domingo, 6 de julho de 2008

A Estupidez das Pessoas

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A maioria das pessoas não pensa. É uma conclusão de um cara que viveu (a contragosto) em meio à muita gente que faz besteiras simplesmente porque não esperou um segundo pra raciocinar sobre o assunto. Outro dia mesmo vi a falta de neurônios das pessoas agir de modo fantástico.

Eu estava em um ônibus, não o fétido e lotado ônibus que me leva à faculdade diariamente, mas o fétido e lotado ônibus interestadual que me levava pra terrinha (Presidente Epitácio, A Cidade do Nada). Um ônibus, aliás, é um interessante momento de interação social: ali você pode conhecer muitas pessoas, culturas e imbecilidades.

Mas geralmente nada sensacional acontece, a não ser algum cheiro desagradável ou a mulher gorda que senta do seu lado e não nota que você escolheu o ônibus noturno porque queria dormir e não escutar sobre como o marido dela estava a traindo com a Dona Zuleide, aquela vagabunda. Aquele ônibus em que eu estava era um desses normais. Realmente era.

Até que a primeira parada aconteceu. Paradas não são bons prenúncios. No mínimo alguém será esquecido porque suas necessidades biológicas demoram cinco vezes mais que as de seres humanos normais. Se há muitos velhos, pelo menos um vai entrar no ônibus errado alguma vez porque a fila da catarata no SUS é longa. Ou então um grupo de bêbados vai aparecer, provando que a Lei Seca só tornou os ônibus lugares (mais) difícies de estar, a não ser para os micróbios: todo mundo sabe que o ônibus é o lugar mais adequado pra micróbios sobreviverem (existem teorias que o vírus da AIDS e do Ebola surgiram numa linha Piauí-Acre).

E foi exatamente isso que aconteceu: bêbados tomaram nossa tranqüilidade. Mas estar bêbado, feder e falar alto não era suficiente para aqueles tolos. No meio da viagem, gritos femininos me tiraram do sono merecido. Os pequenos abutres que habitam em nos logo esticaram os bicos em direção à mulher que brandava palavras impublicáveis contra um dos ilustres apreciadores da nobre bebida. Isso mesmo, ele estava bolinando ela.

Até aí, tudo bem. Assédio sexual e alcoolismo são rotina, meu amigo. Agora, a vítima do assédio quebrar um vidro, tirado de seiláonde, na cabeça do pobre aproveitador do álcool (e do sexo frágil), isso sim é algo inesperado.

E, graças a dois atos burros e evitáveis de dois grandes idiotas, a testemunha aqui ficou duas horas preso na rodoviária sem ganhar nem um vale-coxinha! A maioria das pessoas não pensa e a humanidade paga o preço disso a todo instante.

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