31 de julho de 2008

A Melhor Cantiga de Natal de Todos os Tempos

A bullet in your WHAT?!

28 de julho de 2008

As Belezas do Problem Based Learning

Estudar medicina na Universidade Estadual de Londrina tem seus prazeres, e nem estou falando do fato de não ter que pagar mensalidade porque o dinheiro vem todo do bolso dos contribuintes. O que é bastante agradável é o método de ensino.

Já conhecem o método PBL daqui da UEL? É o ensino baseado em problemas, uma metodologia menos centrada em algum professor arrogante vomitando matéria sobre o aluno e mais voltado a grupos pequenos de alunos arrogantes vomitando matéria uns sobre os outros. São os tutoriais.

Funciona mais ou menos desse modo: você mistura em uma saleta minúscula oito alunos que provavelmente se odeiam , acrescenta um docente que supervisiona a coisa toda (geralmente dormindo, atendendo o celular ou lendo seu horóscopo), dá um problema no qual os alunos devem basear seus estudos e economiza uma dinheirama absurda (que, ao invés de ser gasta em aulas de verdade, pode comprar aquele bracelete de ouro branco que mulher do reitor simplesmente A-D-O-R-O-U). A cada “módulo” o grupo muda, dando mais dinamicidade a tudo e evitando que alguém perfure a jugular do outro com uma caneta.

É um sistema interessante pois, em vez de trancar os alunos por 23 horas seguidas em salas de aulas com professores desequilibrados, a universidade nos dá chance e tempo de construir um método de estudo e descoberta de conhecimento próprio e auto-regrado (o que geralmente dá em merda).

Confesso que gosto bastante do método. O tutorial é um modelo legal de aprendizado por dar uma boa oportunidade de discutir, expandir idéias e sair no tapa com várias pessoas diferentes, além de ser uma forma muito melhor de memorização.  As aulas que temos (afinal nem só de tutorial vive o método) procuram sempre completar o conteúdo, garantindo uma combinação de fatores propícia pro desenvolvimento intelectual do aluno.

Mas o que mais gosto nessa metodologia, o que mais me dá prazer e satisfação, o que me agradecer todos os dias por ter entrado na UEL, o que torna esse curso diferente de todos os outros é algo simples e maravilhoso: amanhã não tenho aula de manhã. É o fantástico, inigualável, insuperável, sensacional, sumpimpão estudo orientado, uma janela de tempo livre supostamente dado pro aluno estudar a matéria sobre a qual terá que divagar no tutorial, mas convenhamos que o estudo orientado pode ser usado de modos muito mais divertidos.

Fala se não é uma delícia?

Bom, até seria se não fosse o meu curso. Qualquer aluno de outro curso, depois de perguntado o que faria em uma manhã fria, aconchegante e sem aula diria coisas como “dormir, procriar, assistir um filme do Eddie Murphy”. Mas o aluno de medicina não. Encurralado pela mesma pergunta, o pobre futuro médico hesitará, desviará os olhos e gaguejará, incerto, a fatídica palavra: “Estudar.”

Agora me diz se gente que acorda em manhãs de inverno mesmo quando não tem aulas não são desequilibrados. Aliás, após seis meses nesse curso, posso afirmar com toda certeza: quem faz medicina ou não tem nem um pouquinho de estabilidade emocional ou foi abusado na infância.

Faço parte do primeiro grupo, viu, só pra deixar claro.

27 de julho de 2008

Uma Jornada Espiritual e Sorvete de Flocos

Sabe quando você sente que há alguma coisa faltando na sua vida? Acordei assim ontem. Uma sensação estranha, meio que um vazio existencial, um pequeno pensamento que ia se alastrando naqueles momentos de silêncio, sussurrando que eu precisava de algo mais. Eu tinha certeza que o que faltava era uma loira com medidas estratosféricas, mas um amigo meu disse pelo MSN que eu precisava mesmo era de espiritualidade.

Cara, sempre me confundo ao lidar com esses conceitos abstratos. Espiritualidade, amor, solidariedade, o Acre, filmes bons do Eddie Murphy etc. Nunca entendo o que as pessoas querem dizer com essas coisas. Pra entender o que significa, tive que contactar o Oráculo e perguntar que diabo seria espiritualidade.

Segundo pude averiguar, espiritualidade é a capacidade de entrar em sintonia com Deus. Podem me chamar de modernoso demais, mas nunca ouvi muito rádio: ouvir uma voz saindo de uma caixa não me parece sadio, principalmente com a quantidade exagerada de músicas desagradáveis e propaganda. Além do mais, Deus gosta de ser misterioso e nunca revela se é AM ou FM, é meio que nem o orkut era: só pode entrar em sintonia com Deus alguém que for convidado por um cara que já saiba a frequência certa.

Em todo caso, resolvi aceitar a proposta de meu amigo sobre essa tal de espiritualidade e lhe perguntei onde eu podia comprar isso e se estudante paga meia. Aliás, que coisas fantásticas são as carteiras de estudante, né? Você se compromete a sentar a bunda em uma cadeira e fingir que está tentando aprender algo e o governo faz os outros cobrarem menos de você. É meio que a função do governo ultimamente, não? Gastar o dinheiro dos outros pra dar coisas de graça a grupos específicos. Não que isso venha ao caso.

Voltando ao assunto, meu amigo então me disse que algumas igrejas por aí vendiam espiritualidade por 10% do meu salário, mas que religiões sérias não te prometeriam isso, mas sim uma orientação sobre como alcançar a espiritualidade através de uma jornada de auto-descoberta e entendimento da realidade. Confesso que a primeira classe me atraiu bastante, afinal 10% do meu salário nulo é uma contribuição que cabe no meu bolso, mas meu amigo demorou muito explicando tudo isso e nesse meio tempo eu já decidi que o que estava faltando em minha vida era mesmo um bom sorvete de flocos.

