domingo, 19 de abril de 2009
Embrace Change
para os comentários...
Fiz minha mudança nesse feriado. Agora moro no nono andar, um pouco mais perto do céu e da total falência – afinal mudar de apartamento envolve uma considerável quantia de dinheiro, ligações telefônicas e saco. Por exemplo, acabei de abrir a última caixa da mudança, só pra perceber que meu carregador de celular ficou no antigo apartamento, junto da minha dignidade. Coisas que a imobiliária me tirou e provavelmente nunca terei de volta (exceto pagando uma taxa qualquer).
Não que eu não aprecie o fato de ter mudado. Era necessário. Como um exame de próstata: você sabe que precisa, adia ao máximo, mas no fim das contas sempre acaba se fudendo. Não que eu tenha experiência no assunto, claro, mas isso é outra história.
Veja bem, amigo, quando me mudei pro meu antigo apartamento, eu tava com pressa. Era sexta-feira, minha faculdade começava na segunda e, se não fosse aquele apartamento, eu teria que ficar procurando por jornais para me servir de cobertor durante a noite. Então, a primeira coisa que apareceu pareceu uma mansão no topo de um morro afastado, com dezenas de empregadas filipinas nuas.
Acabou que meu antigo apartamento era, como dizem por aí, uma porcaria. Eu não ligava pro espaço apertado, não preciso de nada que seja maior do que minhas duas mudas de roupa, meu computador e meu videogame, mas o problema era o elevador. Ou melhor, a falta de existência do elevador.
Taí uma daquelas idéias que parecem geniais na hora, mas depois se mostram uma merda, como o comunismo ou assistir um Filme do Eddie Murphy. No começo, você pensa: “vai sair mais barato e ainda vou fazer exercícios!”. Na segunda vez, você pensa: “calma, só faltam dois lances de escada”. Da terceira vez em diante você só consegue subir enquanto imagina os modos mais sádicos e dolorosos de incomodar o féladaputa que teve a maldita idéia de alugar um apartamento no terceiro andar de um prédio sem elevador, e aí lembra que é você mesmo e seu castigo tá mais que cumprido.
Imagine descer uma geladeira do terceiro andar de um prédio sem elevador e você vai ter uma idéia do porquê de eu odiar mudanças e mesmo assim ser obrigado a fazê-las.
Pior ainda que mudanças são os aproveitadores, sempre prontos a tentar retirar de nós, pobres inocentes, as maiores quantias de dinheiro possíveis (uns dez reais, no meu caso). O melhor exemplo é a taxa de mudança. Você sabe, aquela dinherama que você paga ao síndico do seu prédio quando você muda PRA ELE NÃO FAZER ABSOLUTAMENTE NADA. Issae, você vai pagar uma taxa e o cara não vai mover a bunda da cadeira pra te ajudar. Você paga e não recebe nem um único mísero benefício de volta.
E por quê? POR RAZÃO NENHUMA. Quando eu fui reclamar com o meu síndico, o que ele me diz é que a taxa existe pro caso de eu danificar o imóvel de algum modo durante a mudança. Riscar uma parede, quebrar o corrimão da escada, urinar na porta do apartamento do síndico, essas coisas. Uma espécie de taxa preventiva.
Perfeitamente racional, né? NOT! Vamos dizer que eu, durante a mudança, realmente danifique algo, algo bem caro, sujo valor excedesse o valor da tal tarifa. Eu teria que, além de pagar a taxa de mudança, reembolsar o restante pro prédio, não? Então, não seria plausível que, caso eu NÃO fizesse tal dano para o qual a taxa de mudança é uma garantia, eu fosse reembolsado?
Não na lógica maluca, perversa e mesquinha dos síndicos, meus caros. E cá estou eu, muito menos rico.
Por essa razão (e algumas outras), prometi a mim mesmo, como nunca havia feito antes, que mudar nunca mais. Aconteça o que acontecer, haja o que houver, deva o quanto dever, não mais sairei de meu presente lar, mesmo que eu tenha que me amarrar à privada, prender sacos de chumbo aos meus tonozelos, trancar a porta e cantarolar uma canção enquanto tentam me despejar. MUDANÇA NÃO!
A não ser, é claro, que eu descubra que o prédio foi construído pelo Sérgio Naya, o que espero não ser o caso.

3 comentários. Viva!
Sobre comentários antigos: durante a migração do Ingenuidade para a rede Influxo.org, comentários anteriores a 2008 acabaram se perdendo. Estamos trabalhando para recuperar todos.
20 de abril de 2009 às 1:05
Cara, eu me mudaria SEM pagar a taxa de mudança. O que o síndico faria comigo? Iria me segurar lá? Me impedir de retirar meus bens? O primeiro caso é cárcere privado, o segundo é chamado de apropriação indébita, mais conhecida como roubo.Garanto que as duas penas são muito piores do que a de não pagar uma merda de taxa de mudança que eu tenho – quase – certeza que não é obrigatória ou amparada por qualquer lei já escrita nesse país.
20 de abril de 2009 às 2:35
Não ta na constituição não vale nada, não devia ter pago se de fato não fez nenhum arranhãozinho na parede…
mas vem cá pra conseguir essa proeza só se sua mobilia for realmente um videogame e um computador convenhamos descer o sofá com toda a certeza sujou a parede, então seu bolso já pode dormir em paz… sabemos que o dinheiro não vai ser usado pra isso, mas ao menos é uma boa desculpa para a sua própria consciencia. rs
21 de abril de 2009 às 1:47
Não há leia que assegure que você tenha que pagar a tal taxa. Eu não pagaria.
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