segunda-feira, 28 de julho de 2008
As Belezas do Problem Based Learning
para os comentários...
Estudar medicina na Universidade Estadual de Londrina tem seus prazeres, e nem estou falando do fato de não ter que pagar mensalidade porque o dinheiro vem todo do bolso dos contribuintes. O que é bastante agradável é o método de ensino.
Já conhecem o método PBL daqui da UEL? É o ensino baseado em problemas, uma metodologia menos centrada em algum professor arrogante vomitando matéria sobre o aluno e mais voltado a grupos pequenos de alunos arrogantes vomitando matéria uns sobre os outros. São os tutoriais.
Funciona mais ou menos desse modo: você mistura em uma saleta minúscula oito alunos que provavelmente se odeiam , acrescenta um docente que supervisiona a coisa toda (geralmente dormindo, atendendo o celular ou lendo seu horóscopo), dá um problema no qual os alunos devem basear seus estudos e economiza uma dinheirama absurda (que, ao invés de ser gasta em aulas de verdade, pode comprar aquele bracelete de ouro branco que mulher do reitor simplesmente A-D-O-R-O-U). A cada “módulo” o grupo muda, dando mais dinamicidade a tudo e evitando que alguém perfure a jugular do outro com uma caneta.
É um sistema interessante pois, em vez de trancar os alunos por 23 horas seguidas em salas de aulas com professores desequilibrados, a universidade nos dá chance e tempo de construir um método de estudo e descoberta de conhecimento próprio e auto-regrado (o que geralmente dá em merda).
Confesso que gosto bastante do método. O tutorial é um modelo legal de aprendizado por dar uma boa oportunidade de discutir, expandir idéias e sair no tapa com várias pessoas diferentes, além de ser uma forma muito melhor de memorização. As aulas que temos (afinal nem só de tutorial vive o método) procuram sempre completar o conteúdo, garantindo uma combinação de fatores propícia pro desenvolvimento intelectual do aluno.
Mas o que mais gosto nessa metodologia, o que mais me dá prazer e satisfação, o que me agradecer todos os dias por ter entrado na UEL, o que torna esse curso diferente de todos os outros é algo simples e maravilhoso: amanhã não tenho aula de manhã. É o fantástico, inigualável, insuperável, sensacional, sumpimpão estudo orientado, uma janela de tempo livre supostamente dado pro aluno estudar a matéria sobre a qual terá que divagar no tutorial, mas convenhamos que o estudo orientado pode ser usado de modos muito mais divertidos.
Fala se não é uma delícia?
Bom, até seria se não fosse o meu curso. Qualquer aluno de outro curso, depois de perguntado o que faria em uma manhã fria, aconchegante e sem aula diria coisas como “dormir, procriar, assistir um filme do Eddie Murphy”. Mas o aluno de medicina não. Encurralado pela mesma pergunta, o pobre futuro médico hesitará, desviará os olhos e gaguejará, incerto, a fatídica palavra: “Estudar.”
Agora me diz se gente que acorda em manhãs de inverno mesmo quando não tem aulas não são desequilibrados. Aliás, após seis meses nesse curso, posso afirmar com toda certeza: quem faz medicina ou não tem nem um pouquinho de estabilidade emocional ou foi abusado na infância.
Faço parte do primeiro grupo, viu, só pra deixar claro.

4 comentários. Viva!
Sobre comentários antigos: durante a migração do Ingenuidade para a rede Influxo.org, comentários anteriores a 2008 acabaram se perdendo. Estamos trabalhando para recuperar todos.
28 de julho de 2008 às 23:58
Vc faz medicina na UEL e ainda tem tempo pra administrar um blog?
vc deve ser dakeles q nem estudam e tiram nota..
q inveja ;).. mas eh aquela inveja positiva sabe..
Parabéns.. de verdade msm..
bjoo
29 de julho de 2008 às 13:29
Cara… muito show esse post…
PS: essa semana ainda eu mando um aviso sobre os prazos da coluna da primeira edição da The Wall.
29 de julho de 2008 às 14:02
Você foi abusado, certeza.
29 de julho de 2008 às 19:53
Sou mais daqueles alunos que nem estudam e subornam os professores, Mariana.
Pare de elogiar, André, ou meu ego vai ficar maior do que outras partes do meu corpo (que já são bem grandes, se é que você me entende).
E, porra, tainah, não venha projetar seus problemas psicológicos em mim.
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