3 de fevereiro de 2010

Das Inaptidões Musicais

Eu teria alguma dificuldade em trabalhar em uma loja de CDs e não só por causa de minha aversão natural a qualquer forma de trabalho, mas principalmente por uma potencial incapacidade de realizar o serviço. Na verdade, eu provavelmente me daria melhor operando uma retroescavadeira do que organizando álbuns de música e isso por um simples motivo: sou um imbecil quanto a classificações musicais.

Eu sei que a maioria das lojas de CDs só classifica a música em nacional e internacional, mas ainda assim, quando um cliente entrasse querendo um disco de, seilá, eletro-psy-folk e eu desse pra ele um CD do Daniel, as coisas não ficariam boas pra mim.

Essa minha incapacidade de identificar gêneros musicais provavelmente advém do fato de que minha classificação interna de música é muito simplista. Na minha cabeça (e nas playlists do meu iTunes), existem três tipos de canções: as que eu gosto, as que eu não gosto e as que me lembram gente que usa ombreiras.

Pode parecer uma divisão que não leva muito em conta as diferenças entre as músicas, mas é só o jeito que a minha cabeça funciona. Quando eu escuto uma música do Arctic Monkeys, imediatamente penso “Opa, maravilha”. Quando tá tocando uma daquelas duplas todas iguais de sertanejo universitário, meus neurônios soltam logo um “Nah”. E, cara, a única coisa que fica na minha mente quando a Beyoncé tá por perto é “alguém aí usa ombreiras, mano, tenho certeza”.

Por esse meu processo de classificação musical, tenho grande dificuldade de entender os gêneros diferentes de música.

O que é um britpop? Existe um britrock? E um britaxé? Música eletrônica é um gênero de música instrumental? O que diabos é um grunge? Qual a diferença entre o grunge e o rock? E esse tal de pop-rock, tem algum manifesto estético publicado? Pra ser cantor sertanejo você não devia cantar sobre coisas do sertão? Em que estante você põe um CD de punk-rock, na de música punk ou na de rock? Por que alguém compra CDs do NxZero? CD da Preta Gil é música?

Essas minhas dúvidas sobre classificação musical e minha completa inabilidade de identificar apropriadamente o gênero de um CD são a causa da minha incapacidade de trabalhar numa loja de CDs.

Tá, sei que na verdade eu teria dificuldade em trabalhar numa loja de CDs principalmente por causa do desemprego, afinal ninguém mais compra CDs, mas isso é outra história.

1 de fevereiro de 2010

A Pedidos, Sobre Cinema

O que eu acho de cinema, perguntou o ricardolost108 no último post. Cara, eu gosto muito de cinema. E não só de cinema no sentido de assistir filmes, mas de ir ao cinema: pipoca, lanterninhas, escolher a poltrona mais privilegiada pela acústica, trailers e tudo mais. Filmes eu posso assistir no meu computador (e é o que geralmente faço, afinal ultimamente as sessões são só de Avatar ou Crepúsculo), mas a experiência toda é algo mais.

Pra você perceber o quanto gosto de cinema, é só ver minha lista de Cinco Coisas Pelas Quais Vale a Pena Sair de Casa.

1 – Cinema

2 – Pilhas novas pro controle do Wii

3 – Ação de Despejo

5 – Possibilidade de Desabamento

(Só pra deixar claro, comida e sexo não entram na lista, afinal hoje em dia com uma ligação você consegue receber ambos em casa e numa embalagem fácil de abrir)

Mas dizer que eu gosto de cinema não significa muita coisa, afinal todo mundo gosta de cinema, tirando crianças com déficit de atenção (que não param de se mexer), gente com narcolepsia (que ficam sempre dizendo “o que aconteceu, o que eu perdi?) e a minha mãe.

Isso porque cinemas tem uma conjunção muito especial de atrativos: a narrativa cinematográfica, a pipoca, as poltronas, som potente, tela gigante, a alta probabilidade de aparecerem imagens altamente reveladoras do corpo feminino na tela gigante, a impossibilidade de você ter baixado um arquivo corrompido ou de baixa qualidade.

