domingo, 27 de janeiro de 2008
Coisas-Que-Me-Fazem-Pensar
para os comentários...
Juliana é uma amiga minha com uma mania muito irritante: diz que só gosta de “Coisas-Que-Me-Fazem-Pensar”. Segundo ela, só lê livros que a fazem refletir sobre a Vida, o Universo e Tudo Mais. Filmes? Só se forem profundos, dotados de uma delicada análise da condição humana e BLÁ BLÁ BLÁ. Televisão ela obviamente repudia em todos os níveis, afirmando veemente que “só traz programas imbecis e manipula as opiniões das massas”.
Meu amigo, sou só eu que acha isso digno da mais sincera pena? Até entendo o gosto por “Coisas-Que-Me-Fazem-Pensar”, eu mesmo sou um fã de algumas delas. Mas não vejo o mínimo sentido nesse extremismo contra os filmes descerebrados, os livros vazios, os programas de tevê imbecis.
Primeiro que acredito que Juliana não precisa de música ou livros pra fazê-la pensar. Nada mais besta. Pensar você faz por conta própria, não vai ser um filme qualquer que vai dar o estalo inicial das suas sinapses, forçar seus pequenos neurônios a entrar em atividade. Juliana, como qualquer um por aí, pode muito bem pensar sem a ajuda de “Coisas-Que-Me-Fazem-Pensar”.
Mas o que me irrita mesmo, o que me faz levantar a voz aos Céus pedindo que um raio ou meteoro varra minha existência do planeta pra que eu não tenha que ouvir essas besteiras, é Juliana crer fielmente que não possa pensar com aquela ridícula comédia romântica reprisada pela enésima vez (essa semana). Tudo que você recebe tem o valor que você dá, sempre foi meu pensamento.
De nada valeria o livro mais profundo, o filme mais tocante, a música mais questionadora, o programa de tevê mais inteligente, se você não conseguir aproveitá-lo.
Na verdade, não existem “Coisas-Que-Me-Fazem-Pensar” e “Coisas-Que-Não-Me-Fazem-Pensar”. Só existem mesmo quem pensa e quem não pensa. O resto é besteira.

4 comentários. Viva!
Sobre comentários antigos: durante a migração do Ingenuidade para a rede Influxo.org, comentários anteriores a 2008 acabaram se perdendo. Estamos trabalhando para recuperar todos.
28 de janeiro de 2008 às 13:40
Era “Pretty Woman”?
Se for pode dar um desconto.
30 de janeiro de 2008 às 11:54
Todo o extremismo da em merda.
31 de janeiro de 2008 às 22:50
Nossa…
Eu entendo esse ódio mortal por essa mania aee! rs
Conheço muitos pseudo-intelectuais! Ó se conheço!
Eu gosto de quase tudo! Acho tão mais simples! Filmes e músicas que não me elevam a um delirio mental tb são bem vindos! às vezes!
Como eu disse… “quase” tudo!
Beijos!
9 de setembro de 2008 às 17:41
É isso ai! Pensamos mesmo quando não queremos pensar.Isso já é um pensamento. Somos pensantes desde que aprendemos a falar. Então essa idéia de intectualismo forçado é errada, ao meu ver. Acho que é mais um sub-produto de um mundo mergulhado no caos de pessoas que se atrelam a idéias formadas e divulgadas como verdades absolutas! O seu trabalho é muto bom!Parabens!
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