quinta-feira, 11 de outubro de 2007
Shaken, not stirred
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E de repente percebi que fiquei um bom tempo sem postar. Não tenho uma explicação totalmente lógica para o fato; aliás, eu não ter explicações lógicas acontece com freqüência (reforma ortográfica não é caveira, é muleque, MU-LE-QUE), o que me leva a mentir, mentir, mentir, mentir e, quando a mentira fica insustentável, botar a culpa em outra pessoa.
Tudo começou no sábado à noite. É engraçado como as histórias mais legais da vida começam nos sábados à noite: uma boa festa, um novo amigo, um grande amor, herpes, uma gravidez indesejada, um contato de trabalho, um internamento numa clínica de desintoxicação. Se não existissem sábados à noite, certamente teríamos vidas menos divertidas e falta de assunto pras revistas de fofoca.
Nesse sábado em especial, tinha essa festa nada especial. Era uma homenagem aos 40 anos da morte de Che Guevara, o que me deixou confuso. Não consegui descobrir se os organizadores eram direitistas festejando a morte do barbudo ou esquerdistas festejando o barbudo.
Essa dúvida foi me consumindo e, de tanto pensar sobre o assunto, comecei a ficar meio tonto, enrolar a língua, cambalear, esbarrar nas pessoas, vomitar pelo chão e essas coisas que fazemos quando refletimos muito sobre um tema capcioso. Resolvi então tomar uma bebida para acalmar.
- Dry Martini, por favor. Shaken, not stirred.
- Não temos, senhor.
- Então um gelo sem uísque, por favor.
Uma morena, digamos, apetitosa sentou-se ao meu lado e ofereceu pra pagar uma bebida. Logo desconfiei: era uma festa open-bar. Algo estava errado, algo nela parecia falso, dissimulado. Talvez os peitos; é, definitivamente os peitos não eram reais. Mas já embriagado de tantos pensamentos sobre a questão do senhor Guevara, resolvi deixar de pensar durante aquela noite.
E cá estou, contabilizando um rim a menos, uma cicatriz a mais e uma eterna dúvida sobre que diabos estavam festejando naquela maldita noite.

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