sábado, 16 de agosto de 2008

Dá Uma Apertadinha Aí, Gente

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O pedestre, certas vezes, tem que cruzar distâncias maiores que as suportadas por seus pobres pés com havaianas. É então hora de refletir se os fins justificam os meios e adentrar o temível transporte coletivo.

Eu, como vocês já viram, sou um desses nobres desprovidos de carro próprio. Nem mesmo possuo uma moto, bicicleta, patins ou monociclo e, no entanto, tenho que locomover-me diariamente a lugares tão distantes quanto o Eddie Murphy está de filmes decentes. Sendo tais distâncias maiores que minha capacidade atlética (ou seja, uma quadra e meia), estou fadado a usar o sistema de transporte urbano.

Não pense, porém, que tenho vergonha de usar dos serviços dos honrosos ônibus. Não há lugar melhor para conhecer diferentes pessoas, diferentes culturas, diferentes idéias e sonhos, diferentes odores corporais e diferentes doenças, cada uma tão única em seu modo tão particular. É a democracia e a diversidade finalmente unidas (e apertadas uma contra a outra).

Admiro o usuário do transporte coletivo. O adepto do ônibus é, antes de tudo, um pobre forte. Não é acomodado e esbanjador como o homem do carro próprio. Contribui menos para o aquecimento global, faz mais exercícios e possui um sistema imunológico capaz de enfrentar desde o vírus da gripe até o Ebola.

Tenho, aliás, a certeza que as curas da AIDS, do câncer e da unha encravada serão encontradas em um ônibus qualquer, numa bela tarde de segunda-feira, provavelmente debaixo da axila de algum daqueles gigantes musculosos ou no bigode de alguma senhora idosa.

Tenho sim orgulho de usar o transporte coletivo.

Mas tem horas que a situação aperta, nos sentidos mais literais e anatômicos possíveis. Imagine um dessas micaretas do carnaval de Salvador, retire os trios elétricos, os cantores, as bebidas e praticamente tudo que define uma micareta exceto a quantidade fisicamente incompatível de pessoas e o contato corporal íntimo.

E, nestes momentos, quando há pessoas em todas as posicões que o Kama Sutra descreve, quando mesmo o ar foi ocupado por seres humanos, quando algum dos seus órgãos internos já foi lesionado pela pressão, nesse instante quase eterno, levanta-se lá na frente a sádica e infernal figura do cobrador e, com um sorriso interno de regojizo, deixa sair de sua boca as fatídicas palavras: “dá uma apertadinha aí, gente”.

Triste. Triste.

Mas em breve me verei livre de tal situação, amigos. Mamãe já deu a palavra: no ano que vem, talvez, quem sabe, se der, na sorte, ela ganha na loteria e me dá um par de patins esperto.

Cruzem os dedos aí e torçam, ok?

2 comentários. Viva!

Sobre comentários antigos: durante a migração do Ingenuidade para a rede Influxo.org, comentários anteriores a 2008 acabaram se perdendo. Estamos trabalhando para recuperar todos.

  • mêêêo,,sério..tenho medo de andar de ônibus, porque a gente encontra cada coisa bizarra dentro de um ônibus, e agora imagina dentro de um terminal ;Oséério, tenho medo :Sasuhsauhsahsauhsauhsahusauhsahuusah,.,.abraço!

  • Transporte coletivo é difícil. Na verdade, tudo que precisa de um bom senso coletivo é sempre muito difícil. Tomara que um dia isso não venha mais acontecer, mas também não acredito em milagres.Ah, antes que me esqueça: boa sorte com a tua mãe e os patins. hehehe

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