quinta-feira, 24 de maio de 2007

Olhem os Céus.

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E então, sem nenhuma razão aparente ou aviso qualquer, a Lua subiu num dourado cintilante. Amarela, ela fez seu velho caminho, sem demonstrar qualquer orgulho sobre sua nova cor. E aquele dourado vívido tomou conta das ruas, gigante.

Os pequenos humanos, na sua pálida cor, saíam às ruas para olhar e invejar a nova vestimenta do querido astro. Extasiados, deslumbradas, inebriados, encantados. Os poetas receberam aquele toque dourado de inspiração e, nervosamente, escreviam sobre a beleza do novo. Os astrônomos enlouqueciam, movendo telescópios e sinapses para entender o fenômeno. Em todas as cidades, inúmeras câmeras disputavam espaço com os olhos. Uma criança em Londres perguntou à mãe por que a Lua tornou-se um grande e redondo queijo. E choro não faltou diante da beleza única de um luar diferente.

Um velho, numa cabana de palha no interior da África, entendeu com um sorriso tão amarelo quanto o novo tom dos céus e adormeceu lentamente.

A noite caminhou lenta, a luz dourada flutuando sobre a cabeça da Terra tão azul. E ninguém dormiu só para ver, ver para crer. Mas a noite acabou e o único dourado a sobrar foi o dourado do Sol, ciumento por perder sua cor.

E ninguém mais acreditava. Os jornais encheram-se de teorias, todas tão esburacadas quanto o queijo que aquela criança agora comia, saudosa da Lua. Os céticos, tão empenhados em exercer seu papel, negavam o doce dourado da Lua. Alucinação coletiva, loucura, ilusão ótica. Tudo, menos verdade.

E, com o fim da tarde, chegou a ansiedade. E a noite e a Lua e aquele forte dourado coroando a rainha da noite.

Mais uma vez, ficaram maravilhados. Mais uma noite em claro para admirar-se e deixar-se bronzear pela mais bela noite desde a última noite, na clareza amarela da novidade.

Explicar ninguém pôde. A Lua simplesmente era toda ouro. Do dia para a noite, literalmente, uma mágica acontecera. Horas a fio em pesquisas, discussões, observações. E nada, um enigmático e incerto nada pairando sobre a cabeça de todos, como aquela luz tão nova e valiosa.

Com o tempo, pararam de perguntar-se. Uma semana, dois semanas, um mês. As noites em dourado já não davam prazer. Pararam de vê-lo. Pararam de surpreender-se. Não valia a pena passar a noite em claro. Pararam de olhar pro céu da noite. O dourado era mais um, comum, normal. E a Lua perdeu a cor, perdeu a graça. Ninguém mais a via, ninguém mais a admirava, ninguém mais a amava.

E então, sem nenhuma razão aparente ou aviso qualquer, a Lua mudou para uma nova e mais bela cor. E voltaram a olhá-la outra vez.

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