quarta-feira, 9 de abril de 2008
Não Entro em Bancos
para os comentários...
Detectores de metal são inconstitucionais. Bom, pelo menos eu acho. Com meus poucos conhecimentos de direito apreendidos por um maravilhoso curso por correspondência e diversos programas televisivos, sempre pensei que a constituição, o pedaço de papel menos lido da nação, diz alguma coisa do tipo “inocente até que se prove o contrário” ou “todo brasileiro tem direito a entrar em lugares sem que as pessoas mexam em seus objetos pessoais (como por exemplo um grande vibrador metálico que ele carrega consigo)”.
Pelo visto, os bancos provam que meu curso de direito por correspondência não era tão bom quanto disse o vendedor. Afinal, aquelas gigantes portas giratórias detectoras de metais são um modo pouco discreto de mexer em nossos objetos pessoais e ainda apontar um grande dedo invisível na nossa cara dizendo “você é suspeito até que prove o contrário”.
Pra começo de conversa, tenho direito a privacidade. Imagine que uma jovem mulher estivesse carregando em seu bolso (ou qualquer outra cavidade) um imenso vibrador metálico e precisasse entrar num banco por qualquer razão. A coitada teria que expor ali seus hábitos *cof* íntimos *cof* perante todos? Ninguém mais pode andar com um grande vibrador metálico sem que invadam essa pessoa (ela pode até gostar de ser invadida, mas não vem ao caso)?
Além disso, há essa babaquice de ter que provar que não sou um potencial assaltante de bancos. Afinal, eu nunca roubaria um banco: é claramente inviável. Sempre achei assaltos de bancos exagerados e supervalorizados. Bancos vivem lotados e, se meu curso de ladrão por correspondência estiver certo, testemunhas não são os melhores amigos dos malvados e perversos marginais.
Tem também o fato de bancos terem seguranças, cofres com senhas e a demora na fila logicamente daria tempo pra polícia chegar antes que o assalto termine, sabe. E, claro, há a pior parte dos assaltos em banco, relacionar-se com bancários, uma das raças mais torpes, maldosas e sádicas que povoam o sistema financeiro.
Mesmo assim, mesmo diante de tantas e tantas razões pra não existirem detectores de metais, eles ainda existem. Alguém pode dizer que bancos precisam disso, afinal precisam se precaver. Claro, claro. Eu em casa também preciso me precaver, mas nem por isso fico usando um método frescurento de ver o que as pessoas trazem na bolsa!
Imagine só entrar no seu médico (digamos, um proctologista, portanto conhecedor íntimo da sua pessoa) e ele passar um detector de metais em você dizendo “sabecumé, né, tem que se precaver, tem que se precaver”. Um absurdo, você dirá. Mas os bancos podem.
Por isso, por causa da inconstitucionalidade e ignorância dos detectores de metais, não entro em bancos. Por que eu entraria em alguém lugar em que tenho que provar que não vou roubar o dinheiro que estou DANDO pra eles? Por que eu me sujeitaria a ser insultado em público pela instituição que está recebendo meu pobre salário (isso é um exemplo, porque eu sou sustentado pelos meus pais)?
Não entro em bancos e te peço: NÃO ENTRE VOCÊ TAMBÉM. Lute contra o imperialismo das portas giratórias! Vença a mentalidade tola e prepotente dos grandes conglomerado financeiros! Da próxima vez que vir um detector de metais, sente-se no chão e recuse-se a sair até te passarem sem aquele ultraje à sua honra! Clame por seus direitos!

10 comentários. Viva!
Sobre comentários antigos: durante a migração do Ingenuidade para a rede Influxo.org, comentários anteriores a 2008 acabaram se perdendo. Estamos trabalhando para recuperar todos.
12 de abril de 2008 às 6:54
Infelizmente, a mentalidade tola é nossa, quando pensamos que, diante
dos bancos, temos algum direito ou valor nessa socieade. A menos que vc
me diga que faturou no último ano alguns bilhões, nem precisa ser
pessimista pra saber de que lado nossas autoridades preferem ficar.
12 de abril de 2008 às 15:42
Eu não entro mais em bancos. Toda vez que tento entrar, aquela maldita
porta giratória me barra, e a tia gorda que seria supostamente paga
para garantir alguma segurança ao local, me faz tirar o cinto. Ou tira
o cinto, ou não entra. Boicotei os bancos.
12 de abril de 2008 às 19:40
é…quem pode simplesmente ignorar algumas coisas talvez viva com mais
facilidade. Nós, de carne e osso, precisamos aturar as merdas da vida,
como os bancos, por exemplo.
12 de abril de 2008 às 22:15
Pô, wendell, a gente pode sim lutar contra esses abusos e, mais
importante, fazer eles darem um valor maior pra gente (mesmo que seja
mais do que merecemos). E se as autoridades não fazem, nós temos que
fazer.