E nem consigo pensar em ir ao cinema sem qualquer uma dessas coisas. Outro dia, por exemplo, quando um amigo falou que um cinema de Londrina, associado com a universidade pra passar filmes mais “alternativos, fora do circuito”, simplesmente não servia pipoca.

Depois uma hora e meia, saí da paralisia causada pelo medo que a ideia de ir a um cinema sem ingerir altas quantidades de pipoca (com muito sal e sem manteiga, por favor) e perguntei, ainda recobrando minhas forças, o porquê de tamanha afronta a toda a cultura cinematográfica mundial, no que ele disse: “Ah, é porque tu vai lá pra assistir o filme, pra pensar, saca? Não pra comer”.

Não sei se eu fiquei mais impressionado com o fato de que gente que assiste filme “fora do circuito” não consegue comer e pensar ao mesmo tempo ou com o fato de que eles não conhecem absolutamente nada da mecânica de ir ao cinema.

Qualquer <s>cerumano</s> ser humano que já foi ao cinema sabe que 70% da pipoca é ingerida antes do filme começar. Quando o filme começa mesmo, só há pipoca suficiente pra mais uns dez minutos. É fato, estudos comprovaram, acho que aquele cara do Freakonomics falou sobre isso e tal. Isso por causa do Grande Drama do Deixa Pra Quando o Filme Começar.

Até hoje não conheci alguém que tivesse força de vontade pra não começar a comer a pipoca na hora dos trailers. E por mais que você pare e fale “não, vamos deixar pra quando o filme começar”, sempre vai ter a recaída e a hora em que todo mundo diz “ah, foda-se, vamos comer essa merda logo”.

Isso sempre acontece, isso é parte da experiência dos cinemas, cara.

Assim como a falta de educação, claro. Quando eu fui ver Avatar, uma menina sentada atrás de mim não se limitava a fazer comentários em tom elevado ou a rir como se estivesse vendo um episódio da Turma do Didi, ela, provavelmente recém-saída do CCAA, simplesmente repetia TODAS as frases que o Sam Worthingthon dizia.

Ele dizia “hello”, ela dizia “hello”. Ele dizia “something ewya something something something”, ela logo soltava o mesmo. Ele dizia “Neytiri, vou comer seu cu” e lá ia a porra da menina repetir cada palavra em um tom especialmente calculado pra me fazer não conseguir ouvir a próxima fala. Teve momentos em que ela até completava as frases do cara antes dele terminar, o que não é tão difícil, considerando a imprevisibilidade do roteiro de Avatar, né.

E é por pessoas como essa que eu acho que lanterninhas deviam ter porte de arma.

30 de janeiro de 2010

Tira o pé do chão

Já tô bem acostumado a não me empolgar nem um pouco com coisas que outras pessoas consideram divertidíssimas, como piadas de duplo sentido, polidactilia ou o CQC. Então não foi grande surpresa pra mim quando, vendo um programa de tevê entrevistar fãs animados pracaraleo com um show de uma banda qualquer ia fazer por aí, a única coisa que me vinha à mente era “putz, esqueci minhas meias no tanque”.

Eu via aquele pessoal enlouquecido, todo molhadinho só com a perspectiva de ficar a 500 metros do seu artista predileto, dizendo “não posso perder isso de jeito nenhum”, ” vai ser mágico”, “vendi a minha cama e minha tevê pra vir ROCKNROLLNXZERONAVEIAPORRA” e eu simplesmente não conseguia entender o motivo por trás de tanta epolgação.

Até era uma banda que escuto bastante e tal, mas, cara, tenho um problema sério com shows. Pelo menos com o da maioria das bandas, em especial as nacionais. Não que eu tenha ido a muitos na vida, mas os poucos em que fui me mostraram que aquilo não era pra mim, coisa que já havia acontecido com partidas de futebol, clubes de swing e a cidade de São Paulo.

Outro dia, por exemplo, vi o Fantástico passando uma matéria sobre shows em que os fãs faziam coreografias altamente complexas em sincronia. Mostraram até um show da Ivete Sangalo em que ela dizia que iria ensinar a coreografia pro público e depois eles iam fazer sozinhos.

Cara, esse é o meu problema com shows, sabe. OS CANTORES TÃO SEMPRE TE DANDO ORDENS.

