quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Kung Fu Fighting

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Certa vez entrei em um curso intensivo de boxe literário, em que aprendíamos, entre uma metáfora e um gancho de esquerda, como dar socos no estômago do leitor logo no primeiro parágrafo.

Um amigo me indicara e eu realmente precisava de algo pra ocupar meu tempo: era só um hobby, podia ser tricô, ativismo político ou confecção daqueles artesanatos que a sua tia rica sempre te traz quando volta de viagem de algum lugar exótico como alguma ilha da Micronésia ou o Acre, mas foi boxe literário, um esporte novo e excitante. 

Na verdade, me inscrevi pela mesma razão da maioria da ações de qualquer homem: uma garota. Não me pergunte que tipo de garota perturbada e cheia de problemas emocionais faz aulas de boxe literário, só saiba que valia a pena.

Mas, depois que, num embate,  tirei dela seu gosto por sinestesias e dois dentes, meu objetivo inicial tornou-se meio inalcançável e a motivação diminuiu, ao contrário do número de hematomas pelo meu corpo. 

Sai do curso pouco tempo depois, sem deixar de levar pra toda a vida um sábio ensinamento de meu meio deformado por socos ex-mestre: “proteja o rosto e a gramática, imbecil“. Nunca simpatizei muito com a gramática e nem busquei tanto protegê-la (como você podem notar em meus textos), mas meu nariz se livrou de uns belos sangramentos graças às palavras de meu sensei.

Hoje já deixei de lado esportes, em parte porque não conheci mais garotas interessantes e em parte porque o dano cerebral ainda me impede de mobilizar alguns músculos ou manter minha saliva dentro da boca. Pelo menos ainda posso fazer tricô (se eu soubesse, é claro).

4 comentários. Viva!

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