domingo, 22 de julho de 2007
Os Destroços da Família
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Agora pouco, passando pela frente da tevê, vi uma cena que me deprimiu. Em um desses comerciais imbecis, um pai dizia ao filho que não mais daria mesada a ele. E logo aparece um gerente de um banco, surgido de Deus-sabe-onde, e dá ao filho um cartão de crédito. A partir de então, ele receberia a mesada direto na conta, pra “aprender o valor do dinheiro”.
[pausa pra rir da imbecilidade da bagaça]
Veja bem, o garoto devia ter seus 13 ou 14 anos. Uma criança - sim, uma criança e não um adolescente ou um pré-adolescente - precisa de uma conta bancária? Mesmo? Não sei vocês, mas no meu tempo criança de 13 anos tinha só moedas no bolso, junto a tampas de garrafa, bolinhas de gude e uma figurinha dos Power Rangers. Será que sou muito antigo e antiquado?
Chegamos no fundo do poço mesmo. O que aconteceu com a família? Quando foi que os pais não mais conseguiram ensinar a seus próprios filhos o valor do dinheiro? Quando foi que precisamos terceirizar a educação de nossas crianças? Quando foi que a família desmantelou-se ao ponto de não conseguir mais ensinar nada a seus membros?
Fui criado de um modo diferente, de um modo onde dar valor ao dinheiro, dar valor às pessoas, dar valor ao mundo, aprendia-se em casa. Educação, educação de verdade, nascia no seio do lar, em pequenos gestos e grandes lições. Cresci em uma casa em que os pais, menos preocupados em ganhar dinheiro, preocupavam-se com a família. Fui criado por pessoas que preferiam dar a cultura ao celular novo (e como isso por inúmeras vezes me irritou).
A família de hoje, aos meus olhos, já não é assim. Os adolescentes (pois já não existem crianças ou adultos, mas sim um único bando de adolescentes eternos) estão aí, com o dinheiro de seus pais, andando sem rumo, sem direção, caminhando hipnotizados. Os pais não querem educar seus filhos, pois pensar nos filhos tira-lhes a atenção de si mesmos; melhor deixar que outros os eduquem, que o mundo os eduque. A família, como o resto todo, já não vale nada, já nada ensina, já nada faz.
Estamos perdidos mesmo.

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