segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Celulares, Paleolítico e Com O Que Se Preocupar
para os comentários...
Outro dia, no meio de uma conversa sobre qualquer coisa, um amigo meu disse:
“Hugo, se a gente vivesse no paleolítico, você não durava dois segundos. “
Sim, a conversa era intercalada com consumo de dorgas manow lol!!11. Ou pelo menos essa é a única explicação plausível pra alguém chegar nessa conclusão. Mesmo assim, deixei ele explicar mais, só pra ver até onde os efeitos alucinógenos iriam.
“Olha só, o que você faz, cara? Você, seilá, estuda. E posta no twitter. E assiste um milhão de séries. E visita 42 sites por minutos. E odeia a raça humana.”
Quando você vê sua vida resumida em algumas palavras assim, nem parece tão divertido quanto é.
“Nem me lembro da última vez que vi você fazendo alguma coisa que minimamente lembrasse uma habilidade útil”
Não concordo. Teve aquele vez que aprendi como consertar um carro. Tá, era um carro pequeno. Uma moto, uma moto. Ok, era uma bicicleta. Tudo bem, eu sei, só vi consertarem… Num curso por correspondência. Mesmo assim, não concordo.
“O que quero dizer é: se a gente vivesse no paleolítico, o que diabos você ia fazer? Entrar na faculdade que não existe? Ficar falando em voz alta o que você está fazendo? Apreciar pinturas de cavernas? Escrever um post de doze parágrafos em uma pedra pra dizer como você acha essa moda de pedra polida uma babaquice?“
Ok, analogia levada longe demais.
“Enfim. Se a gente vivesse no paleolítico, você não durava dois segundos, cara.”
Claro, concordo em gênero, número e dose de psicotrópicos. Não tenho mesmo nenhuma habilidade que me faria sobreviver no Paleolítico. Não sei matar mamutes, confeccionar armas ou grunhir. Nos últimos dias, cheguei até mesmo à incrível conclusão de que nem correr eu sei mais.
Mas a coisa é que, a menos que se abra uma fenda no contínuo espaço-tempo que rompa a fábrica do Universo e ela aparece bem na porta do meu apartamento, eu não vivo e nem viverei no Paleolítico. Se o Universo assim permitir, eu provavelmente nunca estarei em algum lugar a mais de 1km de distância de um supermercado, lan house ou shopping.
Então por que diabos me preocupar com o que aconteceria se eu vivesse no Paleolítico?
É que nem me falaram sobre meu celular outro dia. Sobre como eu sou dependente do meu celular. Como eu não sei fazer multiplicações com números de mais de dois algarismos sem a calculadora o celular. Como eu não decoro nenhum número de telefone por causa da agenda do meu celular.
Eu faço isso simplesmente porque eu posso, porra. Se dá pra facilitar a vida, pra que complicar?
“Ah, Hugo, e se um dia seu celular pifar? Ficar dependente de aparelhos eletrônicos é uma furada.”
Cara, só pedir emprestado pro resto de 180 milhões de pessoas com celular no Brasil. E loja de celular tem em cada esquina, mano, só não bate pet shop, lan houses e estacionamentos.
“Ah, mas e se um dia você ficar perdido na mata e a bateria do celular acabar? E se todos os celulares do mundo subitamente pararem de funcionar? E aí, hein? HEIN?”
Pô, só pode ser brincadeira. Se um dia eu ficar perdido na mata e minha vida depender urgentemente de uma multiplicação com números de mais de dois algarismos, é isso? Well, fuck, então nesse dia vou me ferrar mesmo.
Mas sabe do que mais, ISSO SIMPLESMENTE NÃO VAI ACONTECER.
Isso aqui não é novela nem filme, cara. Ninguém vai se perder na floresta, no deserto ou numa ilha repleta de dinossauros, ninguém vai viver no paleolítico, nenhum pulso eletromagnético destruirá todos os eletrônicos do planeta, a Skynet não vai atacar, a Matrix não será criada, ninguém vai cair na ilha de Lost, o aquecimento global não vai derreter as calotas polares, os alienígenas não vão dar as caras tão cedo e nunca, NUNCA a habilidade de decorar os números de telefone da sua agenda salvará a sua vida.
Não sei que diabos é o problema das pessoas com depender de outras coisas. Que orgulho babaca é esse de não precisar de uma calculadora pra dividir? Que medinho é esse de não saber caçar um mamute?
Os eletrônicos podem te deixar na mão? Sim, claro. Mas só até a assistência técnica chegar, cara. Vamos deixar as máquinas fazerem os trabalhos braçais e vamos nos preocupar com o que realmente importa, ok?

7 comentários. Viva!
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5 de outubro de 2009 às 21:28
Ah, e você esqueceu de citar que o nosso querido planeta terra vai acabar em 2012! UHUU! Porque? Ah, simplesmente tão fazendo um filme aê que fala isso, decidi acreditar!
KKK, mas então né… cara, já que o mundo vai acabar em 2012, porque diabos você ainda não caçou eu mamute? Tá perdendo o lado bom da vida, meu! E outra, caso não ache um mamute, o Eddie Murphy também merece ser extinto do planeta, hã.Abraços.
5 de outubro de 2009 às 21:54
Caramba.. fiquei pensando: o que seria pior? Viver no paleolítico ou sem celular?Tá, não precisa me xingar (já tem gente na sala que pode fazer – e faz – isso por você) – eu li o post e sei que não viveremos no paleolítico – mas tenho quase certeza que nossos decentes vão viver em algo muito parecido =D
6 de outubro de 2009 às 20:25
Cara, paleolítico e sem celulares não são mutuamente exclusivos, né? Então a resposta é fácil.
7 de outubro de 2009 às 19:59
Que bom que todo mundo consegue enxergar o óbvio…
12 de outubro de 2009 às 9:59
Hnf, pessoal sem senso de humor =/
18 de novembro de 2009 às 20:46
abandonou.
18 de novembro de 2009 às 20:47
Publicidade do crep’s aqui, há
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