quarta-feira, 20 de agosto de 2008

As Frustrações de Sábado de Manhã

Ir direto
para os comentários...

As pessoas possuem muitos hábitos de sábado de manhã. Há aqueles que faxinam a casa, os que assistem desenhos, os que dormem até tarde para curar a ressaca, os que praticam esportes (caminhada, peteca, passa-anel, cabo-de-guerra, etc) e há até mesmo aqueles que, Deus me livre, trabalham. Já eu prefiro caminhar no calçadão de Londrina.

Veja bem, meu amigo, eu disse caminhar. Não vou ao calçadão com o intuito de gastar a fortuna que não tenho em lojas de roupas e eletrodomésticos, muito menos vou pra lá pra, Deus me livre, trabalhar. Gosto simplesmente de andar sem rumo, olhando as vitrines e as pessoas (algumas muito bonitas, outras nem tanto), conhecendo Londrina.

Você pode não saber mas ouvir de mim uma frase que possua “gosto” e “andar” é um evento tão raro quanto um filme bom do Eddie Murphy, um político honesto e uma loira inteligente juntos e dançando mambo só de tanguinha. Sou o rei dos sedentários: se bem me lembro, a última vez em que pratiquei um esporte foi quando eu tinha 11 anos, joguei só dez minutos e ainda era uma partida de tênis de mesa que, convenhamos, nem se enquadra direito como um esporte de verdade. E mesmo assim, mesmo tendo a vitalidade de um octogenário bêbado, meu maior prazer de sábado de manhã é andar no Calçadão da Pequena Londres.

Não sei bem explicar por que gosto tanto de caminhar pelas ruas londrinenses, mas posso, com certeza, dizer algo que me angustia enquanto dou meus passos pelo Centro: campanhas de publicidade. Mais especificamente aquelas pessoas que tentam te parar na rua para oferecer o cartão de crédito tal ou para perguntar se você já conhece os serviços de tal loja.

Não que eu não goste desses caras, entendo que eles estão só garantindo o leitinho das crianças. Meu problema com eles, aliás, é justamente o contrário do da maioria: nunca fui parado por um propagandistas.

Saiba, meu amigo, que tenho poucas frustrações na vida, como nunca ter ganhado na loteria, sido um Power Ranger ou experimentado sorvete de pistache. E uma de minhas maiores tristezas, uma decepção amarga e maluca é em nenhuma ocasião ter sido abordado por alguém que me oferecesse crédito especial ou a salvação por meio da Bíblia.

Deve ser a minha cara pouco simpática ou talvez, seilá, preconceito com a minha cor. Minha vontade é de parar um desses caras, balançá-lo fortemente e perguntar, com a convicção que anos sem propaganda me deram: “Por que não eu? O que eles têm que eu não tenho? Por que diabos você não me pára?”.

Nunca fiz isso, claro, afinal entendo que há dores maiores na vida, como, Deus me livre, trabalho.

2 comentários. Viva!

Sobre comentários antigos: durante a migração do Ingenuidade para a rede Influxo.org, comentários anteriores a 2008 acabaram se perdendo. Estamos trabalhando para recuperar todos.

Deixar comentário