quarta-feira, 25 de abril de 2007

Na Falta de um Nome Melhor

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Outro dia, um amigo perguntou-me a razão do nome deste blog. Fiquei extremamente surpreso pelo fato de alguém saber da existência desse blog e, mais ainda, de alguém interessar-se por este diarinho virtual tão fútil. Não fiz qualquer alarde junto a meus amigos sobre a criação desse espaço, mas obviamente o segredo sobre sua existência não demorou muito a se espalhar pelo meu amplo círculo de amizades. Aliás, nem mesmo um segredo era. Mas voltemos à questão do nome.

O nome de um blog é algo muito importante e eu sabia disto. Dediquei, então, grande parte do tempo de idealização mental desse blog (dez a onze segundos) á procura de uma denominação adequada com as minhas pretensões. Como eu não tinha pretensões algumas, a tarefa mostrou-se mais árdua do que parecia.

De início, “Ingenuidade” não seria o nome desse blog. Passei por inúmeros nomes antes de chegar a este, o que não torna esse nome necessariamente bom, que fique claro. Minha primeira idéia foi “Pelada com o Hugo”, nome maravilhoso se eu fosse abrir um blog pornográfico. O duplo sentido dá um ar de graça, mas tira toda a dignidade do blog. Não que esse blog tenha alguma.

Logo desisti do primeiro nome, afinal de blogs com, sei lá, fotos de anões albinos nus da Europa Oriental já existem aos milhões. E isso não era o que eu queria, eu queria um blog um pouco decente.

A nova idéia mostrou que nem sempre a evolução se aplica. “Jardim de Mandioca” tinha toda uma metáfora por trás, divagando sobre a fugacidade da vida, a falsidade das cidades e uma piada de duplo sentido. Desisti então das piadas e tentei um nome sério, por razões mais que óbvias.

Na Toca da Besta, Por Uma Vida Menos Ordinária, Bicicleta Ergométrica, Caos em Downtown, Berinjela Sabor Morango, Tia Filomena Sumiu!, Chinelos Vermelhos, Meio Copo de Uísque, Sorvete de Jaca, O Mundo Não Tem Originalidade, O Bunker Listrado.

Foi então que Ingenuidade apareceu. Brotando de sei-lá-onde, a idéia pareceu-me ótima. Talvez não fosse muito original ou de grande força, talvez não marcasse a mente das pessoas nem causasse espanto e surpresa. Talvez fosse um nome tolo.

Ao meu ver, contudo, tinha tudo a ver comigo.

Dirão que não sou nada ingênuo. Uma verdade, pode até ser. No fundo, porém, todos temos um quê de ingênuos, um resquício de nossa infância que quer acreditar nas pessoas, que não quer desconfiar de todos. Temos a ingenuidade de querer certezas em um mundo fugaz e traiçoeiro. Buscamos, ingenuamente, iludir-nos: crer que vivemos em uma sociedade boa. Queremos, em nossa ingenuidade infantil, ter fé nas palavras e atitudes dos outros. Somos todos um bando de ingênuos. Queremos ser ingênuos.

E cá estamos, na falta de um nome melhor.

3 comentários. Viva!

Sobre comentários antigos: durante a migração do Ingenuidade para a rede Influxo.org, comentários anteriores a 2008 acabaram se perdendo. Estamos trabalhando para recuperar todos.

  • Tainah escreveu:
    27 de abril de 2007 às 0:54

    pois eu quero ser ingênua um momentinho só, apenas o suficiente, enquanto entro no seu blog e lembro-me seu nome e logo após me vem à mente a sua pessoa. quero um pouco só de ingenuidade para me fazer acreditar que exista um hugo, mesmo que lá no fundo (ui!), ingênuo. mas eu queria tanto!

    só que companheiro, nessa vida, não nessa, ingenuidade e hugo não combinam numa mesma frase. sua explicação foi muito linda, quase chorei(!), mas foi nem um pouco plausível.

    não se tratando de vc.

  • Tainah escreveu:
    27 de abril de 2007 às 0:58

    tinha que colocara anões no meio do post né! tinha!

    berinjela sabor morango e meio copo de uísque são nomes bem sugestivos.

  • Bem vindo de volta ao lado blogueiro sa força!

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