quinta-feira, 15 de novembro de 2007
20 a 30 Linhas - A Dissertação
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Não há escapatória. Se você vai prestar mais de dois vestibulares, tenha certeza que a dissertação, o gênero de redação dominante, vai aparecer em seu caminho. E quando isso acontecer é melhor estar pronto, pois saiba: TODOS SABEM FAZER DISSERTAÇÃO. Destacar-se é, portanto, imperativo. (Mas não se esqueça do básico)
1) Estrutura - Tamanho Importa
Introdução, dois parágrafos argumentativos, proposta de intervenção, conclusão. Fugir dessa estrutura pode sim, mas é complicado. Há motivos para ela ser tão seguida: é equilibrada, possibilita parágrafos bem fechados e mantém o candidato preso ao tema. Cuidado com parágrafos muito curtos (fragmentam as idéias) e muito longos (perda de coesão). Não faça nem grande nem pequeno, só o necessário. Meu conselho é seguir esta estrutura: 4-7-7-7-5.
2) 30 Linhas - Argumente ao máximo
Não atingir a última linha é imperdoável: é deixar de argumentar, é falar ao examinador “ei, deixei esse espaço aqui porque sou preguiçoso demais para pensar em algo para ocupá-lo”. Não é essa a idéia que você quer passar, é?
3) Tese - Um Texto em uma Linha
Não é de hoje que os temas consistem em perguntas ou posicionamentos do tipo “contra - a favor”. Por isso, todo seu texto, todas as palavras e idéias ali contidos têm de resumir-se em uma única frase, a Tese. Sua tese precisa ser explícita, mesmo que não seja visível. Ao ler a primeira linha do texto, o examinador deve saber que lado você tomou, que posição adotou, para depois descobrir seus porquês. Minha dica é escrever a Tese antes do texto e usá-la como ponto de apoio. Cada parágrafo deve lembrá-la e reafirmá-la, assim como o conclusão deve, de preferência, retomá-la.
4) Recursos Visuais - Hora de Desenhar
Descrição de cenas, usar metáforas, sinestesias, gradações, enumerações ajudam. Dar ao examinador a possibilidade de ver, mesmo que mentalmente, o problema apresentado é um valioso truque, usado por poucos. Vai falar sobre aborto? Descreva, com alguns detalhes sensoriais, como são clínicas de aborto. Vai falar sobre ciúmes? Insira um pequeno (mas pequeno MESMO) trecho narrativo sobre ciúmes. Faça o examinador sentir seu texto e valerá a pena.
5) Argumentos - Filosofia, Artes e Literatura
Já falei sobre o peso de uma citação de Kant ou Sartre, não? Imagine então surpreender o examinador ao citar o romance O Uraguai em uma redação sobre o índio. E que tal citar Amar, Verbo Intransitivo ao escrever sobre o amor nos tempos atuais? E citar as obras de Cândido Portinari ao falar sobre os retirantes nordestinos? Quantos o farão? Quantos irão usar assuntos que muitas vezes até caem nas provas, livros obrigatórios do vestibular, na redação? Precisa dizer mais?
6) Proposta de Intervenção - Hora de Mudar o Mundo. Sem Exagero.
A proposta de intervenção é o momento do texto de resolver todo o problema apresentado até ali. Não caiamos no erro de achar que o vestibular quer que você saiba consertar o mundo, mas lembremos que as grandes soluções são bem óbvias. Só tente não cair na vagueza. “Temos que nos conscientizar” é uma frase terrível. Lógico que temos que nos conscientizar, mas como? Educando, punindo, ajudando, lutando, dançando mambo? A P.I. deve trazer uma ou mais instruções objetivas e fortes, nunca cair na falta de substância do “precisamos agir”.

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