sábado, 28 de abril de 2007

Perdendo Peso

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Hoje acordei com um aperto no peito. Uma sensação estranha, como se algo estivesse faltando, como se tivessem tirado uma parte de mim. Tente deixar aquele sentimento de lado, mais uma bobagem de minha mente talvez, e tentei continuar o meu dia normalmente.

A sensação, entretanto, não desapareceu. Meu banho quente não conseguiu tirar aquela angustiante tristeza que tomava conta de meu corpo. Letárgico, minha manhã foi lenta, de um mal-estar indefinível, meu café carregando um gosto amargo que se enroscou na minha boca.

Todo o estudo pela manhã foi improdutivo, aquele sentimento dominando minha consciência, incapaz de focar em algo mais. O almoço foram duas ou três garfadas forçadas, aquele sabor me deixando sem apetite.

A tarde demorou a passar. Algo estava errado, fora do lugar. Eu sentia falta de algo. Ao voltar para casa, resolvi passar em uma farmácia para tentar atenuar minha angústia. Quem sabe um calmante ou coisa parecida?

Foi na farmácia que notei o que havia de errado. A balança revelou a verdade por trás da situação: eu tinha emagrecido alguns quilos. Veja que absurdo! Que despautério! Que despropósito! Eu emagreci! Perdi aquelas gordurinhas acumuladas! Que terrível é emagrecer!

São anos e anos criando, cultivando, embalando, alimentando, agradando, paparicando e dando tudo do bom e do melhor e agora meus queridos quilinhos se perdem por este mundão de Deus!

Eu podia ter deixado minhas amadas células adiposas ao relento, sem lenço nem documento, sendo calejadas e enrijecidas pela vida. Podia ter jogado a um canto, sem dinheiro no bolso e com a roupa rasgada. Podia ter ignorado a fome naquelas noites em que minha camada gordurosa pedia comida e mais comida.

Mas não! Tratei bem, deixei meus quilinhos acharem que eram gente e acabei não edificando o caráter da minha hipoderme. Tanto trabalho, tanto trabalho. E agora, agora nessa noite fria e chuvosa, estou aqui sozinho, sem meus quilinhos a mais que tanto gostava.

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