comentários anteriores a 2008 acabaram se perdendo. Estamos trabalhando para recuperar todos.

  • Mellini escreveu:
    2 de setembro de 2008 às 1:43

    Vai pra particulá, rapávo pixa ai tua casa ok

  • Oee, meu nome é exagero. hahaEscolas públicas eram poucas e só entrava quem possuía conhecidos mais influentes e/ou passava em um teste de seleção, isso para o Ginásio, porque o Primário é acessível desde Vargas. :P Além do mais, o contexto também era o da Ditadura — quando a escola pública era boa –, progressista que investia em educação, para formações de técnicos para a indústria crescente. E, pô, sacanagem também, há escolas públicas fodas tipo CEFET e Colégio Militar, que figuram entre as melhores, mesmo entre as particulares.

  • André HP escreveu:
    2 de setembro de 2008 às 17:11

    A solução? Não estudem!
    Fiquem em casa mofando no quarto humido com a televisão que não sintoniza.
    Muito bom o post Hugo… A The Wall sai em breve… sua coluna foi diagramada já! :)

  • É brabo. Mas se for levar em conta, segundo nossos pais ou avós, “tudo” antes era melhor. No tempo da ditadura era melhor, o clima era melhor, as pessoas eram melhores, os carros também e as mulheres eram uns pitelzinhos. Não acredito muito neles não, devem falar isso só pra nos dispertar uma inveja por não ter vivido nesses tempos áureos.

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