19 de julho de 2008

Razões Para Não Escrever um Livro

livros
Creative Commons License foto de gaf.arq

Um amigo meu descobriu esse meu blog recentemente e, fascinado com minha soberba capacidade de insultar as pessoas com palavras doces, recomendou-me que escrevesse um livro. Primeiro devo esclarecer que poucos colegas meus sabem da existência do Ingenuidade, por duas razões básicas: 1) não tenho muitos amigos (por pura preguiça mesmo) e 2) não fico alardeando nem fazendo muito spam por uma questão de princípios (e preguiça mais uma vez).

Mas o fato é que esse amigo soube de meu querido espaço de opinião e me disse que eu devia escrever um livro. A idéia já me atraiu algumas vezes, mas as possibilidades atuais de um livro sair da minha cabeçinha são menores do que as da polícia do Rio acertar um tiro em alguém que não seja inocente.

A primeira causa da minha recusa é que ainda preciso melhorar. Saber colocar as vírgulas nos lugares certos e conhecer a grafia correta das palavras (ou procurá-las no Google antes de escrever) não quer dizer que eu escreva bem. Sei que tenho muito a melhorar e já estou cuidando disso: leio vários livros, busco encontrar meu estilo, faço quinhentas abdominais toda noite e como cereais no café da manhã. Tudo que um escritor campeão precisa.

Além disso, não entendo por que causa, razão ou circunstância as pessoas supervalorizam tanto os livros. Tá, livros são legais, interessantes e, como diria o velho Woody, têm o tamanho certo pra um bom calço de mesa. Adoro uma livraria e tenho mais apreço pela minha coleção de livros do que pela metade de minha família, mas acho que escrever um blog é tão digno quanto imprimir uma história qualquer em quinhentas arvores mortas.

Prefiro muito mais continuar com meu bloguinho modesto, falando o que penso muitas vezes quase sem pensar. Sou um cara de textos curtos, sabe, mas, só pra deixar claro, os textos são as minhas únicas coisas curtas, se é que você me entende.

11 de julho de 2008

Coisas Que Não Entendo

Sou um cara compreensivo e, apesar de não aparentar, procuro relevar as atitudes imbecis das pessoas. Consigo, por exemplo, entender que, às vezes, alguém bebe mais do que papai e mamãe ensinaram que era certo. Também reconheço que esse alguém, às vezes, decide que não bebeu tanto que não possa dirigir e essa decisão resulta em um acidente automobilístico que traz uma dezena de custos ao Estado e, muito pior, à vida dos outros. Admito que esse ato tolo, quase sempre, é praticado por vários alguéns em várias regiões do país simultaneamente, gerando uma série sem fim de decisões idiotas e acidentes evitáveis.

Compreendo ainda que o governo tem que tomar medidas para garantir que esses acidentes aconteçam cada vez menos, tanto através da educação desses que não sabem que o corpo tem problemas com o”arco” quanto na punição dos que fazem a burrada de dirigir após sentir os efeitos da maldita. A afirmação de que essas ações que o governo brasileiro não tinham o efeito desejado, talvez por irresponsabilidade dos motoristas ou falta de fiscalização, me parece bem racional também.

Consigo entender bem cada uma dessas coisas, notar como mostram que nosso país enfrenta um problema complicado e até noto que a ação do governo é imprescindível. O que não entra na minha cabeça, o fato do qual não consigo tirar qualquer conclusão lógica, a linha de raciocínio que não consigo divisar bem é sobre quais o resultados da tal Lei Seca e do que eles derivam.

A queda no número de acidentes foi por causa da diminuição da tolerância ou por causa das inúmeras operações policiais que estão por aí visando colocar a lei em prática? Apesar de muito considerar sobre o assunto, ainda não consegui chegar à qualquer ponto certo: se as operações policiais fossem feitas sem a “tolerância zero”, os resultados seriam os mesmos?

A resposta, se ninguém aí fora tem, só aparecerá quando as operações policiais surgirem com menos frequência e os reais efeitos da Lei Seca saírem debaixo dessa sombra.

8 de julho de 2008

Orgulho de Não Ter Orgulhos Imbecis

Ontem, um conhecido meu estava se vangloriando sobre como ele era “verdadeiro” e como falava o que pensava na cara das pessoas e não pelas costas. Não vou nem entrar no mérito da total sinceridade (apesar de eu pensar que falar pelas costas é tão mais…quente), o que realmente me impressiona é alguém se orgulhar por uma coisa tão pequena quanto sinceridade.

