segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

A Pedidos, Sobre Cinema

Ir direto
para os comentários...

O que eu acho de cinema, perguntou o ricardolost108 no último post. Cara, eu gosto muito de cinema. E não só de cinema no sentido de assistir filmes, mas de ir ao cinema: pipoca, lanterninhas, escolher a poltrona mais privilegiada pela acústica, trailers e tudo mais. Filmes eu posso assistir no meu computador (e é o que geralmente faço, afinal ultimamente as sessões são só de Avatar ou Crepúsculo), mas a experiência toda é algo mais.

Pra você perceber o quanto gosto de cinema, é só ver minha lista de Cinco Coisas Pelas Quais Vale a Pena Sair de Casa.

1 – Cinema

2 – Pilhas novas pro controle do Wii

3 – Ação de Despejo

5 – Possibilidade de Desabamento

(Só pra deixar claro, comida e sexo não entram na lista, afinal hoje em dia com uma ligação você consegue receber ambos em casa e numa embalagem fácil de abrir)

Mas dizer que eu gosto de cinema não significa muita coisa, afinal todo mundo gosta de cinema, tirando crianças com déficit de atenção (que não param de se mexer), gente com narcolepsia (que ficam sempre dizendo “o que aconteceu, o que eu perdi?) e a minha mãe.

Isso porque cinemas tem uma conjunção muito especial de atrativos: a narrativa cinematográfica, a pipoca, as poltronas, som potente, tela gigante, a alta probabilidade de aparecerem imagens altamente reveladoras do corpo feminino na tela gigante, a impossibilidade de você ter baixado um arquivo corrompido ou de baixa qualidade.

E nem consigo pensar em ir ao cinema sem qualquer uma dessas coisas. Outro dia, por exemplo, quando um amigo falou que um cinema de Londrina, associado com a universidade pra passar filmes mais “alternativos, fora do circuito”, simplesmente não servia pipoca.

Depois uma hora e meia, saí da paralisia causada pelo medo que a ideia de ir a um cinema sem ingerir altas quantidades de pipoca (com muito sal e sem manteiga, por favor) e perguntei, ainda recobrando minhas forças, o porquê de tamanha afronta a toda a cultura cinematográfica mundial, no que ele disse: “Ah, é porque tu vai lá pra assistir o filme, pra pensar, saca? Não pra comer”.

Não sei se eu fiquei mais impressionado com o fato de que gente que assiste filme “fora do circuito” não consegue comer e pensar ao mesmo tempo ou com o fato de que eles não conhecem absolutamente nada da mecânica de ir ao cinema.

Qualquer <s>cerumano</s> ser humano que já foi ao cinema sabe que 70% da pipoca é ingerida antes do filme começar. Quando o filme começa mesmo, só há pipoca suficiente pra mais uns dez minutos. É fato, estudos comprovaram, acho que aquele cara do Freakonomics falou sobre isso e tal. Isso por causa do Grande Drama do Deixa Pra Quando o Filme Começar.

Até hoje não conheci alguém que tivesse força de vontade pra não começar a comer a pipoca na hora dos trailers. E por mais que você pare e fale “não, vamos deixar pra quando o filme começar”, sempre vai ter a recaída e a hora em que todo mundo diz “ah, foda-se, vamos comer essa merda logo”.

Isso sempre acontece, isso é parte da experiência dos cinemas, cara.

Assim como a falta de educação, claro. Quando eu fui ver Avatar, uma menina sentada atrás de mim não se limitava a fazer comentários em tom elevado ou a rir como se estivesse vendo um episódio da Turma do Didi, ela, provavelmente recém-saída do CCAA, simplesmente repetia TODAS as frases que o Sam Worthingthon dizia.

Ele dizia “hello”, ela dizia “hello”. Ele dizia “something ewya something something something”, ela logo soltava o mesmo. Ele dizia “Neytiri, vou comer seu cu” e lá ia a porra da menina repetir cada palavra em um tom especialmente calculado pra me fazer não conseguir ouvir a próxima fala. Teve momentos em que ela até completava as frases do cara antes dele terminar, o que não é tão difícil, considerando a imprevisibilidade do roteiro de Avatar, né.

E é por pessoas como essa que eu acho que lanterninhas deviam ter porte de arma.

9 comentários. Viva!

Sobre comentários antigos: durante a migração do Ingenuidade para a rede Influxo.org, comentários anteriores a 2008 acabaram se perdendo. Estamos trabalhando para recuperar todos.

  • Postagens regulares ??? Cê tá doente?

  • Pessoas sensatas deveriam poder entrar armadas nos cinemas!

  • Leo Carvalho escreveu:
    1 de fevereiro de 2010 às 17:00

    Sobre a mina atrás de você… quando fui assistir ao homem aranha tinha um garoto junto com a avó, sentados atrás de mim, numa sala VAZIA e ficavam cochichando em inglês, em um tom perfeitamente calculado pra foder com a minha vida…Primeiro estalei os dedos, 5 minutos de pausa. Depois dei uns tapas na parte de trás da minha cadeira, 10 minutos de pausa. Quando começaram de novo, me levantei e me virei pra eles com a pior cara de mau que eu pude fazer, mandando logo “Shut the fuck up or move the fuck over, but let me watch the fucking movie.”A cara deles foi de total espanto e eles foram se sentar na puta que os pariu, bem longe de mim…

  • Não tô doente, não, só tô de férias.

    Bom, a menos que você considere AIDS uma doença, né.

    E, Léo, taí uma coisa que eu devia ter feito. Mas você tem que concordar que uma arma seria mais rápido.

  • Leo Carvalho escreveu:
    2 de fevereiro de 2010 às 9:00

    Concordo plenamente com você, seria mais rápido, mas ia fechar a sala do cinema e eu não ia terminar de ver o filme…

  • “ …escolher a poltrona mais privilegiada pela acústica…”
    Não sei se já assistiu a The big bang theory mas ao ler essa frase(não é uma frase, mas whatever) tudo que veio a minah mente foi essa cena:
    http://www.youtube.com/watch?v=1zIY6DQSlbY

  • Sabia que você era aidético.

  • sair de casa agora só pra comprar bastardos inglorios
     

  • e aquelas pessoas que ficam mandando sms enquanto o filme ta passando
    isso eu acho o cumulo do fodismo

Deixar comentário