terça-feira, 28 de outubro de 2008

A Arte de Comer Bem

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O Bernardinho é um desses mistérios da natureza que nunca entenderei. Tudo bem, o cara é dedicado, faz bem seu trabalho e tem cordas vocais invejáveis, mas até eu tô cansado dele, e olha que assisto vôlei masculino com a mesma frequência que os franceses ganham guerras.

Imagine só os jogadores. Segundo a imprensa, eles são os melhores dos melhores. Se os caras derretessem suas medalhas, podiam alimentar a metade da população da África por três meses. O número de campeonatos que ganharam redefine o conceito de infinito. Há até boatos que eles conseguem fazer uma bola atravessar uma parede maciça de pão envelhecido (o conhecido material mais duro da existência) e que conseguem pular a alturas maiores de dois metros - isso em um planeta com o dobro da gravidade da Terra

Ainda assim, ainda sendo tudo isso quando se trata de vôlei, eles aguentam o Bernardinho quebrando os limites biológicos das cordas vocais. Tá, eles devem muito ao Bernardinho e blá blá blá, mas paciência (e perda de audição) tem limites. Tô vendo a hora de alguém meter a mão na cara dele, véi. 

Tenho a impressão, aliás, de que ele também sabe disso. Não é por menos que tem diversificado suas atividades com um pouco de palestras motivacionais. Até um livro de *cof* auto-ajuda *cof* parece que o Bernardinho escreveu. E isso muito me intriga. 

Não pelo livro em si, mas pelo fato dele tê-lo escrito ou não. Não que eu ache que ele não escreveu, mas provavelmente existem pessoas por aí que acham. Veja bem, há quem diga que a Bruna Surfistinha não escreveu seu livro e, se você pensar bem, o Bernardinho e a Surfistinha nem são tão diferentes: os dois dependem de usar bem suas bocas pra trabalhar. 

Em todo caso, resolvi seguir o exemplo do nobre treinador e utilizar de meu antigo passado de esportista para escrever um best-seller: A Arte de Comer Bem - O Que O Jogo De Damas Pode Te Ensinar Sobre Sua Vida, O Que Te Cerca e Aquela Loira do 301. Não sei se vocês sabem, mas eu era uma fera no jogo de damas, de ganhar campeonatos internacionais e ser entrevistado por revistas, além de que a única explicação pra eu nunca ter ido pras Olimpíadas é que minha convocação deve ter se extraviado no correio. 

Meu livro será seguido pela inevitável continuação Como Tratar Damas e uma autobiografia, ambos sucessos editoriais que vão me garantir fortuna e fama maiores que as dos Beatles, que, todo mundo sabe, são bem mais conhecidos que aquele tal de JC. 

Aguardem, meus amigos, em breve, nas melhores casas do ramo. 

[UPDATE] 

Meu irmão editor acaba de dizer que não tem jogo de damas nas Olimpíadas. Agora sim tudo faz sentido.

2 comentários. Viva!

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