É sempre um tal de “bota as mãos pra cima”, umas conversas de “agora só vocês cantando”, aquela balela de “tira o pé do chão ae”.

Você vai lá, compra um ingresso caro bagaraleo (isso com a carteira de estudante), se prepara uma semana antes, chega cedo na bagaça, tem um trabalho desgraçado e o cara que VOCÊ tá pagando pra cantar fica te mandando tirar o pé do chão?

Talvez seja só eu e minha atitude contrária a tudo que é coletivo, mas tem algo errado aí. Tem algo de muito errado aí, cara.

27 de janeiro de 2010

O Médico Gordo

Outro dia uma amiga minha me perguntou se eu, sendo gordo, vou dizer que pra um paciente que ele precisa emagrecer quando eu estiver trabalhando. Se eu, com meus bons quilos a mais vou ter a cara de pau de mandar uma senhora tão farta quanto eu perder peso, pro bem da saúde dela. Se eu vou ser capaz de fazer o tal do faça o que eu diga, não faça o que eu faço.

Minha resposta foi um não, obviamente. Tá, na verdade minha resposta foi um não seguido de uma explicação de quarenta e cinco minutos que fez minha amiga entender claramente que ela não devia me fazer perguntas se quisesse respostas curtas, mas isso não vem ao caso.

Cara, eu NUNCA vou mandar meu paciente emagrecer ou dizer que ele tem que perder peso. Porque, amigo, eu não pretendo ser a mãezinha de ninguém. Meu trabalho não vai ser mandar nos outros tirando enfermeiras, claro. Você nunca vai me ver dizendo pra um paciente o que ele tem ou não que fazer.

Não vou ser médico que dá ordens, mano, quero ser médico que dá escolhas.

Porque ser gordo é a minha escolha. Eu poderia fazer academia, comer verduras, comprar um AB Toner Master Golden, subir até o meu apartamento só de escadas, beber um daqueles shakes da Luciana Gimenez, virar bulímico. Mas, sabe qualé? Não tenho força de vontade pra decidir que quero deixar de ser gordo e perder peso.

Ser saudável e mais magro não me atrai tanto quanto um hotdog com frango do Demetrius. E se eu me fuder depois com hipertensão, infartos, AVCs ou AIDS, well fuck, foi a escolha que eu fiz e vou ter que aguentar as consequências.

E, cara, como gordo, eu posso te dizer que, se você não quer emagrecer, não vai ser um babaca de branco que vai te obrigar.

Além do mais, ao meu ver, o trabalho do médico não é escolher o melhor pra saúde do paciente. Issae só o próprio pode fazer. O cara do estetoscópio tem é indicar quais os tratamentos possíveis e o que a literatura tem a dizer sobre cada um.

Pra isso, eu não preciso ter músculos abdominais capazes de quebrar uma pedra.

Então é por isso que, no futuro, eu nunca vou mandar um paciente emagrecer. Mas eu vou deixar claro pra ele como a atividade física e a alimentação saudável estão associados com menor risco de doenças e como a obesidade é justamente o oposto. O que, logicamente, mostra que vai ser ele quem deve escolher entre menos problemas de saúde e o Cheddar McMelt na noite de quarta.

Faça o que eu diga, não faça o que eu faça? Não. Mais pra faça o que quiser, foda-se o que eu faço.

24 de novembro de 2009

Em Defesa dos Vampiros de Crepúsculo

Sabe aquela história de been there, done that, bought the t-shirt? Com esse tal de Crepúsculo, é justamente o contrário pra mim. Não sei bem do que se trata e o máximo de contato que tive com o livro/filme/bonecos-articulados/franquia foi ouvindo os comentários de meninas virgens de 15 anos sobre o assunto.

Seilá, nunca fui um cara de vampiros, sou mais uma zombie person nessa coisa de criaturas assustadoras que querem consumir alguma parte do seu corpo. Vampiros são provavelmente os mais chatos dos mitos de horror. Zumbis são muito mais legais que vampiros. Lobisomens são mais legais que vampiros. Múmias são mais legais que vampiros. Velociraptors são mais legais que vampiros. LOLcats são mais legais que vampiros e, cara, ninguém gosta de LOLcats.

O ponto é que, por já não ir muito com a cara dos dentuços e não ser uma adolescente excitada, não tomei conhecimento dessa onda de Twilight.