Deus, desculpaí, mas vou entrar em sintonia com minha diabetes primeiro, ok?

24 de julho de 2008

Manual Prático de Interação Social

Conviver com as pessoas é bem fácil. Quando você vive sua vida do jeito que você quer, sem se preocupar com os demais, não há problemas, afinal as pessoas costumam evitar pessoas que não se submetem a suas idéias malucas sobre como você deve se comportar. A confusão aparece quando você quer agradar. Não sei por que diabos você ia querer agradar os outros, mas se quiser tentar essa besteira, esse pequeno guia vai te ajudar, amigo.

Chame As Pessoas Pelo Nome

Ok, anotaí no seu caderninho: a única coisa maior que o ego das pessoas é a probabilidade de alguém se achar melhor que você. Isso significa que a palavra que a maioria das pessoas gostam de ouvir é o próprio nome. Elas se sentem especiais e, por alguma razão, adoram isso. Então, quando convensando com alguém, fale o nome dele quantas vezes puder.

Não Jogue Fluidos Corporais nos Outros

A maioria das pessoas não gosta que você deixe algum de seus fluidos corporais nelas. Bom, pelo menos não em público. Então evite deixar algum líquido estranho cair nos outros quando não estiver entre quatro paredes, a não ser que você faça parte dos grupos que tem imunidade a essa regra: bebês e celebridades.

Tenha “Personalidade” e “Estilo”

Não tenho idéia do que essas coisas sejam ou signifiquem, mas fortes evidências indicam que é ter a capacidade de escolher a roupa que melhor te define enquanto pessoa (apesar de eu não saber como uma roupa pode definir quem você é). Em todo caso, busque criar um estilo próprio que demonstre sua personalidade única (o que vai te fazer parecer com todos os outros).

Fale Mal dos Outros

Essa é fácil: não existe forma mais fácil de criar uma amizade com alguém do que falar mal dos outros. Além disso, é o único assunto que muita gente tem. Por isso, solte a língua. Fale mal se alguém não te cumprimentar, fale mal se esse alguém te cumprimentar, fale mal do jeito dos outros, fale mal se os outros mudarem seu jeito, fale mal se uma pessoa falar mal de você pelas suas costas, fale mal se uma pessoa falar mal de você na sua frente, fale mal sem olhar pra qual.

Faça Piadas com a Sexualidade Alheia

Senso de humor é uma coisa que as pessoas adoram. Pelo menos, elas pensam isso, mas a maioria não reconheceriam um senso de humor nem que ele saísse dançando salsa de tanguinha na frente delas. Logo, pra sua sorte, você não vai precisar de um: procure fazer insinuações de mau gosto sobre a sexualidade dos demais. Os outros gostam disso, acham hilário, por razões desconhecidas (talvez alguma questão sexual mal resolvida, seilá). Espelhe-se em programas de humor de qualidade duvidosa que costumam passar na tevê aos sábados.

Vá a Festas

Algumas vezes, quando a única coisa na televisão são programas humorísticos de qualidade duvidosa e quando não querem fazer algo de aproveitável (como tentar descobrir a cura do câncer ou escrever o próximo Nobel de literatura), as pessoas decidem se reunir em lugares distantes para ingerir quantidades vultuosas de álcool, falar mal dos outros e fazer piadinhas sobre a sexualidade alheia, tudo isso sob o som de alguma música que simule o ato sexual. Esse é o passo final da inclusão social. Sei que não parece muito divertido, mas realmente não é.

Bem-vindo à sociedade, amigo, e quando achar a porta de saída, me avise, ok?

19 de julho de 2008

Razões Para Não Escrever um Livro

livros
Creative Commons License foto de gaf.arq

Um amigo meu descobriu esse meu blog recentemente e, fascinado com minha soberba capacidade de insultar as pessoas com palavras doces, recomendou-me que escrevesse um livro. Primeiro devo esclarecer que poucos colegas meus sabem da existência do Ingenuidade, por duas razões básicas: 1) não tenho muitos amigos (por pura preguiça mesmo) e 2) não fico alardeando nem fazendo muito spam por uma questão de princípios (e preguiça mais uma vez).

Mas o fato é que esse amigo soube de meu querido espaço de opinião e me disse que eu devia escrever um livro. A idéia já me atraiu algumas vezes, mas as possibilidades atuais de um livro sair da minha cabeçinha são menores do que as da polícia do Rio acertar um tiro em alguém que não seja inocente.

A primeira causa da minha recusa é que ainda preciso melhorar. Saber colocar as vírgulas nos lugares certos e conhecer a grafia correta das palavras (ou procurá-las no Google antes de escrever) não quer dizer que eu escreva bem. Sei que tenho muito a melhorar e já estou cuidando disso: leio vários livros, busco encontrar meu estilo, faço quinhentas abdominais toda noite e como cereais no café da manhã. Tudo que um escritor campeão precisa.

Além disso, não entendo por que causa, razão ou circunstância as pessoas supervalorizam tanto os livros. Tá, livros são legais, interessantes e, como diria o velho Woody, têm o tamanho certo pra um bom calço de mesa. Adoro uma livraria e tenho mais apreço pela minha coleção de livros do que pela metade de minha família, mas acho que escrever um blog é tão digno quanto imprimir uma história qualquer em quinhentas arvores mortas.

Prefiro muito mais continuar com meu bloguinho modesto, falando o que penso muitas vezes quase sem pensar. Sou um cara de textos curtos, sabe, mas, só pra deixar claro, os textos são as minhas únicas coisas curtas, se é que você me entende.