segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Duas Décadas

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Existem essas pessoas que dizem que aniversários são besteiras. Afinal, qual a importância de mais uma volta em torno de uma estrela de quinta grandeza que fica numa região afastada da Via Láctea, a galáxia mais chata do Universo desde que Andrômeda abriu um parque temático? Eu até entendo esse ponto de vista, mas vou te dizer que estou do lado contrário.

Aniversários são muito importantes.

Tá, é só mais uma volta em torno do Sol. Mais trezentos e sessenta e cinco dias (mais um nos bissextos) sobrevivendo. Cara, você não vê a beleza disso? Olha, por exemplo, aquela sua prima de dezenove anos que acabou de tirar a carteira de motorista. Aliás, olha pra metade das pessoas que têm uma habilitação pra dirigir. Não me entenda mal, mas eles são completos imbecis. É gente que é fã da Claúdia Leite, fica cinco horas no orkut e briga com você por não ter recebido um recado seu  no Dia do Amigo.

Sobreviver por mais um ano em um mundo em que damos volantes nas mãos de pessoas que acham que a homeopatia vai ajudar contra a gripe suína é sim um fato de grande relevância.

E não é só o trânsito, amigo. A cada dia surgem formas mais cruéis e criativas de ceifar a tua existência na Terra, sejam elas por meio da gripe suína, do direito ao porte de armas ou da hélice de um avião mono-motor. É como se deus tivesse usado todo o sétimo dia inteiro só pra planejar como iria te matar. E ele não tivesse parado de fazer isso desde então.

Não é questão de comemorar o dia em que você adentrou no mundo, mas sim de saber que você se desviou de todas as balas perdidas, se curou de todas as doenças mortais e escapou de todas as locomotivas desgovernadas e pegando fogo que vinham em sua direção.

Não é pouco.

Além disso, tem os presentes. Correndo o risco de parecer uma putinha egoísta e apegada a bens, presentes são muito legais. Tá, aquele DVD de Marley & Eu que você deu pro seu pai não é tão legal, mas às vezes, com alguma sorte, as pessoas acertam. Principalmente quando você está do lado delas as cutucando, apontando a coisa e gritando “Esse, esse aqui ó”. E aí os aniversários valem a pena mesmo.

Tá, aquela velha babaquice de “tudo de bom, felicidades, uma vida longa e uma morte sem dor” é bem chata, mas é suportável, principalmente se seguida de uma boa quantia em dinheiro ou <risca>um par de meias transado<risca> um litro de uísque.

Então, sim, as causas de morte, os presentes e o brigadeiro (se você tiver menos de 10 anos de idade, ou de mentalidade, como eu) tornam aniversários eventos marcantes.

Principalmente se for um aniversário de vinte anos, como é o meu hoje.

Duas décadas é tempo pra caraleo. E saber que eu sobrevivi durante esse tempo todo sem perder um membro, a sanidade ou a invencibilidade no gamão é algo de valor, amigo. Vinte anos sem ter contraído dívidas, me metido em uma briga ou ido a uma micareta então é um motivo de orgulho. É muito mais do que a maioria das pessoas já conseguiu, cara.

Então por hoje vou ficar feliz, tirar o dia de folga e ir ali planejar como vou me divertir nos próximos vinte anos. Porque, no fim das contas, de que adianta sobreviver sem se entreter?

3 comentários. Viva!

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