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quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Eles não vêem.

No jardim de flores brancas, a velha cadeira de balanço. Parada. E a brisa de inverno vinha fria, tocando de leve os pilares de casa e o rosto da mulher. Ela sentou no chão, aquele chão fofo e úmido do jardim, cruzou as pernas sobre a relva, não sem sentir uma pequena dor na coluna. [...]

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terça-feira, 14 de agosto de 2007

Onde está o ódio?

Mas o Sol sorria intenso. E seus raios tocavam o corpo do homem, iluminando-o, aquecendo-o, queimando-o. O suor caminhava pelo pescoço, incerto e receoso. As mãos estrangulavam nervosamente o volante do carro, aquele carro lento demais pelas ruas lentas da cidade mais lenta do estado, talvez do país. O homem, sentado na sua raiva contida [...]

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terça-feira, 24 de julho de 2007

Curitiba, 22 de Novembro de 2005

Cara Luísa,
A casa escura assiste-me escrevendo essa carta, debruçado sobre a escrivaninha de madeira de lei, a escrivaninha que você tanto adorava. Alguns livros continuam repousando sobre o chão, em pilhas aleatórias por todo o quarto, colocadas aqui e ali, criando aquele ar de desordem e aquele cheiro de páginas antigas que tanto apreciamos. Estou [...]

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quarta-feira, 18 de julho de 2007

Luto Pelo Brasil.

Luto pelo Brasil. A partir de hoje, luto pelo Brasil, da mais nova hora da manhã à mais tardia hora da noite. Pois já chega de ter esperança, de crer no país do futuro, chega de fé. Minha fé já não aguenta mais levar socos, como a cara Sirlei, de ser arrastada por quilômetros [...]

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segunda-feira, 2 de julho de 2007

O Caçador de Borboletas Azuis

Era oco. Sentia não ter entranhas, coração, mente. Não havia tempo para entranhas, entranhas não alimentam as crianças. Sentimentos são bonitos, beleza, porém, é desperdício. Melhor ser mediano, sensato, submisso. Era oco. Só lhe sobrava aquele vazio branco, pingando dentro de sua casca de homem.
E um dia, no lago acinzentado e mecânico, apareceu uma borboleta [...]

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