Mesmo assim, ainda não consigo me afastar completamente do universo, principalmente porque ando de ônibus e meus fones de ouvido não isolam minha cabeça acusticamente. Ou seja, por mais que eu não me interesse pela coisa e nem nunca tenha visto, escuto os comentários alheios.

E as falas que mais me impressionam não são os gritos orgásmicos de “AHHH RBERT PATINSONNNNN LINNDPQ!!!1!1″, mas sim as reclamações de “puta merda, emboioloram os vampiros. Bram Stoker tá se revirando no túmulo, mimimi, Bela Lugosi, blá blá blá, emo“.

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Vampiro, doutor? Isso aí é uma BICHONA!

Cara, não dá pra entender as críticas aos vampiros de Crepúsculo, não mesmo. A tal da Meyer emboiolou os vampiros? Vocês realmente acham isso? Mas, cara, pra mim já era estabelecido que os vampiros sempre foram as bichinhas do mundo dos horrores! Vai dizer que, quando você pensa num vampiro, a primeira coisa que vem à sua mente não é praticamente um enólogo frânces afetado?

ELES USAM CAPAS, MORAM EM CASTELOS E MORREM QUANDO ENFIAM UMA ESTACA NELES. E você me fala que Crepúsculo emboiolou os caras?

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É, nada gay mesmo.

Tá, os vampiros de crepúsculo brilham na luz? Ok. Um vampiro tradicional não pode sair no Sol porque senão DESIDRATA A SUA PELE DE MOCINHA. Pelo menos as bichinhas da Meyer são assumidas e não ficam se escondendo em armários caixões durante o dia!

E aquela história de não poder com alho? Por quê? Por que a mocinha é alérgica ou é muito fresca pra comer qualquer coisa? E não entram nas casas sem serem convidados por que não é de bom tom? Por que a etiqueta manda, é?

Sabe por que os vampiros não podem ver uma cruz ou entrar na Igreja? Porque todo mundo sabe que Deus quer ver os homossexuais queimarem, cara (ou pelo menos é o que o Ahmadinejad e o Papa sempre falam, não sei muita coisa desse tal de Deus).

Agora você vem me dizer que Crepúsculo transformou os vampiros em bichas loucas? Os vampiros sempre foram loucos por piroca, amigo, Crepúsculo só tirou eles do armário e colocou brilhando do lado de lobisomens sem camisa!

O livro é mal escrito, o filme é chato, a série é boba, você até pode dizer. Quanto a isso, não vou reclamar, não sei como é. Mas dizer que os vampiros deles são mais gays que os normais é babaquice. Então, por favor, ao invés de reclamar sobre a emboiolização dos vampiros, vamos aproveitar toda a libido acumulada das fãs adolescentes, que tal?

5 de outubro de 2009

Celulares, Paleolítico e Com O Que Se Preocupar

Outro dia, no meio de uma conversa sobre qualquer coisa, um amigo meu disse:

“Hugo, se a gente vivesse no paleolítico, você não durava dois segundos. “

Sim, a conversa era intercalada com consumo de dorgas manow lol!!11. Ou pelo menos essa é a única explicação plausível pra alguém chegar nessa conclusão. Mesmo assim, deixei ele explicar mais, só pra ver até onde os efeitos alucinógenos iriam.

“Olha só, o que você faz, cara? Você, seilá, estuda. E posta no twitter. E assiste um milhão de séries. E visita 42 sites por minutos. E odeia a raça humana.”

Quando você vê sua vida resumida em algumas palavras assim, nem parece tão divertido quanto é.

“Nem me lembro da última vez que vi você fazendo alguma coisa que minimamente lembrasse uma habilidade útil”

Não concordo. Teve aquele vez que aprendi como consertar um carro. Tá, era um carro pequeno. Uma moto, uma moto. Ok, era uma bicicleta. Tudo bem, eu sei, só vi consertarem… Num curso por correspondência. Mesmo assim, não concordo.

“O que quero dizer é: se a gente vivesse no paleolítico, o que diabos você ia fazer? Entrar na faculdade que não existe? Ficar falando em voz alta o que você está fazendo? Apreciar pinturas de cavernas? Escrever um post de doze parágrafos em uma pedra pra dizer como você acha essa moda de pedra polida uma babaquice?

