terça-feira, 10 de abril de 2007
300
para os comentários...
Pancadaria, guerra, mortes, sangue, homens verdadeiramente “machos”, fortes, másculos, corajosos, músculos de fora, corpos atléticos, uma ceninha de sexo, um traidor, um vilão excêntrico. Uma obra feita para ser um sucesso com certeza.

De um lado, um cara megalomaníaco cheio de piercings querendo (pasmem!) dominar o mundo. Do outro, um bando de “machos” vestindo trajes minúsculos e gritando excessivamente. Tudo isso regado a quantidades de sangue absurdas e muito (muito mesmo!) uso de slow-motion. Sucesso absoluto, com certeza!
De início, a idéia de ver um bando de homens semi-nus e depilados roçando suas espadas em câmera lenta não me agradou muito. Quantos foram os comentários sobre os abdominais dos tais 300! De que valia a história diante daqueles músculos bem-delineados? Tenho certeza que ouvi alguém quase tendo um orgasmo cada vez que algum daqueles abdômens realçados digitalmente aparecia pela tela.
Depois de algum tempo de filme, entretanto, aquela excessiva fixação no corpo dos espartanos continuou a irritar-me. A verdade é que todos aqueles mamilos em riste incomodaram-me intensamente. Esparta possuía poucos tecidos? Os músculos dos espartanos eram tão rígidos que não havia necessidade de armaduras? Já existia a depilação? Questões que nunca poderei responder.
Com o tempo, resolvi desencanar com aquilo e tentar focar-me na trama.
Pena não haver uma. A história, se é existe, é um simples pretexto para a pancadaria e beleza digital que o filme promete. Todas as horas em que o filme focava-se em sua trama, eu sentia o sono que sinto ao assistir a novela das oito. Só que a novela das oito tem uma trama mais complexa que 300, acredito eu.
Sejamos sinceros: PORRADA. 300 é isso com cenas rebuscadas e tratadas digitalmente. E só. Nada mais. Nem mesmo a ridícula cena de sexo entre Leônidas e sua esposa convence muito: o Rei de Esparta parecia mais à vontade em meio a seus guerreiros de sunguinha do que com sua bela esposa.
Rodrigo Santoro também merece destaque em sua altivez de travesti com 3 metros e voz horrivelmente semelhante a um trovão transexual. O ator merece destaque, mas não muito também. Pobre Santoro: seus ninjas, rinocerontes e elefantes nada valem contra as horas de academia e anabolizantes dos espartanos.
Não me entendam mal: o filme é recomendável. Consegue atingir o que promete: imagens fantásticas e guerras homéricas. Nada mais. Um Village People histórico lutando contra uma horda de deformados fracos.
Há quem goste, o que não é o meu caso.



1 comentário
Sobre comentários antigos: durante a migração do Ingenuidade para a rede Influxo.org, comentários anteriores a 2008 acabaram se perdendo. Estamos trabalhando para recuperar todos.
10 de abril de 2007 às 20:16
Putz! O filme deve ser uma m*, então. Provavelmente direcionado para, em menor escala, o público feminino, e, em maior escala, para o público homossexual.
Nada contra. Mas, depois do que ando lendo, é melhor não me dar ao trabalho de assistí-lo.
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