Você pode até dizer que é impossível ficar sem entrar em bancos na vida
normal, mas eu, por exemplo, contornei o problema de um modo simples:
uma conta da Caixa. Não é propaganda nem nada, mas posso fazer tudo que
um banco faz em qualquer lotérica e sem aquelas deprimentes portas
giratórias.
O importante é lutar, mesmo que seja com arminhas de água.
12 de abril de 2008 às 23:58
Eu, particularmente, nem entro em bancos, depois da internet as coisas
ficaram incrivelmente fáceis…eu acho q estava mais perdido em
devaneios do que realmente pensando nisso. Quero mais que as pessoas se
fodam, principalmente aquelas que carregam um monte de metal no corpo.
O desrespeito da porta é o que menos me incomoda, se vc visse os juros
do Unibanco, ia entender pq akela merda “nem parece banco”.
21 de abril de 2008 às 11:01
Esclarecendo: o proctologista não é conhecedor de minha pessoa. hahaha.
E, é um saco esse detector de metais. Mesmo que todo mundo seja um
ladrão em potencial, que só precisa das circunstâncias certas, continua
sendo quase impossível roubar um banco com tantos guardas, câmeras de
segurança, etc. Logo, a porta serve pra nada. Se quiser entrar no banco
com uma arma, é só usar algum material isolante.
23 de abril de 2008 às 22:39
Nunca vi banco com detectores de metal (como aqueles usados em
concursos públicos). O que vejo são aquelas portas giratórias que
algumas vezes empenam.
Tem uma lenda que diz que na verdade são os guardas que controlam essas
portas, de acordo com o que acham de quem está tentando entrar.
Faz tempo que eu não fico lá travado, mostrando o que carrego.
Felizmente. Mas é uma forma importante de dar mais segurança ao nosso
dinheiro (que está nas agências) e do dono do banco.
É inconveniente, mas nem por isso deixa de ser necessário.
8 de maio de 2008 às 11:39
Até onde sei, a inconstitucionalidade das portas giratórias ainda não foi decretada e, portanto, ainda é passível de discussão e argumentos para que possam ser utilizadas ou não.Enquanto não se chega a um denominador comum para essa questão, não temos o que fazer, se não deixarmos nossos pertences a averiguação.Trabalho em um banco e antes que você me “xingue” (hihihi), ele não tem esse sistema de portas giratórias (um dos únicos), mas, mesmo assim, não sou contra as portas giratórias, afinal, é uma segurança, inclusive, para nós mesmos. Enquanto o banco protege o nosso dinheiro, protege seus clientes também.Bjitos!
8 de maio de 2008 às 21:57
É, Lusinha, a única coisa que as portas giratórias não protegem é
seu direito de manter as coisas que quiser dentro do seu bolso.
Ah, não, tem também aquilo de não ter que provar que não é culpado, acho que chama “presunção de inocência” ou coisa parecida, mas quem liga pra isso não é mesmo?
16 de maio de 2008 às 3:05
Algumas considerações:1) Sobre o trecho “Tem também o fato de bancos terem seguranças, cofres com senhas”: Cara, deixa de ser ganancioso e assalta os guichês. Bem mais fácil que querer adentrar o cofre. Não dá para evitar o diálogo com a raça torpe, maldosa e sádica, mas são ossos do ofício. O lado bom é que você vai assaltar o caixa, não o gerente, pois ele não sabe o comando para abrir a gaveta (era para ser uma piada, funciona como as das nossas cômodas em casa, em que guardam cuecas, meias e vibr… deixa pra lá). Talvez nem a senha do cofre ele lembre, assim como os clientes não sabem suas próprias senhas.2) Sobre a tal raça torpe, maldosa e sádica: sim, eu sou bancário também (oi Lu!) e, ainda que com uns 400 dinheiros a menos por mês, agradeço a D’us por hoje não atuar frente ao grande público. As barbaridades que já vi cliente fazer dariam um livro, mas um cara já fez isso e ainda foi no Jô, aquele puto(não o Jô, o outro). Quem sabe ainda aproveito para o meu blog, que anda às traças.3) Concordo com o apelo final. Eu mesmo não vou ao banco (quer dizer, excetuando-se o trabalho) desde que inventaram o Internet Banking. As velhinhas dizem que a gente rouba o dinheiro delas por ali, mas também são ossos do ofício. Bem que podia ser possível imprimir dinheiros em casa. 4) Quanto à solução apresentada, a de sentar no chão, acho que não surtirá efeito: já ouvi falar de senhores de idade avançada arriando as calças frente a vigilantes perplexos (eu imagino que sim). Seria mais interessante com ninfetas, mas não deixa de ser engraçado.5) Gostei do post, embora possa parecer que escrevi para defender algum banco. Se
fosse para falar sério, repetiria a frase do Thássius: “É
inconveniente, mas nem por isso deixa de ser necessário.” No mais, blog
adicionado aos favoritos, gostei da escrita. Amplexos, Márcio
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