Ok, analogia levada longe demais.

“Enfim. Se a gente vivesse no paleolítico, você não durava dois segundos, cara.”

Claro, concordo em gênero, número e dose de psicotrópicos. Não tenho mesmo nenhuma habilidade que me faria sobreviver no Paleolítico. Não sei matar mamutes, confeccionar armas ou grunhir. Nos últimos dias, cheguei até mesmo à incrível conclusão de que nem correr eu sei mais.

Mas a coisa é que, a menos que se abra uma fenda no contínuo espaço-tempo que rompa a fábrica do Universo e ela aparece bem na porta do meu apartamento, eu não vivo e nem viverei no Paleolítico. Se o Universo assim permitir, eu provavelmente nunca estarei em algum lugar a mais de 1km de distância de um supermercado, lan house ou shopping.

Então por que diabos me preocupar com o que aconteceria se eu vivesse no Paleolítico?

É que nem me falaram sobre meu celular outro dia. Sobre como eu sou dependente do meu celular. Como eu não sei fazer multiplicações com números de mais de dois algarismos sem a calculadora o celular. Como eu não decoro nenhum número de telefone por causa da agenda do meu celular.

Eu faço isso simplesmente porque eu posso, porra. Se dá pra facilitar a vida, pra que complicar?

“Ah, Hugo, e se um dia seu celular pifar? Ficar dependente de aparelhos eletrônicos é uma furada.”

Cara, só pedir emprestado pro resto de 180 milhões de pessoas com celular no Brasil. E loja de celular tem em cada esquina, mano, só não bate pet shop, lan houses e estacionamentos.

“Ah, mas e se um dia você ficar perdido na mata e a bateria do celular acabar? E se todos os celulares do mundo subitamente pararem de funcionar? E aí, hein? HEIN?”

Pô, só pode ser brincadeira. Se um dia eu ficar perdido na mata e minha vida depender urgentemente de uma multiplicação com números de mais de dois algarismos, é isso? Well, fuck, então nesse dia vou me ferrar mesmo.

Mas sabe do que mais, ISSO SIMPLESMENTE NÃO VAI ACONTECER.

Isso aqui não é novela nem filme, cara. Ninguém vai se perder na floresta, no deserto ou numa ilha repleta de dinossauros, ninguém vai viver no paleolítico, nenhum pulso eletromagnético destruirá todos os eletrônicos do planeta, a Skynet não vai atacar, a Matrix não será criada, ninguém vai cair na ilha de Lost, o aquecimento global não vai derreter as calotas polares, os alienígenas não vão dar as caras tão cedo e nunca, NUNCA a habilidade de decorar os números de telefone da sua agenda salvará a sua vida.

Não sei que diabos é o problema das pessoas com depender de outras coisas. Que orgulho babaca é esse de não precisar de uma calculadora pra dividir? Que medinho é esse de não saber caçar um mamute?

Os eletrônicos podem te deixar na mão? Sim, claro. Mas só até a assistência técnica chegar, cara. Vamos deixar as máquinas fazerem os trabalhos braçais e vamos nos preocupar com o que realmente importa, ok?

20 de setembro de 2009

Só Pode Ser Brincadeira da Superinteressante

Olha, só o lindo comentário de uma leitora, publicado na Superinteressante de setembro desse ano, sobre a matéria “Os Verdadeiros Donos do Mundo”, que trata dos vírus e bactérias que nos cercam:

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“Se as mutações virais e bacterianas ocorrem nos animais que consumimos, então basta todo mundo virar vegetariano para que essas mutações diminuam. Opa! Solução rápida, fácil e barata!”

Mas é claro, como eu não pensei nisso antes? Basta pararmos de comer animais e todos os derivados alimentícios deles, MATAR TODOS OS REBANHOS DE UMA VEZ e pronto! Sem mais mutações virais e bacterianas! Rápido, fácil e barato! Aliás, por que não matamos logo todos os outros animais, domésticos e selvagens, só pro caso das mutações acontecerem neles também?

Cara, esses vegetarianos realmente sabem como evitar o sofrimento dos animais! É um altruísmo que me inspira!