quarta-feira, 4 de abril de 2007

Cadê tu, Liberdade?

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Liberdade, onde estás, ó Liberdade? Onde foi que se meteu? Meu livre arbítrio, tão cantado na constituição, é uma simples ilusão, uma grande besteira. Minha liberdade foi comprar cigarro e ainda não voltou. Faz uns belos dez anos, aliás. Não é preciso muito para notar o fim do direito de escolha, ou pelo menos o seu cerceamento.

Antes que algum fanático venha falar-me sobre o quanto estou errado, vou explicar-me. E para tal vou narrar um episódio vivido há alguns dias.

Meu primo e eu, ávidos por uma comida mortalmente gordurosa e nada saudável, fomos direto à fonte: o McDonalds.

Adoro o McDonalds, devo dizer. O lanche pode ser pequeno, caro, prejudicial à saúde e feito com carne de minhoca, porém ainda é saboroso ao extremo. Aqueles que preferem quantidade à qualidade certamente não apreciam aquelas batatas maravilhosas, mas qualquer um em são consciência ama muito tudo aquilo.

Lá fomos os dois amantes de doses cavalares de gordura e logo pedimos nosso pedido (com o perdão da redundância) predileto: um suculento Big Tasty com Coca e batatas grandes. Devo dizer que há tempos o Big Tasty conquistou um lugar entre minhas comidas favoritas. Toda vez que vou à famigerada lanchonete, essa é minha opção. Alguns segundos depois do pedido, desembolçamos uma quantidade obscena de dinheiro pela refeição, com muita satisfação, aliás.

Ao sentar na mesa, logo nos lembramos de algo lido em uma dessas revistas semanais porcarias que circulam por toda a nação: algo mudara no McDonalds. Se não me engano, duas páginas nas grandes revistas de circulação nacional alertavam o povo brasileiro sobre “as melhorias” implementadas pelo Ronald. Graças a certos investimento e um medo de ser processada por engordar os outros, a empresa conseguiu retirar grande parte das gorduras trans de suas ofertas.

Deus! Como isso é possível? Quem foi o maluco que tirou a gordura do McDonalds? O Big Tasty, antes pingando gordura trans, nem mesmo chegava a 2 gramas da maldita mais! E as batatas! As antigas campeãs de infartos agudos do miocárdio agora não tinham sequer uma gramazinha de gordura trans!

A cada dia, as gorduras trans são mais segregadas: salgadinhos, margarinas, lanches de fast-food, nada mais traz as tão repudiadas gorduras. Mas e o meu direito de ingeri-las? E se eu quero ingeri-las? Não tenho direito de causar um dano quase irreparável ao meu corpo?

Indignados com o cerceamento de nosso direito de ingerir comidas prejudiciais ao nosso organismo, fomos logo reclamar.

- Quero a minha McOferta com gordura trans, por favor.
- Senhor, isto não é possível.
- Como não é possível? Até outro dia vocês tinham mais gordura que a minha tia Filomena!
- Novas políticas da empresa, senhor.
- EU SÓ QUERO INTOXICAR-ME COM GORDURAS TRANS! É O MEU DIREITO! O CORPO É MEU! DÊ-ME MINHA GORDURA TRANS!

Expulsos de lá pelos seguranças, meu primo e eu sentamos na calçada, desolados. Enquanto víamos o sol se pôr, percebemos então que mais uma vez nossa liberdade foi tirada. Deprimidos com a perspectiva de nunca mais ingerir uma gordura trans, ficamos ali, repudiando esses novos tempos de lanches naturebas e quinhentas abdominais de manhã.

1 comentário

Sobre comentários antigos: durante a migração do Ingenuidade para a rede Influxo.org, comentários anteriores a 2008 acabaram se perdendo. Estamos trabalhando para recuperar todos.

  • André Lasak escreveu:
    5 de abril de 2007 às 10:35

    Agradeço pelo elogio, Hugo!

    Volte sempre que puder no Quimera Ufana pra tomar um cafezinho, viu?

    ABRAÇÃO!

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