Você não esconde o que pensa? Ok, supimpa, legal mesmo. E daí? Isso te faz melhor que alguém? Isso faz que você seja mais simpático, divertido, interessante, inteligente ou que você tenha o pau maior? Pra falar a verdade na sua cara, amigo, se você fala o que pensa na cara das pessoas, só significa que você é alguém que fala o que pensa na cara das pessoas. Nada mais. Nada pra se orgulhar.

É como aqueles que não tem celular ou não assistem tevê e afirmam isso, inflando o peito, levando a cabeça e colocando um sorriso de superioridade na caras tolas, como se não ter celular adicionasse 2342 pontos no QI ou fizesse sua performance sexual melhorar.

“Só faço o que quero, só o que me dá vontade”. Beleza, ótimo pra você. Agora que diferença isso faz? Em um universo de bilhões de galáxias, cheias de bilhões de estrelas, ao redor das quais gravitam bilhões de planetas , onde provavelmente vivem bilhões de seres vivos tão (e provavelmente mais) inteligentes quanto você, tem alguma importância o fato de você não fazer o que não gosta? Sério?

Quando as pessoas vão entender que suas atitudes valem muito mais se você não ficar se vangloriando por elas a todo instante? Quando as pessoas vão entender que é incrivelmente chato ver alguém tentando te convencer que determinada atitude (geralmente insignificante), só pra sentir um afaguinho no ego. Sinceramente? Prefiro que afaguem outras partes do meu corpo, se é que você me entende.

7 de julho de 2008

A Piauí Também Faz Post Patrocinado

Não quero me alongar no assunto, mas vou, porque se você abrir a piauí desse mês na página 29, você verá isso:

piauí fazendo post patrocinado

Mais uma vez, pergunto: Se eles podem, por que não podemos?

6 de julho de 2008

A Estupidez das Pessoas

A maioria das pessoas não pensa. É uma conclusão de um cara que viveu (a contragosto) em meio à muita gente que faz besteiras simplesmente porque não esperou um segundo pra raciocinar sobre o assunto. Outro dia mesmo vi a falta de neurônios das pessoas agir de modo fantástico.

Eu estava em um ônibus, não o fétido e lotado ônibus que me leva à faculdade diariamente, mas o fétido e lotado ônibus interestadual que me levava pra terrinha (Presidente Epitácio, A Cidade do Nada). Um ônibus, aliás, é um interessante momento de interação social: ali você pode conhecer muitas pessoas, culturas e imbecilidades.

Mas geralmente nada sensacional acontece, a não ser algum cheiro desagradável ou a mulher gorda que senta do seu lado e não nota que você escolheu o ônibus noturno porque queria dormir e não escutar sobre como o marido dela estava a traindo com a Dona Zuleide, aquela vagabunda. Aquele ônibus em que eu estava era um desses normais. Realmente era.

Até que a primeira parada aconteceu. Paradas não são bons prenúncios. No mínimo alguém será esquecido porque suas necessidades biológicas demoram cinco vezes mais que as de seres humanos normais. Se há muitos velhos, pelo menos um vai entrar no ônibus errado alguma vez porque a fila da catarata no SUS é longa. Ou então um grupo de bêbados vai aparecer, provando que a Lei Seca só tornou os ônibus lugares (mais) difícies de estar, a não ser para os micróbios: todo mundo sabe que o ônibus é o lugar mais adequado pra micróbios sobreviverem (existem teorias que o vírus da AIDS e do Ebola surgiram numa linha Piauí-Acre).

E foi exatamente isso que aconteceu: bêbados tomaram nossa tranqüilidade. Mas estar bêbado, feder e falar alto não era suficiente para aqueles tolos. No meio da viagem, gritos femininos me tiraram do sono merecido. Os pequenos abutres que habitam em nos logo esticaram os bicos em direção à mulher que brandava palavras impublicáveis contra um dos ilustres apreciadores da nobre bebida. Isso mesmo, ele estava bolinando ela.

Até aí, tudo bem. Assédio sexual e alcoolismo são rotina, meu amigo. Agora, a vítima do assédio quebrar um vidro, tirado de seiláonde, na cabeça do pobre aproveitador do álcool (e do sexo frágil), isso sim é algo inesperado.

E, graças a dois atos burros e evitáveis de dois grandes idiotas, a testemunha aqui ficou duas horas preso na rodoviária sem ganhar nem um vale-coxinha! A maioria das pessoas não pensa e a humanidade paga o preço disso a todo instante.