quarta-feira, 18 de julho de 2007
Luto Pelo Brasil.
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Luto pelo Brasil. A partir de hoje, luto pelo Brasil, da mais nova hora da manhã à mais tardia hora da noite. Pois já chega de ter esperança, de crer no país do futuro, chega de fé. Minha fé já não aguenta mais levar socos, como a cara Sirlei, de ser arrastada por quilômetros fora do carro, de ser bombardeada por aviões, de ser desviada em mensalões e mensalinhos.
Pra mim, o Brasil está morto.
Não tenho mais confiança no país. Houve um tempo em que tive; ingênuo, acreditei na melhora, no futuro, no surgimento do salvador da pátria, o grande revolucionário que, surgido das cinzas de um grande desastre, a tudo mudaria, traria consigo o país do futuro. Ele não chegou.
Já chega de esperar, de aguentar calado os murros no rosto, de humilhar-se, tornar-se larva rastejante no esterco desse país. Não vou mais suportar calado, vou gritar, romper minhas cordas vocais num grito surdo de indignação, de crítica desconstrutiva, despropositada. Não quero mais ter razão, só quero ter indignação.
Já pouco me importa o futuro da nação.
Pois é esse povo, esse povo mentalmente subdesenvolvido, esse povo favelado moralmente,esse povo do qual faço parte, esse povo o culpado de tudo. Somos nós os culpados, golpeamos a Sirlei, derrubamos os aviões, arrastamos João Hélio; a cada dia que nos era dito que o Brasil estava morto, aceitávamos e reproduzíamos tal idéia, recriávamos essa realidade. Fomos nós que matamos o Brasil.
Não mais culpemos o Lula, a Globo ou uma sexóloga desequilibrada. São unicamente os ícones da demência de um povo, os símbolos constituídos da imbecilidade que toma conta da nação por todos os lados. Quem é Lula? O Filho Verdadeiro da, entre outras mil, Pátria Amada, o reflexo de um povo, de uma realidade.
Matamos o Brasil.
E agora estou de luto. Um luto não negro, mas vermelho. Vermelho, pois já chega de aguentar. É hora de ver sangue, tingir as ruas de sangue, tingir o verde a amarelo com o vermelho da dor. É hora do povo agonizar, mais e mais, revirar-se na dor de seus próprios erros. Vou, feito personagem de livro, cobrar a dívida social nunca debitada, cobrar de tudo e todos. E a sociedade vai pagar.
Já não tenho mais esperança, já não tenho mais fé, já se acabou o meu ópio. Resta-me só a raiva. Estou de luto pelo Brasil e hoje luto contra o Brasil.

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